Zanele Muholi leva o Prêmio Hasselblad 2026, o maior da fotografia mundial
O prêmio de fotografia mais prestigiado do mundo homenageia o duradouro arquivo da artista sul-africana sobre a vida negra queer.
Resumo
- Fotógrafe e ativista visual sul-africane recebe o Hasselblad Award 2026, o prêmio de fotografia mais prestigiado do mundo
- Mulholi é conhecide por seus retratos impactantes, que afirmam a visibilidade negra queer e contestam representações históricas de corpos negros na cultura visual
- A artista será o foco central de uma próxima exposição no Hasselblad Center, em Gotemburgo, na Suécia, neste outono
Zanele Muholi se consolidou como umes das artistas mais importantes da atualidade. Impactantes e sublimes, suas imagens moldam o arco da fotografia contemporânea, tornando legíveis os códigos complexos de identidade, pertencimento e existência humana. Em reconhecimento a esse impacto, a artista sul-africane foi nomeade vencedore do Hasselblad Award deste ano, amplamente considerado o prêmio mais prestigioso da fotografia.
Dividindo-se entre Joanesburgo e Cidade do Cabo, Muholi nasceu em Umlazi durante o apartheid. Estudou fotografia avançada no Market Photo Workshop, em Joanesburgo, antes de concluir um MFA em mídia documental na Ryerson University, em Toronto. Ao longo das últimas duas décadas, Muholi, representade por Yancey Richardson, conquistou reconhecimento internacional, com grandes mostras individuais em instituições como o Fotografiska Shanghai, a Tate Modern, o International Center of Photography e a Bienal de Veneza.
Mais que ume fotógrafe, Muholi atua como ativiste, usando a arte como ferramenta para enfrentar o apagamento e a discriminação de corpos negros na cultura visual. Seu trabalho une precisão e urgência política para, como descreve a Hasselblad Foundation, “articular e celebrar a profundidade e a dignidade” das comunidades negras queer na África do Sul e além.
“Há anos, meu trabalho fala de visibilidade e resistência”, escreveu a artista. “Trata-se de construir um arquivo para que ninguém possa dizer: ‘Nós não sabíamos’. Quando essa honra chega, eu a recebo em nome da minha comunidade: daqueles que foram apagades, daqueles que ainda estão aqui e daqueles que ainda vão se ver refletides com dignidade.”
Entre os projetos emblemáticos da vencedore estão Faces and Phases (2006–em andamento), uma das séries mais significativas de seu tempo, registra comunidades lésbicas, trans e de gênero dissidente como um gesto de resistência à violência estrutural. Outra série, talvez a mais reconhecida de Muholi, Somnyama Ngonyama (Hail the Dark Lioness) (2018–em andamento), busca referências na fotografia de moda, no retrato clássico, no universo do trabalho e em imagens etnográficas para criar autorretratos poderosos, que evocam temas como dignidade, performance e empoderamento.
O Hasselblad Award concede um prêmio de SED 2.000.000 (cerca de US$ 217.790), uma medalha de ouro e uma câmera Hasselblad. Como parte da homenagem, Muholi também será tema de uma grande exposição individual no Hasselblad Center, em Gotemburgo, na Suécia, com abertura em 10 de outubro e em cartaz até 4 de abril de 2027.

















