Jaguar Jonze trata discos como cápsulas do tempo
“Às vezes, nem sei o que estou pegando. Simplesmente confio no que o disco tem a me dizer”, diz a cantora e compositora.
Uma colecionadora assumida, Jaguar JonzeO amor pelo vinil vai muito além da música. Cada disco é um design único, uma cápsula do tempo e um portal para outro lugar. “Vejo o vinil como uma obra de arte. Nesse formato sonoro que você ama, você pode realmente segurá-lo, vê-lo e senti-lo também”, diz ela, passando por pilhas em uma das lojas de discos underground de Sydney.
No segundo episódio de GRAILS, apresentado pela cerveja japonesa premium da marca Kirin Ichiban, a cantora, compositora e multi-instrumentista nos leva para dentro de seus rituais, revelando como o som, a memória e a narrativa visual influenciam seu processo criativo de forma mais ampla.
Ao buscar discos de primeira prensagem, Jonze é atraída pela arte das capas — fontes distintas e selos obscuros. “Às vezes, pego um disco e penso: ‘O que é isso?’, simplesmente porque a arte da capa me transmitiu algo. O que será que ela vai me dizer na forma de música?”
O processo costuma ser espontâneo, mas fundamentado na intuição desenvolvida ao longo de anos ouvindo e colecionando. Não é surpresa que algumas de suas músicas favoritas surgiram ao encontrar, por acaso, discos que chamaram sua atenção.
“Tenho muitas primeiras prensagens de artistas australianos locais e de artistas estrangeiros que realmente admiro”, diz ela. “Há um incrível mundo underground, onde as pessoas estão constantemente compartilhando ou trocando vinil. É impressionante. Há tanta arte em torno da música que esquecemos.”
Para Jonze, colecionar vinil é uma questão de memória e descoberta. Nascida no Japão de pais australianos e taiwaneses, ela assimilou uma ampla variedade de estilos musicais, desde o pop japonês e as trilhas sonoras do Studio Ghibli até partituras cinematográficas ocidentais e bandas de trip-hop, como Portishead.
Ela também destaca compositores como Joe Hisaishi e discos de My Neighbour Totoro como influências formativas. Enquanto vasculha, Jonze encontra uma trilha sonora de filme japonês vintage (o primeiro filme que assistiu) e se anima. “É tão fofo. Lembra-me de tudo o que senti ao assisti-lo.”
De fato, foi no Japão que Jonze descobriu Utada Hikaru, a ícone do J-pop cuja mistura de produção cinematográfica e anime ajudou a moldar seus gostos pessoais. “Ela se conectou com o lado anime que eu amo. Essa construção de mundo, essa emoção ficou comigo.”
Agora, essa atenção à narrativa e ao artesanato pode ser percebida na própria abordagem artística de Jonze. Tudo é cuidadosamente planejado, desde os visuais até a estrutura da lista de faixas. É também por isso que a filosofia de Kirin Ichiban ressoa tão fortemente com a artista multitalentosa.
Após uma colaboração com a artista japonesa DJ Muro e a Deus Records em uma edição exclusiva de vinil de primeira prensagem, produtos oficiais e eventos por Sydney e Melbourne, Kirin Ichiban — que significa ‘primeiro’ e ‘o melhor’ em japonês — está redobrando sua aposta na filosofia da primeira prensagem. A cerveja japonesa deles é produzida utilizando apenas a primeira prensagem do mosto, uma técnica tradicional que extrai o sabor mais puro do grão.
O objetivo é respeitar a arte do processo e permitir que o talento se destaque na experiência final. Isso demonstra que, em um mundo de acesso instantâneo, as coisas mais significativas frequentemente exigem tempo para serem criadas. Como um disco épico. Ou uma cerveja bem produzida.
Assista a Jaguar Jonze no segundo episódio de GRAILS apresentado por Kirin Ichiban aqui. Quer mergulhar ainda mais na cultura do vinil? Assista a este curta-metragem filmado em Tokyo explorando a cultura do vinil e da primeira prensagem pelos olhos de DJ Muro ou acesse o site australiano da Kirin Ichiban.



















