Eli Scheinman fala sobre Beeple, colaboração entre humanos e máquinas e “Bárbaros às Portas”

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Art Basel Zero 10

Resumo

State of Art é uma nova série da HypeArt que convida artistas, curadores, colecionadores e outras vozes de destaque a opinarem sobre as ideias, debates e transformações culturais que moldam a arte contemporânea. Por meio de perguntas íntimas e recomendações pessoais, a série oferece um olhar mais próximo sobre o que está empolgando o mundo da arte, o que precisa mudar e para onde as coisas podem estar caminhando em seguida.

Para inaugurar esta série, conversamos com Eli Scheinman, curador e estrategista de arte digital que atua entre arte, tecnologia e colecionismo. Scheinman foi o primeiro curador da ZERO 10 da Art Basel, plataforma da feira dedicada à arte da era digital, onde ajuda a moldar a programação e reúne artistas, galerias e práticas interdisciplinares que investigam como a tecnologia está transformando as formas de criar, experimentar e colecionar arte.

A seguir, Scheinman reflete sobre as esculturas cinéticas de Beeple, as performances colaborativas de Sougwen Chung com robôs e a persistente dependência do mundo da arte de formatos digitais já desgastados. Ele também fala sobre a nova obra de Trevor Paglen em Veneza, defende encontros mais inesperados entre arte e cultura e explica por que o momento atual evoca a ideia de “bárbaros às portas”.

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Node

Qual é a exposição do primeiro semestre deste ano que você não consegue tirar da cabeça?
A retrospectiva de meio de carreira de Beeple, Infinite Loop, no NODE, em Palo Alto. Para mim, Beeple é um dos artistas contemporâneos mais incisivos e importantes em atividade — e a maioria das pessoas ainda não se deu conta disso.

Foi a primeira vez que suas esculturas cinéticas foram exibidas juntas, além de marcar a estreia de uma nova obra, “Machine Memory”. A mostra era caótica, envolvente e bela.

Alguma obra de arte realmente fez você sentir algo de verdade neste ano, ou tudo pareceu meio sem graça? Que obra foi essa — e como foi seu primeiro encontro com ela?
Recursions, de Sougwen Chung, apresentada na ZERO 10 da Art Basel Hong Kong. Foi uma das minhas obras individuais favoritas do ano. Em suas performances intimistas, ela se junta a seus robôs para pintar, em gestos coordenados, um pergaminho antigo e monumental, expondo as tensões cruciais da colaboração entre humanos e máquinas. Muito especial.

Qual é a exposição que ainda vem por aí e já está marcada na sua agenda para o restante do ano — e por quê?

Strange Rules, em Veneza. Perdi a abertura, mas ouvi ótimos relatos. Preciso ver de perto o novo trabalho de Trevor Paglen. Também sou muito fã dos cocuradores Holly Herndon e Mat Dryhurst.

“Por favor, chega de catálogos em PDF. Encontrem novas formas de apresentar obras em ambientes digitais.”

Se você tivesse que dar uma nota ao mundo da arte de 2026 agora, qual seria — e por quê?

B. Vejo pequenas brechas para cenas emergentes e novas ideias, mas, como sempre, ainda há muito dogma enraizado sufocando a criatividade no mundo da arte — e isso precisa ser desbastado.

Qual tendência da cena artística você gostaria que desaparecesse — e qual gostaria de ver mais?

Menos galerias apresentando obras em formatos digitais cansados e previsíveis. Por favor, chega de catálogos em PDF. Encontrem novas formas de mostrar obras em ambientes digitais. Não há problema em ter um ponto de vista. Quero ver mais justaposições e choques inesperados entre obras, ideias e experiências. A plataforma de leilões Fair Warning, de Loïc Gouzer, e seus eventos em Nova York são exemplos que me vêm à mente.

Se você tivesse que resumir o mundo da arte neste momento em exatamente três palavras, quais seriam?

Preciso de quatro: “Bárbaros às portas.”

Se você pudesse tomar um drinque ou fazer uma refeição hoje à noite com qualquer artista, vivo ou morto, quem seria — e qual seria a primeira pergunta que faria?

Meu avô. Ele tinha mente de artista, embora não se visse assim. Era sociólogo de formação. Eu perguntaria o que ele acha da externalização do trabalho criativo da mente para modelos e máquinas.

Keith Estiler Managing Editor, Hypeart

Keith Estiler is a New York-born curator, writer, and the Managing Editor of Hypeart, the contemporary art arm of Hypebeast. Based in NYC, Keith heads up editorial strategy at the intersection of contemporary art and culture, capturing the icons and outliers of both the local and international scenes. He has curated exhibitions worldwide, dedicated to championing the emerging voices and subcultures currently redefining contemporary visual culture.

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