'Backrooms' está redefinindo o que o terror pode ser

Backrooms Is Rewriting What Horror Is Allowed to Be
A24

O terror sempre soube criar bons monstros. Historicamente, porém, não se sai tão bem quando o assunto é o pavor sem origem: a inquietação particular de estar em um lugar errado sem saber como você foi parar ali ou o que, exatamente, está vindo atrás de você. Backrooms corrige isso e, ao fazê-lo, tornou-se discretamente uma das mudanças mais significativas na forma como o gênero opera nos últimos anos.

A origem desse sucesso de bilheteria é quase constrangedoramente simples. Tudo começou com uma única foto publicada no 4chan em 2019: uma sala vazia, luzes fluorescentes, papel de parede amarelo da cor de dentes envelhecidos e um carpete que caberia em um escritório de meados do século passado, daqueles que ninguém limpa desde 1987. A legenda descrevia a imagem como o que se vê ao “atravessar a realidade sem colisão”. A imagem não deveria ter dado no que deu. Ainda assim, tornou-se a semente de toda uma mitologia colaborativa, construída em seções de comentários, fóruns e vídeos no YouTube por pessoas que nunca se encontraram, todas concordando sobre as regras de um lugar que não existe.

Kane Pixels, um adolescente com uma câmera e um software de edição, transformou essa mitologia em uma série no estilo found footage, já vista centenas de milhões de vezes. O genial em sua abordagem está na contenção. Em seus filmes, Backrooms não faz alarde. Não há sustos calculados para fazer você derramar a bebida. O horror vem do zumbido das luzes fluorescentes, da sensação de escala, da sugestão de algo logo além do enquadramento, observando você há mais tempo do que você sequer percebe. É um tipo de cinema que entende a atmosfera como arma.

O que distingue Backrooms do terror que veio antes é onde a ansiedade se instala. O terror tradicional exterioriza o medo: há uma coisa, ela quer machucar você, então você corre. Backrooms o internaliza. O terror é espacial e psicológico, enraizado na sensação de estar em um lugar que deveria ser familiar, mas que foi despojado de tudo o que torna espaços conhecidos seguros. Não há saídas, outras pessoas, céu ou clima. Só o zumbido, o amarelo e a impressão de que a geometria está sutilmente errada de um jeito que você não consegue nomear. Quem já acordou desorientado em um quarto desconhecido às três da manhã conhece a sensação muito particular disso — e Backrooms descobriu como prolongá-la pelo tempo que quiser.

Também mudou quem pode fazer terror. O universo de Backrooms é genuinamente colaborativo, construído por centenas de colaboradores em diferentes plataformas, cada um acrescentando níveis, regras e entidades que a comunidade absorve ou rejeita coletivamente. Nenhum estúdio aprovou o projeto. Nenhuma distribuidora decidiu que ele era comercialmente viável. Ele existe porque as pessoas encontraram algo naquela fotografia e não conseguiram parar de pensar nisso.

É essa a parte que a indústria tradicional ainda tenta descobrir como replicar. Backrooms não nasceu de uma apresentação de projeto. Nasceu de uma sensação específica e difícil de articular, que uma única imagem conseguiu trazer à tona. A maior parte do terror sonha, durante toda a sua existência, com uma ressonância assim. Backrooms esbarrou nela em um fórum anônimo de imagens, e o gênero ainda não conseguiu acompanhá-lo.

Backrooms já está disponível no premiado sistema de entretenimento de bordo da Cathay Pacific.

Sophie Caraan Managing Editor

Sophie Caraan is the Managing Editor at Hypebeast, where she sets the editorial direction, standards, and output strategy for the HQ team. With a decade of editorial experience, she brings both a storyteller's instinct and a strategist's eye — spotlighting the figures and movements that shape the culture across a multitude of lanes. Her tenure is marked by high-impact conversations with the likes of RZA, Mads Mikkelsen, CORTIS, Erling Haaland, Kasing Lung, NIGO, and more.

0 Comentários
 

Você está experimentando o novo site beta

Compartilhe seu feedback conosco, isso nos ajudará a melhorá-lo para você.