Resumo
“MEX I CAN”, de Andy Medina, em exibição na John Doe Gallery, ressignifica símbolos públicos conhecidos para investigar a identidade e a herança mexicanas.
A mostra mistura referências pré-colombianas com sinalização de rua, streetwear e cultura pop por meio do inconfundível remix cultural de Medina.
Obras de seu projeto “Superarme” e homenagens a ícones mexicanos do automobilismo revelam uma visão de México adaptável, global e em permanente transformação.
Natural de Oaxaca, no México, o artista contemporâneo Andy Medina desenvolveu uma prática voltada à reavaliação dos símbolos e da linguagem visual associados à identidade mexicana. Transitanto por placas, instalações, gravuras, têxteis e outras mídias, Medina desmonta códigos culturais familiares e os reconstrói sob sua própria perspectiva. Em sua mais recente exposição, MEX I CAN, na John Doe Gallery, em Los Angeles, ele leva essa abordagem adiante ao se apropriar de símbolos públicos e da iconografia ocidental para reafirmar as tradições visuais da Mesoamérica pré-colombiana.
Ao entrar na John Doe, a galeria logo remete a um cruzamento intensamente iluminado, tomado por placas de trânsito, superfícies refletivas e fragmentos de efêmera urbana. Mas, ao olhar mais de perto, esses símbolos familiares começam a se transformar. Uma placa de advertência convencional, por exemplo, foi retrabalhada para lembrar a silhueta de uma pirâmide mesoamericana — um dos vários exemplos de subversão cultural de Medina ao longo da mostra.
O título da exposição funciona tanto como jogo de palavras quanto como afirmação. “MEX I CAN” fala da pluralidade da identidade mexicana e de sua capacidade de se adaptar continuamente, sobretudo entre as comunidades mexicano-americanas que lidam com pressões políticas e culturais nos Estados Unidos. “Hoje, mais do que nunca, MEX I CAN se torna relevante como uma declaração político-crítica em uma luta na qual a identidade de muitos é negada, como acontece com a comunidade mexicano-americana. A adaptabilidade e a resiliência prevalecem”, afirmou Medina em comunicado.
A mostra também reúne obras do projeto Superarme, de Medina, que se apropria da inconfundível identidade visual da gigante do streetwear Supreme. Mas o gesto não se resume a parodiar um logotipo reconhecível: ele se vale dessa familiaridade como porta de entrada. Medina substitui a marca por seus próprios jogos de palavras, chamando atenção para uma versão do México moldada pelo cruzamento de culturas, histórias e estéticas.
Várias obras homenageiam os pilotos mexicanos de Fórmula 1 Sergio “Checo” Pérez e Pedro Rodríguez, levando a investigação de Medina sobre a identidade nacional ao universo do automobilismo. “O objetivo é atualizar o alcance da cultura mexicana e seu perfil no mundo da competição”, explicou Medina.
Em MEX I CAN, Medina apresenta a identidade mexicana como algo fluido, e não fixo. Ao remixar referências que vão de placas de trânsito e logotipos de streetwear à cultura automobilística e às tradições visuais ancestrais, ele retrata um México em constante transformação, que absorve influências globais sem deixar de fincar raízes em sua própria história.
John Doe Gallery
107 E 11th St.
Los Angeles, CA 90015



