Para a Lotus, fabricar carros esportivos está no sangue. A marca faz isso desde os anos 1950, nas pistas, passou pelos Esprit e Elan nos anos 1970 e realmente ganhou força nos anos 1990, com Elise, Exige e os modelos que vieram depois. Agora, o Emira chega em diferentes versões, com dois tipos de motor: um V6 e um quatro-cilindros turbo em linha. Mas será que dá para melhorar ainda mais?
A Lotus convidou um seleto grupo de jornalistas da imprensa especializada para conhecer o Emira 420 Sport, até agora a versão mais radical e voltada ao desempenho de seu elegante cupê esportivo. Ele traz mais potência, suspensão desenvolvida em pista, pressão aerodinâmica apoiada por Dinâmica de Fluidos Computacional (CFD) e muito mais. Ficamos bastante impressionados com o Emira V6 First Edition com compressor mecânico e um tanto decepcionados, depois, com a versão 2.0L equipada com motor AMG.
Talvez a terceira vez seja mesmo a definitiva? É possível, mas há alguns pontos que você precisa conhecer sobre o 420 Sport antes de tomar uma decisão bem informada.
Vem de uma Linhagem de Lotus Muito Especiais
Por mais comum que seja a palavra, a Lotus não usa o termo “Sport” à toa. Ele é reservado, na verdade, aos carros ainda mais radicais e capazes, distinguindo-os claramente dos modelos de produção.
Durante nosso evento de imprensa, a Lotus deu uma verdadeira aula sobre seus modelos Sport e exibiu duas versões anteriores: o Lotus Esprit Sport 300 e o Lotus Exige Sport 350. O representante explicou como essas variantes Sport levavam suas respectivas plataformas a outro patamar, com a adição e/ou remoção de componentes leves do chassi e o refinamento de peças para criar uma experiência de condução mais focada. O Exige Sport 350, em especial, chamou nossa atenção: o engenheiro detalhou as complexidades do câmbio e da aerodinâmica desenvolvidos para elevar o carro além do que o Exige já oferecia.
O Lotus Emira 420 Sport segue a mesma filosofia. Sua aerodinâmica de efeito solo foi totalmente retrabalhada na dianteira, nas laterais, no para-choque e no aerofólio traseiros, gerando 25 kg de pressão aerodinâmica sem penalizar o arrasto. As entradas de ar laterais traseiras receberam uma enorme tomada de ar, que força a passagem de ar frio acelerado para as admissões do motor central. Novas saídas de baixa pressão foram acrescentadas aos para-lamas dianteiros. E há ainda o aerofólio traseiro. Tudo isso pode parecer minúsculo, mas faz parte do pacote completo do 420 Sport.
É Mais do que Apenas Potência
Além da redução de peso, da nova aerodinâmica e do discreto ganho de 14 hp e 14 lb-ft de torque — para 414 e 368, respectivamente —, o Lotus Emira 420 Sport fica ainda melhor com o Lightweight Handling Pack. O pacote traz novos amortecedores Multimatic ajustáveis em duas vias, que permitem regular tanto a compressão quanto o retorno. O vidro traseiro dá lugar a uma persiana de fibra de carbono com inspiração retrô, que ajuda a dissipar o calor do motor para que ele possa ser exigido por mais tempo. O pacote opcional também inclui pneus Michelin Cup 2 com desenvolvimento específico “LTS”, escapamento de titânio, bateria de íons de lítio Antigravity ultraleve e mais.
Na nossa opinião, o Lightweight Handling Pack é indispensável para um modelo mais radical e focado como o Emira 420 Sport. Sim, o pacote é caro — custa US$ 12.900 adicionais, segundo a marca —, mas só a suspensão já justifica o investimento. Some a isso os pneus Michelin mais caros disponíveis na configuração, por cerca de US$ 2.000, e uma bateria 75% mais leve, de US$ 850, e o pacote passa a parecer um ótimo negócio. Optar por dispensá-lo seria um erro.
Corrigiu Alguns Problemas
Ficamos satisfeitos ao saber, pela própria Lotus, que o Emira 420 Sport resolveu algumas queixas dos clientes — inclusive as nossas.
Quando testamos tanto o Emira V6 SE quanto a versão de quatro cilindros equipada com motor AMG, notamos um pequeno incômodo no volante: em curvas fechadas, a palma da mão aplicava a pressão exata sobre os comandos direcionais sensíveis ao toque de ambos os lados, acionando-os sem querer. Isso não acontece mais. O 420 Sport recebeu um volante atualizado, com botões físicos mais resistentes no lugar desses comandos. Ainda conseguimos acioná-los na pista, mas com muito menos facilidade.
Outra mudança que atende a uma demanda dos clientes e vale para todos os Lotus Emira é o novo teto removível, que cria uma cabine aberta, ao estilo targa. Perguntamos qual era a diferença de peso entre o novo mecanismo e o teto rígido, e o engenheiro disse que ela era desprezível. Em teoria, o teto pode ser retirado do carro — em vez de armazenado atrás dos bancos — para eliminar alguns quilos extras. É uma pequena mudança, mas uma demanda importante; se os clientes pediram, a Lotus atendeu.
Continua Soando Absolutamente Incrível
O Lotus Emira V6 SE foi nosso primeiro contato com o cupê esportivo, e o assobio do compressor mecânico, combinado ao ronco sonoro do V6, era música para os nossos ouvidos. Depois, testamos a versão 2.0L de quatro cilindros equipada com motor AMG e ficamos bastante decepcionados com seu desempenho, mas felizes por o aspecto sonoro ter sido preservado: um turbo sibilante e uma admissão soprando ao lado da orelha esquerda. Temos o prazer de informar que nada disso mudou.
O Emira 420 Sport usa o mesmo motor 2.0L de quatro cilindros derivado da AMG e o mesmo conjunto turbo, entregando uma boa dose de torque em médias e altas rotações. Ao acelerar, o ar sendo comprimido na admissão cria um delicioso som de sucção, enquanto a válvula de alívio do turbo descarrega com a mesma intensidade. Basta repetir a dose pelas estradas britânicas. Nossas preocupações se confirmaram, porém: os fãs do Reino Unido saem ligeiramente prejudicados, já que a posição de condução à direita os afasta de todos esses ruídos maravilhosos, concentrados no lado esquerdo do carro. Ainda assim, a sinfonia continua ali. E os estalos e borbulhas do escapamento no modo Sport também não decepcionam.
É Difícil de Engolir
Então, onde se assina? Não tão rápido. Há um ponto sobre o Emira 420 Sport que você precisa conhecer para tomar uma decisão bem informada: o preço.
Não há jeito fácil de dizer isso: ele custa pouco menos de US$ 123.000. O Emira padrão com o mesmo motor já parte de US$ 106.900, um valor alto para um carro cujo coração é um motor 2.0L. Ainda assim, é o que é, e o Emira encontrou seu público. Agora, com o 420 Sport nessa faixa de preço e um Lightweight Handling Pack que está longe de ser opcional elevando a conta para US$ 135.800, é preciso se perguntar seriamente: é isso que você está disposto a pagar pelo que recebe?
Quais são, então, as opções na faixa dos US$ 135 mil? Esqueça o Porsche Cayman GT4: ele saiu de linha. O Corvette Z06 pode atender ao que você procura, mas atrai um consumidor específico, que valoriza muito mais potência e talvez menos a sensação e o apelo de luxo. Também é possível considerar o Alpine A110, outro modelo de motor central, quatro cilindros turbo e bem mais barato, por US$ 80.000 — mas apenas se você estiver na Europa.
Parece, então, que a Lotus praticamente tem esse mercado só para si com o Emira e, com o 420 Sport, ampliou a oferta para um cliente que quer extrair ainda mais do carro. Parece uma decisão fácil — exceto pelo fato de que nós ainda escolheríamos uma versão V6 com compressor mecânico, câmbio manual e pouco uso.



