Documento vazado revela plano da FIFA de vender 20% de sua operação comercial

FIFA Forward Enterprise prospectus sparks UEFA and CONCACAF backlash over new tournaments
Chris Brunskill/Fantasista/Getty Images

Resumo

Um deck comercial confidencial da FIFA, que vazou, propôs vender uma participação de 20% em uma nova empresa comercial ao investidor americano Joshua Kushner, em troca de pagamentos de adesão de 20 milhões de dólares por federação.

A proposta depende de ampliar o número de eventos globais de 200 para 450 por ano, o que acende um alerta sério sobre exaustão dos jogadores e um calendário já sufocado por excesso de partidas.

Um documento confidencial de vendas, com 25 páginas, expôs um plano comercial agressivo para o futebol mundial. O prospecto revela uma proposta da entidade que rege o esporte para vender uma participação de 20% em suas operações comerciais ao investidor americano Joshua Kushner. Elaborado pelo mesmo banco por trás da fracassada Superliga Europeia, o documento prevê a criação de uma nova empresa comercial, batizada de FIFA Forward Enterprise. Para garantir o apoio das 211 associações անդամ, os executivos ofereceram um pagamento imediato de adesão de US$ 20 milhões. As distribuições projetadas subiriam, então, para US$ 24 milhões por ciclo até 2035. O objetivo central é reduzir uma suposta defasagem de receitas. A apresentação compara desfavoravelmente a receita atual do futebol global à de grandes ligas nacionais, como a NFL, para argumentar que a organização ainda não monetiza plenamente seu potencial.

Para liberar esse capital prometido, seria necessária uma ampla reformulação do calendário esportivo internacional. A estratégia de crescimento depende sobretudo da expansão do portfólio de torneios, de 200 para 450 eventos globais por ano. Um salto tão drástico levanta preocupações imediatas com o desgaste extremo dos jogadores e o congestionamento do calendário. O crescimento financeiro também viria de ingressos mais caros, da priorização de parcerias de alto retorno e de uma guinada para modelos de transmissão por assinatura nos principais torneios. Críticos não demoraram a questionar a lógica da reestruturação financeira. Figuras importantes do futebol apontaram o absurdo de recorrer a financiamento por dívida de terceiros quando a entidade mantém cerca de US$ 4 bilhões em reservas de caixa e acumula receitas de US$ 15 bilhões no atual ciclo de quatro anos.

O presidente Gianni Infantino estabeleceu o dia 19 de setembro de 2026 como prazo final para que as associações անդամ aceitassem o acordo. O ultimato desencadeou uma rebelião imediata nos mais altos escalões do esporte. A entidade europeia UEFA anunciou a rejeição unânime do plano e ameaçou boicotar integralmente todas as competições relacionadas até que a proposta seja completamente abandonada. A organização condenou a ideia de submeter o esporte a obrigações comerciais permanentes e às expectativas dos investidores. Pouco depois, a confederação norte-americana CONCACAF também rejeitou formalmente o plano de investimento. O grupo citou uma grave falta de devido processo e um prazo artificialmente curto. A United States Soccer apoiou publicamente a rejeição, isolando ainda mais a sede mundial da entidade, na Suíça.

A dimensão da reação evidencia uma crescente divisão cultural entre os executivos do futebol internacional e as federações encarregadas de proteger o esporte. Uma lacuna gritante no material de apresentação só alimentou a indignação: em todo o prospecto de 25 páginas, não há uma única menção ao futebol feminino. A omissão completa do futebol praticado por mulheres contradiz as recentes declarações públicas sobre desenvolvimento global integral e expõe um foco hipercomercial voltado exclusivamente aos tradicionais torneios masculinos. No fim, a apresentação vazada enquadra o esporte como um ativo pronto para a extração de valor por fundos de private equity, e não como uma instituição cultural que exige uma gestão cuidadosa.

 

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Fontes