Irônicas e introspectivas, provocativas e profundamente pessoais, as obras de Devin Troy Strother não se deixam definir com facilidade. O artista conquistou um público fiel com peças que desmontam os códigos sociais que nos regem e subvertem estereótipos raciais com sinceridade crítica, muitas vezes fazendo do humor a porta de entrada. É uma abordagem perfeitamente sintetizada pelo verso de Paid in Full que inspirou sua mais recente exposição individual: “BMW quer dizer Desejo de um Homem Negro, porque eu queria ter uma.”
Em B M W (O desejo de um homem negro), na Ruttkowski;68, em Colônia, na Alemanha, o artista radicado em Los Angeles investiga como até o ouro pode enferrujar. Em uma nova série de pinturas e obras em técnicas mistas, ele se debruça sobre o peso cultural associado à montadora alemã e a usa como substituta para os sentidos cambiantes de ambição, fantasia e sucesso nos imaginários coletivo e pessoal.
O título remete à cultura aspiracional do Harlem dos anos 1980, quando ter um carro desses era sinal de que você tinha chegado lá. Hoje, a mostra também faz referência ao próprio carro do artista — uma perua BMW 328i de 2012. O que já foi um dos símbolos de status mais reconhecíveis do mundo ganha uma nova banalidade, uma dimensão doméstica, sugerindo que os sonhos estão sempre sujeitos a revisão.
Ao longo da exposição, um único veículo abre caminho para discussões mais amplas sobre desejo, classe, raça e as histórias que projetamos sobre objetos materiais. Além de sua conhecida admiração por Philip Guston, Strother também cita nos títulos das obras artistas como Tal R., Eddie Martinez, Emil Nolde e Max Ernst, recorrendo a grandes nomes da história da arte e da contemporaneidade para construir seu próprio cânone de sucesso.
B M W (A Black Man’s Wish) fica em cartaz na Alemanha até 26 de setembro.
Ruttkowski;68 Colônia
Lichtstraße 8-24,
50825 Ehrenfeld,
Alemanha



