“007 First Light” é tudo o que um jogo de James Bond deve ser

IO Interactive 007 First Light playstation 5 ps5 Game Review
IO Interactive

Atenção: este texto contém spoilers importantes para quem ainda não terminou o jogo.

Faz muito tempo que James Bond não ganhava um jogo realmente à altura do personagem. GoldenEye definiu o padrão em 1997, e nada chegou perto desde então. Bond é um dos arquétipos mais complexos da cultura pop, um homem definido tanto por suas contradições quanto por sua competência — e acertá-lo em um formato interativo é realmente difícil. Qualquer desenvolvedor consegue reproduzir os ternos, os carros e as tiradas espirituosas. O mais difícil é captar a complexidade moral por baixo de tudo isso, a sensação de que 007 está sempre se movendo em algum lugar entre o dever e a consciência. O jogo da IO Interactive, 007 First Light finalmente acerta em cheio.

First Light é uma história de origem, ambientada inteiramente antes de James Bond conquistar sua designação dupla-zero. Ele tem 26 anos, é tripulante em treinamento da Marinha e ostenta uma arrogância convincente, daquele tipo que só quem ainda não foi colocado em seu lugar consegue ter. Patrick Gibson o interpreta com a dose certa de aspereza nas bordas — convencido, rápido e genuinamente empático, de um jeito que parece explicar o homem em que ele vai se tornar, em vez de apenas enfeitá-lo. O arco é menos sobre Bond aprender a matar e mais sobre aprender quando não fazê-lo.

IO Interactive 007 First Light PlayStation 5 PS5 análise do jogo

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A trama faz por merecer seu lugar na franquia. O MI6 mantém um supercomputador quântico que prevê ameaças à segurança nacional e, quando o sistema começa a errar, as pessoas responsáveis por ele passam a cometer deslizes ainda piores para encobrir tudo. É o tipo de história que só funciona se você confiar no elenco — e First Light confia. A M de Priyanga Burford também é recém-chegada ao cargo, e os roteiristas a desenham menos como uma chefe autoritária e mais como uma política tentando manter algo de pé. Alastair Mackenzie dá a Q uma dose de calor humano que a era Daniel Craig de Bond nunca permitiu. A Moneypenny de Kiera Lester finalmente tem algo real em jogo na história, não apenas no subenredo. Lennie James, interpretando um personagem original chamado John Greenway, é discretamente a melhor coisa do jogo; sua lenta virada de antagonista a mentor é o tipo de construção de personagem rara nesse gênero. O papel de Isola Vale, outra personagem nova vivida por Noémie Nakai, no desenvolvimento de Bond é sutil, mas bem calculado. Como ladra que atua fora do sistema, ela funciona como um espelho de tudo o que o MI6 exige que Bond seja, e vê-lo lidar com essa tensão é um dos prazeres mais silenciosos da campanha.

Quando o trailer saiu, as comparações com Hitman foram imediatas e inevitáveis. E não estão totalmente erradas — furtividade importa, os cenários recompensam a leitura cuidadosa e as digitais da IO estão por toda parte — mas First Light é claramente uma obra com identidade própria. Só a mecânica de “Bluff” já o diferencia: você consegue conduzir as missões por meio de manipulação social e distração, em vez de simplesmente neutralizar tudo o que encontra pela frente — possivelmente a coisa mais Bond que o jogo faz. O Q Watch, um Omega Seamaster Diver modificado que a própria Omega produziu na vida real, funciona como seu principal gadget, ao lado de itens como a fita a laser e a caneta-míssil, e a gestão de recursos em torno deles mantém o ritmo sempre afiado.

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É no sistema de “Licence to Kill” que o jogo mostra que realmente entende o personagem. Bond não pode simplesmente sair atirando quando bem quiser; sua arma só é autorizada quando a vida dele está diretamente em risco. Ele continua preso à própria bússola moral, aos seus valores e à ética de fazer parte do MI6. A munição é escassa porque a arma não deveria ser seu primeiro impulso — e essa única decisão de design muda completamente a forma como você encara cada encontro. O combate corpo a corpo entra para compensar e tem variação suficiente para ser ao mesmo tempo experimental e divertido. É uma mecânica que poderia facilmente soar como truque, mas acaba funcionando como um verdadeiro manifesto.

O único ponto que quebra o encanto é técnico, não criativo. Alertas de desconexão do servidor insistem em aparecer no meio das missões e, quando um jogo se esforça tanto para te colocar dentro da cabeça de Bond, ser puxado de volta por uma notificação do sistema mata o ritmo de um jeito difícil de engolir. É um detalhe, mas a imersão é frágil, e First Light conquista imersão suficiente para fazer a interrupção parecer pior do que provavelmente é.

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E, claro, um jogo de James Bond não estaria completo sem os carros. Três Aston Martins aparecem ao longo da campanha, sendo o último um Valhalla modificado por Q. A IO tenta tirar o máximo dos cenários ao integrar as sequências de carro à estrutura das missões, em vez de simplesmente jogá-las ali como cenas de ação soltas. O que decepciona, porém, é o quão travadas são as mecânicas de direção. E tenho uma queixa pessoal: você só pode dirigir o Valhalla em algo que parece uma vaga minúscula de estacionamento coberto. Essa parte realmente dói.

007 First Light acerta exatamente onde importa. Entende que Bond não é interessante porque é invencível; ele é interessante porque tem um código — e assistir à construção desse código é uma história melhor do que apenas vê-lo em ação. 007 sempre foi sobre mais do que cumprir ordens — James Bond sempre tem algo, ou alguém, por quem lutar.

Sophie Caraan Managing Editor

Sophie Caraan is the Managing Editor at Hypebeast, where she sets the editorial direction, standards, and output strategy for the HQ team. With a decade of editorial experience, she brings both a storyteller's instinct and a strategist's eye — spotlighting the figures and movements that shape the culture across a multitude of lanes. Her tenure is marked by high-impact conversations with the likes of RZA, Mads Mikkelsen, CORTIS, Erling Haaland, Kasing Lung, NIGO, and more.

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