Manequins de “Costume Art” do Met colocam corpos reais em primeiro plano
O curador Andrew Bolton convocou os artistas Frank Benson e Samar Hejazi para criar nove novos manequins que redefinem a moda como um espaço para todos os corpos.
O Met Gala 2026 está trazendo o corpo de volta ao centro das atenções. Com todos os olhares voltados para o dress code do tapete vermelho desta noite, “Fashion is Art”, a correspondente Costume Art exposição no Costume Institute, revelada hoje de manhã, derruba a hierarquia histórica entre belas-artes e moda ao ancorar ambas no ato de se vestir. Para o curador Andrew Bolton, isso significou colocar os corpos — corpos reais — em primeiro plano.
Entre as combinações de roupas e obras de arte previstas para a mostra de primavera, estão nove novas formas em grande parte ausentes das exposições tradicionais de moda: corpos grávidos, corpos com deficiência, corpos trans e corpos maiores. Bolton encarou isso como parte de sua missão de ampliar o acervo do departamento para destacar vozes e estilistas fora do cânone da alta-costura europeia — e também os suportes em que essas peças são exibidas, para além dos limites do padrão da indústria.
Esses manequins podem ser vistos em duas das 12 seções temáticas da exposição, cada uma organizada em torno de um recorte específico do corpo. A seção “Disabled Body”, por exemplo, traz figuras inspiradas em nomes como Sinéad Burke, do Tilting the Lens, a modelo Aariana Rose Philip, a atleta Aimee Mullins, o fundador da Freedom Is Fly, Antwan Tolliver, a modelo e designer de moda praia Sonia Vera e a lendária drag já falecida Goddess Bunny.
Outra seção, intitulada “Corpulent Body”, celebra o excesso e o volume, com manequins inspirados na cantora Yseult, nas modelos Jade O’Belle e Charlie Reynolds, e em Michaela Stark, artista e designer cujo trabalho, já de forma brilhante, caminha na fronteira entre moda e arte.
Cada modelo passou por um processo de escaneamento em 3D para ser digitalmente convertido em figuras físicas prontas para vestir, criadas pelo escultor Frank Benson. Depois, cabeças com espelhos no lugar dos rostos foram acrescentadas por Samar Hejazi, outra escultora, que convida o público a se engajar ativamente no ato de olhar, incorporar e refletir.
Em um ensaio escrito para o catálogo da exposição, Hejazi explicou que, desde as primeiras conversas com Bolton, os projetos foram guiados por perguntas recorrentes: “Como podemos desestigmatizar o corpo não ideal? Como um manequim pode permitir que o público se veja em relação à roupa e ao corpo que a carrega? E de que maneira a forma do manequim pode convidar à empatia e à conexão, em vez de reforçar a distância?”
No ano passado, as cabeças sob medida de Tanda Francis para a Superfine elevaram o patamar dos manequins como objetos escultóricos, aprofundando o vínculo inextricável entre moda e arte.
E mais: os manequins de 2026 vieram para ficar. Os nove modelos são as adições mais recentes à coleção permanente do departamento (é bem provável que os vejamos de novo em futuras exposições), com a expectativa de incluir novos exemplares a cada ano. “Estamos tentando completar o quadro”, Bolton disse, para capturar todo o espectro de formas, dentro e fora do Met.

















