Sim, já faz um mês desde que estivemos lá. Mas passamos esse tempo nos recompondo, organizando as ideias e lendo o que todo mundo tinha a dizer. E, com tudo isso em mente, concluímos que o melhor antídoto para o sentimento de que a Milan Design Week “foi tomada pelas marcas” é compartilhar o trabalho de alguns designers independentes que apareceram por lá bancando tudo do próprio bolso.
Depois de vasculhar a cidade atrás deles e lotar o rolo de câmera com fotos de seus trabalhos, apresentamos 20 designers independentes que você precisa conhecer da Milan Design Week deste ano. De nada.
Jesse Butterfield
Um americano em Londres, Jesse já está no nosso radar há algum tempo. Seu trabalho transita entre o design e a pesquisa, e geralmente se concretiza em uma prática ao mesmo tempo investigativa e guiada por processo. Ele também cofundou o coletivo Computer Room, voltado à pesquisa em design, ao lado dos designers londrinos Andu Masebo e Charlie Humble-Thomas, em 2023.
Jane Wright
A gente nem sabia que precisava de um tapete de couro até ver o trabalho da Jane. Apresentando ao lado de Jesse na Alcova, Jane levou sua pesquisa com renda e têxteis para a festa – combinando motivos contemporâneos com técnicas artesanais tradicionais.
MA-MA
Formado por três irmãs, o MA-MA é um estúdio com base em Nova York e Los Angeles, fundado por Sanam, Laylee e Safura Salek, que reúnem experiência em escritórios de ponta como OMA e BIG. Elas criaram o MA-MA em 2018 e passaram a desenvolver móveis que são, literalmente, transformadores – como esta chaise longue, que se estende de forma deliciosamente fluida até virar uma day bed.
304.Cage
A 304.Cage é baseada em Roterdã e foi fundada em 2023 por Bram Schlangen. Foi a grande daybed quadrada do estúdio que chamou nossa atenção. Pensada para parecer “hostil” à primeira vista, graças à estética aparentemente dura, a peça é na verdade uma almofada preta macia, estampada com padrões criados em colaboração com o artista Chun.
Théophile Blandet
Théophile Blandet é um designer e artista francês que trabalha nos Países Baixos. Como se espera de um graduado da Design Academy Eindhoven, seu trabalho é guiado por conceito, resultando em objetos que tendem a escapar de qualquer tentativa de categorização – como a luminária “Fluid”, que é acesa por meio de um dispositivo de injeção.
@theophileblandet
Teo Rhe
Teo Rhe é um designer multidisciplinar coreano radicado nos Países Baixos. Este ano, ele apresentou tanto seus próprios projetos quanto os de outros criativos por meio de sua plataforma Bureau Parso. A partir de suas experiências culturais riquíssimas, integra técnicas de fabricação modernas e tradicionais para criar móveis e luminárias.
Sheyang Li
Junto com Teo Rhe, Sheyang Li comanda a Bureau Parso. Sua abordagem escultural e totalmente prática é reforçada por uma formação em engenharia, com a experimentação de materiais no centro de boa parte de seu trabalho. Seu jeito único de trabalhar o metal se destaca em meio a um mar de aço polido e perfeito, pela forma como sobrepõe e combina o material para criar algo totalmente inesperado.
CWR Studio
Apesar de o trabalho de Christoph Wimmer-Ruelland ser composto por objetos encontrados, isso não ficava óbvio à primeira vista – só se percebia ao olhar de perto, de tão impecável a execução. Fugindo do uso de cola ou parafusos, ele passou a pesquisar nós para manter as peças unidas. Curiosamente, essa pesquisa o levou a fóruns de adeptos do Doomsday prepping, e foi ali que a comunidade lhe ensinou a fazer nós específicos que tornassem as peças incrivelmente fortes e duráveis, e ainda assim fáceis de desmontar sem danos.
Soft Baroque
Somos obcecados há tempos pela abordagem quase fantástica do Soft Baroque, então foi um prazer ver o estúdio em apresentação solo em Milão este ano. Criada em parceria com a galeria belga Uppercut, a “Ghost Kitchen” ocupava um espaço expositivo no subsolo, que o estúdio (formado por Saša Štucin e Nicholas Gardner) transformou em um miniapartamento, completo com mobiliário e uma área de cozinha feita sob medida.
Serim Kwack
A curadora Valentina Ciuffi descreveu o trabalho expressivo em vidro de Serim Kwack como sendo “como uma pintura”, ao incluir suas peças na exposição “Romance of Fragility” Delvis (Un)Limited. O trabalho de Kwack utiliza chapas de vidro industrial encontradas para criar impressões sutis de objetos do cotidiano, tratando o material de um jeito que soa como uma ode à banalidade da vida.
Akiyama Ryota
Akiyama Ryota integrou uma das melhores mostras que vimos durante nossa temporada em Milão. Radicado em Mashiko, no Japão, Akiyama apresentou uma coleção inspirada em um método de amarração usado por pedreiros japoneses, que posicionam objetos apenas com o auxílio de cordas. Batizado de “Looping”, o projeto traz móveis inteiros finalizados com corda, enrolada em torno das peças para criar um detalhe que parece um contorno desenhado.
Studio Booboon
O Studio Booboon é um estúdio de design multidisciplinar fundado pela designer coreana Jisu Yun e pelo designer britânico Richard Bone. O nome vem da palavra coreana “booboon” (부분), que significa detalhe ou parte de algo. A coleção apresentada em Milão foi produzida a partir de sobras e excedentes de materiais, posteriormente transformados em mobiliário por meio de uma abordagem que eles chamam de “marchetaria 3D”.
Niels Raoul Boone
Essa pia azul é coisa de sonho. Aliás, todo o trabalho de Niels Raoul Boone é assim. O designer grava padrões lúdicos na superfície de móveis de metal, que geralmente assumem formas elaboradas e ornamentais. Um verdadeiro mago da metalurgia.
Rumba Bor
O trabalho do estúdio tailandês Rumba Bor é inspirado na estética do banal, do dia a dia. Fundado por Rumpa Paweenpongpat, o estúdio parte de objetos produzidos em massa ou esquecidos — como o celebrado banco Choei, ressuscitado a partir de um molde antigo de fábrica — e os recontextualiza por meio de novos materiais e novas formas de apresentação.
Patrice Lortz
Nunca tínhamos visto uma vela tão complexa quanto esta. Criadas por Patrice Lortz, designer de produto e artista de CGI francês, elas são pensadas para borrar as fronteiras entre o objeto físico e o virtual, fazendo referência à forma de um bolo de aniversário, de um castiçal e de um buquê de flores.
Lucie Gholam
A designer-maker franco-libanesa Lucie Gholam mistura técnicas de artesanato ancestral com design contemporâneo. Sua prática, focada em sustentabilidade, explora constantemente a possibilidade de trabalhar com materiais mais circulares e costuma reutilizar resíduos de construção como forma de questionar nossas maneiras de construir e nossa relação com objetos e espaços.
LS Gomma
O trabalho de LS Gomma (alter ego de Joel Muggleton) com borracha já o tornou presença cativa nas nossas listas. Trabalhando principalmente com borracha de poliuretano e tela metálica em seu estúdio em Paris, LS Gomma fabrica tudo à mão, fazendo de cada painel de borracha artesanal uma espécie de pintura espacial no centro da prática. Esse material se tornou a assinatura do estúdio e apareceu tanto no Salone Raritas quanto em uma individual promovida pela Uppercut.
Napalosa
Conhecemos o trabalho da Napalosa quando seus abajures peludos começaram a pipocar no nosso algoritmo. Desde então, viramos fãs e acompanhamos de perto a crescente popularidade do estúdio, fundado em 2021 por Nelly Bellegarde e sediado em Antuérpia, na Bélgica.
Electric Architects
Se depender de Milão, dá para dizer que fumar voltou com tudo. Talvez seja a vibração da cidade que inspire designers a criar projetos ligados ao cigarro, mas o tema realmente apareceu várias vezes. Um desses projetos veio do Electric Architects, que criou uma série de objetos para fumantes, batizada coletivamente de “The Vice”. Nosso favorito foi o The Vice Sentinel, um cinzeiro em grande escala, com vários braços.
Joshi / Greene
Transformando um conceito simples em detalhe arquitetônico, Joshi / Greene apresentou seu Rail System no cenário doméstico da exposição Convey. O trilho que percorre toda a extensão do ambiente foi desenhado para receber acessórios correspondentes — incluindo espelho, prateleiras, cadeira, relógio, vaso e cabideiro —, transformando o espaço, objeto por objeto.