Resumo
- Eli Russell Linnetz e o stylist Corey Stokes criaram três looks sob medida para as aparições do músico no tapete vermelho e nos eventos pós-festa.
- As peças prestam uma homenagem direta à estética monumental do lendário artista americano Barkley L. Hendricks.
- Cada silhueta foi meticulosamente construída no ateliê da ERL em Venice Beach, com tecidos deadstock e alfaiataria artesanal.
Jon Batiste brilhou no Met Gala 2026 com um trio de looks ERL Artisanal sob medida que fazem a ponte entre a alfaiataria vanguardista e um profundo legado cultural. Assinados por Eli Russell Linnetz em colaboração com o stylist Corey Stokes e o espólio de Barkley L. Hendricks, os modelos exclusivos redefiniram os limites da silhueta masculina contemporânea enquanto reverenciavam uma das vozes mais significativas da arte americana do século 20.
A peça central da aparição de Batiste no Met Gala foi o look de tapete vermelho, uma referência direta à pintura seminal de 1976 de Hendricks, Steve. Confeccionado inteiramente com tafetá de seda perolado e com brilho, em deadstock dos anos 1970, o look de ares reais apostava em uma paleta totalmente branca — técnica que Hendricks privilegiava para ressaltar o contraste e a presença dos tons de pele de seus retratados. Linnetz levou o design à forma mais pura, apostando em drapeados esculturais, assimetria e volumes exagerados. O visual tinha como base um casaco puffer volumoso até o chão, com cauda alongada, em referência às capas dramáticas presentes na obra de retratos de Hendricks. Por baixo da peça externa, Batiste usou calças plissadas fluidas, uma camisa social com babados feita sob medida, além de uma faixa de smoking (cummerbund) e gravata-borboleta coordenadas, todas confeccionadas com o mesmo tafetá deadstock no ateliê da ERL em Venice Beach.
Os acessórios trouxeram um contraste marcante e moderno à alfaiataria clássica. Óculos de sol com pérolas da ERL e broches de flores esmaltadas dos anos 1970, de fabricação artesanal, retirados do arquivo pessoal de Linnetz, foram combinados a um broche vintage da coleção Cartier de 1951, com diamantes baguete e redondos em lapidação antiga cravados em platina e ouro branco. Para os eventos pós-Met, Batiste trocou o look por um casaco bubble perolado da ERL, de corte cropped e linhas precisas, ecoando as proporções etéreas que Hendricks traduzia a partir de sua própria fotografia de rua.
A colaboração vai muito além das roupas e se alinha ao conceito do próximo álbum solo de piano de Batiste, Black Mozart, que será lançado no Juneteenth pelo selo Decca Records U.S. Para Batiste, o formato de piano solo é uma extensão musical do retrato, espelhando a capacidade de Hendricks de evidenciar a “majestade cotidiana e despretensiosa das pessoas negras”. Esse ethos foi traduzido à perfeição no look pré-Met de Batiste, inspirado na obra de 1969 de Hendricks Icon for My Man Superman (Superman never saved any black people – Bobby Seale). Décadas antes de o streetwear se consolidar como categoria, Hendricks elevou peças do dia a dia ao status de traje de gala. A ERL homenageou esse gesto ao combinar uma camiseta de algodão deadstock feita à mão — com direito a logo de Superman artesanal — com o jeans assinatura da marca, produzido na Califórnia e lavado manualmente em Venice Beach para reproduzir a carga de estilo visceral da pintura original.
“Barkley Hendricks usa o meio das artes visuais para destacar a majestade cotidiana e despretensiosa das pessoas negras. Isso se alinha ao que estou fazendo no campo da música clássica com Black Mozart. O piano solo é uma forma musical de retrato. Também está muito alinhado à abordagem de Eli de reimaginar a silhueta masculina. Sou grato à ERL, a Corey Stokes e ao espólio de Barkley Hendricks por ajudarem a contar essa história por meio de três linguagens artísticas diferentes: moda, artes visuais e música”, compartilhou o músico em comunicado.