Retrospectiva histórica de NIGO estreia no Design Museum de Londres
Com uma réplica em tamanho real de seu quarto de adolescente e uma casa de chá criada sob medida.
Uma grande exposição dedicada à vida e aos arquivos de NIGO foi inaugurada no Design Museum, em Londres, reunindo centenas de objetos, uma réplica em tamanho real de seu quarto de adolescente e uma casa de chá projetada sob medida.
Batizada de “NIGO: From Japan with Love”, a mostra foi cuidadosamente montada pelos curadores do Design Museum em parceria com o próprio NIGO, que quis conduzir o público por uma viagem de suas origens até os dias de hoje.
“Sabíamos que o NIGO tinha uma coleção gigantesca de moda e roupas, mas só quando chegamos ao estúdio dele em Tóquio percebemos que era muito mais do que isso”, contou a curadora Esme Hawes à Hypebeast. “Trabalhamos muito de perto com ele, porque muitas das histórias que contamos na exposição nunca foram registradas; são narrativas orais que o próprio NIGO guarda na memória.”
Instalada na galeria do subsolo, a exposição é acessada por uma escadaria que desemboca diretamente em uma réplica em tamanho real do quarto de NIGO. Obcecado por arquivos, ele preencheu o ambiente com as peças originais que tinha na época – dos discos ao próprio mobiliário. “Ele quis começar a mostra pelo quarto da adolescência, porque grande parte de suas influências e inspirações nasceu muito cedo”, explica Hawes.
Do quarto, o visitante segue para algumas das primeiras peças vintage que ele garimpou, antes de entrar na réplica de um trecho de seu estúdio em Tóquio, onde a coleção é exibida em torres do sistema Haller da USM – “ele é um grande fã da USM”, completa Hawes.
Ali, os dois módulos superiores são dedicados à sua coleção de moda e objetos de estética Americana dos anos 1980. “Crescendo no Japão nos anos 80, ainda havia o resquício da presença militar americana, então a cultura dos Estados Unidos estava muito presente”, diz Hawes. “Os jovens japoneses adotavam isso como uma forma de rebelião aos valores tradicionais do país.”
Em seguida, vem a era da Nowhere – a loja em Harajuku que ele abriu no começo dos anos 90 com o colega de classe Jun Takahashi. De cada lado da entrada desta área, pensada para lembrar a fachada de uma loja, aparecem a placa original do espaço, além de sacolas e embalagens originais.
A exposição então se volta para as origens da BAPE, com algumas das primeiras T-shirts criadas por NIGO em destaque. “A BAPE era super DIY no início, e às vezes só existiam cinco peças de um modelo”, conta a curadora-assistente Rosa Abbott. “Em parte, isso tinha a ver com o limite do que o NIGO conseguia produzir sozinho, mas também faz com que as peças se tornem altamente desejadas quando a tiragem é tão pequena.”
“Isso meio que estabeleceu o modelo do que ele faria depois: lançamentos em edição limitada e a construção de escassez e luxo não pelos materiais ou pelo nome da marca, mas pelo acesso super restrito às peças”, completa.
Além das roupas, estão expostos também os pequenos objetos criados por NIGO para a BAPE. Vão de mapas a esponjas, latas de tinta e a icônica almofada de banana inspirada em Warhol.
Para marcar o fato de a mostra acontecer em Londres, a equipe montou uma seção sobre a inauguração da BAPE London, com direito ao néon original da Union Jack assinado pelo estúdio Wonderwall.
Ao seguir para a parte seguinte da exposição, o visitante se depara com uma obra criada por KAWS para NIGO, por ocasião da venda da BAPE. Intitulada “The Death of NIGO”, a pintura marca o encerramento da BAPE e foi inspirada nos antigos shoguns japoneses. A referência ao consumismo aparece nos detalhes que remetem a embalagens blister. “É uma peça particularmente especial e um dos objetos mais preciosos do NIGO”, diz Hawes.
Kenzo e Human Made são o foco da próxima área, com peças de ambas as labels apresentadas em diálogo. Os manequins são inspirados no músico americano Buddy Holly, figura que NIGO admira desde muito jovem.
As criações em azul elétrico feitas para Kid Cudi usar no Met Gala de 2022 aparecem no espaço seguinte, ao lado de peças de sua passagem pela Uniqlo, itens que sintetizam sua colaboração com Pharrell na Louis Vuitton e seus designs para a Lee.
Para Hawes, algumas de suas peças favoritas nesta parte são as que revelam o interesse de NIGO em apoiar novos designers. “Ele é uma figura global incrivelmente influente e poderosa, e ainda assim faz questão de impulsionar criativos mais jovens e menos conhecidos em seu trabalho”, diz ela, apontando para duas obras em especial: uma jaqueta da Cactus Plant Flea Market e uma figura de papel machê da ilustradora Keiko Sootome.
A última parte da sala é dedicada às paixões atuais de NIGO – o preparo para se tornar mestre na cerimônia do chá e a cerâmica. Em homenagem a essa fase, NOT A HOTEL, Pharrell e NIGO se uniram para criar uma casa de chá especial, toda de vidro, com telhas de cobre no teto. Lá dentro, estão expostas suas tigelas de chá em cerâmica.
Por fim, a mostra se encerra com uma pintura da coleção pessoal de NIGO – uma obra do calígrafo japonês Yūichi Inoue, com um ideograma que significa “velhice”. “Ele está entrando em uma nova fase da vida e da carreira e achou que esse seria um momento muito íntimo e especial para concluir a exposição”, acrescenta Hawes.
“NIGO: From Japan With Love” abre ao público em 1º de maio e fica em cartaz até 4 de outubro de 2026.

















