“Temos um verdadeiro conselho reunido aqui”, disse Earl Sweatshirt na noite de quarta-feira, no evento da Stone IslandPOMPEII // UTILITY de audição na loja. “Acho que é por isso que funciona tão bem. A gente revisa tudo de todos os ângulos possíveis.”
Essa foi só uma das pérolas que Earl soltou na audição intimista com painel em Nova York, no começo da semana. Sentado ao lado de seus colaboradores de POMPEII // UTILITY — MIKE e SURF GANG —, o trio, em conversa com o time da Stone Island e com o artista do álbum, Sharif Farrag, fez uma reflexão genuína sobre o processo criativo dessa obra colaborativa tão aguardada pela cena, que MIKE define como algo calcado em uma “sinergia criativa não verbalizada”.
“Acho que todo mundo trocou método nesse projeto”, aprofundou Sweatshirt. “Todo mundo sentou aqui à mesa do Ableton… Trabalhando com o MIKE e o SURF GANG nesse projeto, eu aprendi a simplificar meu processo. Aprendi a jogar bem em equipe. Aprendi a fazer isso. Aprendi a fazer beat com os caras. Eu achava que já sabia, mas não sabia fazer desse jeito. Aprendi a fazer isso com o gang.”
O projeto é dividido em dois discos; o primeiro, POMPEII – tematicamente ancorado na destruição e em suas consequências — fica totalmente nas mãos de MIKE; já a segunda parte, mais prática,UTILITY, é comandada por Earl. Com 33 faixas do começo ao fim, é a produção do SURF GANG que costura cada música à anterior e à seguinte — foi Harrison, do coletivo, quem realmente puxou o bonde para o projeto sair do papel.
Depois de se juntar a Earl em “Making the Band (Danity Kane)”, a dupla acabou migrando para POMPEII // UTILITY, sem nem perceber. “Todas as conversas naquela época eram meio anticlimáticas”, lembra Earl, sobre os primeiros passos da decisão de lançar um disco juntos. “Era, literalmente, tipo: ‘E aí, você quer soltar um projeto?’ e todo mundo respondendo: ‘Quero.’”
“A única coisa que foi diferente”, continuou ele, “é que eu não abria nenhum dos beats pra ouvir se não tivesse certeza de que ia levar aquilo adiante. Eu me importava com todos esses beats, então não queria gastar eles até ficarem sem graça.” Ele comentou ainda que “cada uma das faixas já foi a minha preferida em algum momento”.
evilgiane falou sobre o papel de Nova York na formação da sonoridade do coletivo de superprodutores SURF GANG, e como isso também se refletiu fortemente no projeto. “Cresci ouvindo todo tipo de hip hop — as coisas mais fritas, as batidas pesadonas, o som super de quebrada. Minha mãe sempre dizia pra eu manter a mente aberta”, começou. “O tempo todo surge um rapper novo e um subgênero diferente vindo de Nova York, e isso me mantém inspirado, sem ficar fazendo a mesma coisa o tempo todo.”
POMPEII // UTILITYé um exemplo perfeito da aversão do coletivo à repetição, tomando forma como um verdadeiro mosaico de influências de hip-hop, ambient e som alternativo. A partir dessa inspiração sonora sem limites, o processo criativo acabou fluindo naturalmente.
“A gente estava trampando em beats do SURF GANG ao mesmo tempo, então quisemos simplesmente manter isso rolando”, explicou Earl. “A gente fazia beat do zero até horas absurdas”, completou MIKE.
Por quê? “Porque era totalmente questão de capturar esses momentos e tirar o máximo deles”, continuou Earl. “Harrison tem uma pasta infinita de beats. Ela se chama, literalmente, ‘Good Beats’, e tem simplesmente um monte de beat bom ali. É um processo constante, mas é sobre capturar o momento. Este projeto é um retrato honesto do momento.” É por isso que a galera fala em ‘cozinhar’, eu acho. Você tem uma parada pegando fogo e, se se distrai, a consistência muda, a forma como você enxerga aquilo muda. O momento passa. E você está prestes a servir uma comida péssima.”
Se, por um lado, tudo gira em torno dessa sinergia criativa silenciosa, mas imediatamente perceptível, por outro também fala sobre a ascensão. MIKE passou boa parte do painel de quarta-feira relembrando sua trajetória, grato por ter conquistado tudo isso ainda ao lado das pessoas com quem começou. O projeto traz um time de peso de artistas da 10k e afiliados do SURF GANG nas participações, incluindo Niontay, Anysia Kym, Jadasea, Na-Kel Smith e Lerado Khalil.
“Tenho essa piada de que, quando eu tiver 45 anos, vou fazer uma residência no Cafe Erzulie”, disse MIKE ao encerrar o painel. “Era lá que a gente estava.”
Vamos ser os primeiros da fila quando os ingressos em pré-venda abrirem. Até lá, vamos maratonar POMPEII // UTILITY, já disponível em todas as plataformas de streaming.