Harry Styles quer que você beije o tempo todo e faça disco de vez em quando

O cantor lançou seu quarto álbum de estúdio, um trabalho com 12 faixas que é uma ode à vida em todas as suas fases — e um lembrete para dançarmos em cada uma delas.

Música
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Se você conhece bem as origens do astro pop, não é de se surpreender que Harry Styles tenha ascendido ao patamar de superestrela que ocupa hoje. Ele mirou na lua e acabou pousando entre as estrelas — porque a verdade sobre o músico britânico de 32 anos é que ele tem algo que nunca sai de moda: uma admiração genuína e uma paixão incandescente por experimentação musical.

Os fãs perceberam isso em seu álbum de estreia autointitulado, na forma de riffs de guitarra que remetiam às bandas de rock dos anos 60, e também em seu terceiro projeto, Harry’s House, que expandiu seu universo sonoro para influências de folk e funk. Mas, em seu quarto álbum de estúdio, vemos Styles se desvencilhar de versões antigas de si — o titã do pop que conhecemos, mas também o homem por trás da música. Ele encerrou a Love on Tour em 2023, depois de quase dois anos de estrada, prolongados pela pandemia, e se viu em um raro período de quietude. Foi nesse hiato — sem os gritos estridentes de fãs em êxtase nem o brilho escaldante dos holofotes, quando o confete enfim se rendia ao chão — que o artista começou a buscar seu verdadeiro propósito.

Claro que a música é parte essencial de quem ele é. Mas será que sua persona chamativa de palco havia suplantado os lados delicados e humanos de Styles, aqueles que costumam ficar ofuscados pelos refletores teatrais? Entre turnês quase ininterruptas desde os dezesseis anos e álbuns lançados em sequência, ele começou a se fazer uma pergunta com a qual ainda não tinha se confrontado de verdade: quem sou eu quando todo o barulho se cala?

Então ele decidiu olhar para dentro explorando o mundo fora de si. O cantor se instalou no interior de Roma, onde era visto com frequência passeando sem pressa por feiras ao ar livre ou fazendo trajetos tranquilos de Lime bike. Foi visto no Glastonbury Festival durante o verão e depois indo e vindo de Berlim, onde correu uma maratona (um novo feito para Styles) e mergulhou com frequência na cena de clubes underground. O resultado? Um álbum que parece impregnado da riqueza da vida, tingido pelas cores da alegria, da tristeza, do desejo — mas, acima de tudo, um álbum cru, depurado de acenos derivativos. Naturalmente, alguns sinos familiares tocam quando se ouve Kiss All The Time. Disco, Occasionally. Momentos sonoros que remetem a The 1975, The Strokes e LCD Soundsystem são evidentes — mas, graças à produção ousada em que Styles apostou neste disco, cada faixa ainda soa inconfundivelmente sua. Naturalmente, toda música é moldada pelo que veio antes, mas parece que as maiores inspirações do artista para o projeto foram seus próprios momentos marcantes e seu recém-descoberto senso de descoberta.

O álbum começa em ascensão — uma construção eletrizante que prepara o ouvinte para uma jornada sensorial. “Aperture” foi o single de estreia do projeto, uma faixa de dance-pop movida a sintetizadores que faz a cabeça balançar logo de cara. Já na primeira audição fica claro que o disco seria recheado de sutis acenos às noites passadas em clubes esfumaçados de Berlim — um desvio das baladas suaves e do bedroom pop dos trabalhos anteriores do músico. Ainda assim, algumas baladas resistem. O aclamado DJ e produtor Fred Again tocou uma faixa inédita de Styles durante seu show USB002 em Londres, em 26 de fevereiro. Mais tarde, os fãs perceberam que era a faixa 8 de KATTDO, “Coming Up Roses”. A canção começa com um turbilhão de cordas antes de dar lugar a delicados acordes de piano. Styles contou a Zane Lowe, em entrevista à Apple Music, que a escreveu em dezembro e, inicialmente, a imaginava como uma música de Natal. Quando começou a compor, porém, a faixa tomou forma como uma reflexão sobre relações fugazes e o valor que elas ainda podem carregar, mesmo que dolorosamente breves. É uma das mais emocionais e meticulosas do álbum, embora, no melhor estilo Styles, ainda seja apresentada de maneira quase enganosa em um pacote lindo, com um laço grandioso no topo. Quanto ao aval de Fred Again, fãs levantaram algumas hipóteses — dizia-se que Styles estava no show de Londres, então talvez tenha sido um truque para promover o novo álbum. Ou, quem sabe, isso signifique que o futuro trará faixas remixadas com alguns de seus DJs preferidos da cena. O tempo dirá.

Outras faixas de destaque incluem “American Girls”, um amuse-bouche delicioso e fácil de assimilar para quem está chegando agora ao som de Styles, mas que também transporta muitos fãs de longa data de volta aos tempos de One Direction. Além disso, “Ready, Steady, Go”, uma base de baixo pulsante perfeita para liberar as inibições na pista, e “Dance No More”, um hino ainda mais grooveado que, segundo Styles, foi inspirado na euforia de ser jovem e livre dentro de uma boate. Ele nunca prometeu disco o tempo todo. Disse, literalmente, que seria disco ocasionalmente. Então, claro, nem toda faixa é um canto de sereia chamando para a dança. Músicas mais gentis e suaves, como “Carla’s Song” — escrita para uma amiga do cantor — e “Paint By Numbers” traduzem a introspecção pungente que Styles já vinha exibindo com maestria em projetos anteriores — e que lapida neste.

“Paint By Numbers” começa com o verso: “Oh, que presente é ser notado”. Styles não apenas foi notado — desde os primeiros dias de banda, ele conquistou e mantém a atenção das massas com seu lirismo cru, sua experimentação sonora e, acima de tudo, sua alegria de viver em todas as fases e nuances — as boas, as ruins, esteja ele no palco ou sentado em um charmoso parque em Londres, esperando para virar a próxima página do livro.

1. Aperture
2. American Girls
3. Ready, Steady, Go!
4. Are You Listening Yet?
5. Taste Back
6. The Waiting Game
7. Season 2 Weight Loss
8. Coming Up Roses
9. Pop
10. Dance No More
11. Paint By Numbers
12. Carla’s Song

Ouça Kiss All The Time, Disco Occasionally, já disponível em todas as plataformas.

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