Resumo
- Nicolas Di Felice apresentou, na Paris Fashion Week, a coleção FW26 da Courrèges, “24 Hours in the Life of a Courrèges Woman”.
- Os códigos de arquivo foram revisitados, com destaques para o grand finale em branco, o vestido tubular preto de geometria tubular e a nova bolsa Shadow.
Na Paris Fashion Week, Nicolas Di Felice apresentou a coleção Fall/Winter 2026 da Courrèges, intitulada “24 Hours in the Life of a Courrèges Woman”. O desfile se desenrolou como uma sequência cinematográfica que acompanha os passeios diários de uma parisiense por uma paisagem urbana surrealista criada em colaboração com o cenógrafo Rémy Brière. Marcando o quinto aniversário de Di Felice à frente da maison, a coleção equilibra a intimidade dos têxteis com a intensidade da realidade urbana, pontuada por uma paisagem sonora tecida a partir de ruídos da cidade de Paris captados in loco, misturados a uma trilha co‑composta com Erwan Sene.
O clima se transforma do amanhecer à noite, começando em cetins luminosos e tecidos híbridos que privilegiam leveza e movimento: “Com um único gesto, o lençol a envolve, formando um vestido para o intervalo”. Os looks diurnos retomam os códigos de arquivo da Courrèges – múltiplos botões de pressão, recortes trapezoidais, zíperes injetados e conjuntos em vinil –, enquanto a cidade aparece em detalhes como bilhetes de metrô bordados em organza e jeans em trama caviar tratado com efeito de piche. Esses materiais e acabamentos criam uma tensão entre o minimalismo de arquivo e a aspereza tátil da metrópole.
As peças de noite traduzem os motivos urbanos da coleção em tratamentos mais elaborados: senhas de chapelaria recobertas e bordadas, aplicações de miçangas de vidro e alfaiataria escultural que captura a luz suave e o néon fragmentado. Um dos destaques da madrugada é um vestido tubular preto de estrutura geométrica, imagem final que condensa o vocabulário minimalista da maison em uma silhueta dramática e arquitetônica.
A temporada também marca a estreia da nova bolsa “Shadow”, um modelo minimalista apresentado em várias cores e confeccionado em materiais flexíveis – jersey, couro sintético e trama caviar – que permitem que o conteúdo deixe uma marca temporária. O grand finale foi um tributo dramático ao legado da marca, em que cada look da coleção foi inteiramente refeito em branco – o código Courrèges por excelência, concebido como uma “tela em branco” para a luz.



