A Street League Skateboarding sai oficialmente da cabine dos juízes para trazer uma conversa intimista entre dois dos maiores nomes do esporte: Rayssa Leal e Chloe Covell.
Na arena de alto risco do street profissional, poucos nomes têm tanto peso cultural quanto Rayssa Leal e Chloe Covell. Vinda do Brasil, Leal — carinhosamente conhecida como “Fadinha” — quebrou a internet aos sete anos com um heelflip viral usando uma fantasia de fada. Hoje, ela confirma todo o hype inicial com uma sequência de feitos históricos: medalhas olímpicas em Tóquio e Paris, múltiplos ouros nos X Games e o primeiro “9” perfeito para uma mulher na história da SLS. Sua influência transbordou para a moda de luxo, coroada pela sua nomeação, em 2025, como embaixadora da Louis Vuitton.
Fazendo jus a essa energia inegável está a australiana Chloe Covell. Um prodígio técnico, creditada por trazer o switch skating para o centro das competições femininas, Covell gravou seu nome na história como a mais jovem campeã de street nos X Games, com apenas 13 anos. Embora a mídia muitas vezes enquadre seus frequentes duelos no pódio — incluindo a grande vitória de Covell em casa, em Sydney — como uma rivalidade acirrada, a realidade é profundamente marcada pelo respeito mútuo. Descrevendo essa conexão como de família, Covell cita Leal com frequência como uma inspiração central. Para capturar essa dinâmica, a SLS colocou o microfone diretamente nas mãos das adolescentes, deixando de lado os rótulos de competidoras para uma conversa sem filtros entre as melhores do mundo.
Rayssa Leal: O que te inspirou a entrar nesse mundo do skate?
Chloe Covell: Eu tinha seis anos, estava em casa assistindo aos X Games na TV. Era 2016, eu vi o Nyjah andando e só pensei que queria começar também.
Rayssa Leal: Quão importante é estar com a sua família nas competições e nas viagens?
Chloe Covell:É muito bom. Eu gosto de ter meu pai como técnico porque assim posso viajar com a família. Às vezes, minha família inteira vai nas viagens, e é ótimo porque a gente consegue fazer coisas de família fora do skate, tipo turistar.
Rayssa Leal: Sydney 2023. Você ganhou. Conta pra gente como você se sentiu.
Chloe Covell:Foi insano. Acho que foi minha segunda vitória solo. Eu fiquei muito feliz de conseguir ganhar na frente da galera de casa. A energia em casa é diferente: não ter um voo longo e simplesmente estar em casa.
Rayssa Leal: Quem é seu skatista favorito no mundo inteiro?
Chloe Covell:Muda bastante. No masculino, eu acho que o Yuto Horigome é o GOAT. E no feminino — Rayssa! Você está elevando demais o nível do skate feminino.
Rayssa Leal: Qual é o seu país favorito para viajar?
Chloe Covell:Em primeiro lugar é o Brasil, com certeza. Principalmente o Rio, porque tem praia e o campeonato lá tem uma energia muito boa.
Rayssa Leal: Qual é o seu pico de skate favorito no mundo?
Chloe Covell:Em Melbourne, na Austrália, tem uma biblioteca com vários caixotes baixos de mármore muito bons. É muito divertido lá.
Rayssa Leal: Como é um dia típico pra você?
Chloe Covell:Eu terminei a escola recentemente, então agora eu basicamente só ando de skate. Gosto de pegar um surf todo dia de manhã, ir pra academia e fazer recovery ou físio.
Rayssa Leal: Quais são os seus tênis Nike favoritos pra andar de skate?
Chloe Covell:Meus tênis favoritos são os GTis, com certeza. Eu gosto de Dunks também, mas às vezes eles são meio grandões. Eu curto um tênis mais slim.
Rayssa Leal:Eu gosto muito de Jordans, mas nunca andei de skate com eles. Tentei andar com um par uma vez, quando esqueci meus tênis, mas eles eram muito escorregadios e grandões.
Rayssa Leal: O que você gosta de ouvir quando está andando de skate?
Chloe Covell:Na real, eu não uso AirPods porque tenho medo que atrapalhe minha cabeça; eu gosto de ouvir o “pop” do shape. Mas eu sempre peço pra colocarem Sexyy Red nas caixas de som.
Rayssa Leal: É a minha favorita! Da última vez tocaram pra mim no Japão e eu fiquei muito feliz.
Rayssa Leal: Como foi a sua primeira Olimpíada?
Chloe Covell:Foi louco. Eu não fiquei na Vila porque sou menor de 18 — fiquei em um hotel, o que foi meio triste. Mas eu conseguia ir lá durante o dia para o café da manhã e vi muita gente famosa, tipo os tenistas.
Rayssa Leal: Comigo foi igual.
Chloe Covell:O nível do skate estava bom e a pista era divertida, mas eu não consegui encaixar tudo. Foi uma boa experiência e eu só preciso aprender pra próxima.
Rayssa Leal: Qual foi a sua pior lesão?
Chloe Covell:Ano passado, na Super Crown, eu quebrei o pulso. Ou em Paris, eu levei pontos no joelho no dia antes da final — essa foi ruim, porque ficava difícil de mexer.
Rayssa Leal:Eu nunca quebrei nada, mas sempre rolam umas “lasquinhas” o tempo todo.
Rayssa Leal: Se você não fosse skatista, o que você faria?
Chloe Covell:Acho que eu seria ou jogadora de futebol ou surfista.
Rayssa Leal: Eu gosto muito de animais… Eu ia querer ser médica veterinária.
Moderador: Como é pra vocês serem amigas e depois competirem uma contra a outra?
Chloe Covell:A gente continua amiga o tempo todo. O público pode até ver a gente como rivais, mas não é assim.
Rayssa Leal:Eu me sinto motivada a dar o meu melhor porque vejo ela dando o melhor dela.
Chloe Covell:Todas as meninas se alimentam da energia uma da outra.