NSQK sobre 'MOSCA', Kafka e o Lado Sombrio da Busca pela Grandeza

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NSQK MOSCA album interview mexico artist
NSQK

NSQK via sua carreira atingir novos patamares quando uma misteriosa infestação de moscas transformou seu apartamento em um verdadeiro cenário de filme de terror.

Enquanto seu álbum ATP ganhava força e palcos maiores surgiam no horizonte, o artista mexicano se viu matando até 20 moscas por dia em sua casa em Monterrey. O que começou como um inconveniente bizarro logo se transformou na base inusitada para seu terceiro álbum de estúdio, MOSCA.

Na época, NSQK estava lendo A Metamorfose, de Franz Kafka, uma história que passou a parecer estranhamente conectada à sua própria vida. Entre a infestação inexplicável, uma limpeza espiritual e as crescentes pressões da indústria musical latina, ele passou a questionar como o sucesso parecia transformá-lo. As moscas viraram um símbolo de tudo o que acompanha a busca pela grandeza: inveja, ego, críticas, competição e a fome constante por mais.

Essa tensão permeia todo o MOSCA. Ao trazer influências do rock para sua já característica mistura de música eletrônica, pop e hip-hop, NSQK leva seu som a novos territórios em 17 faixas de peso. Colaborações com Julieta Venegas, Jean Dawson, Eslabón Armado, Kevin Kaarl e Riosse também marcam uma virada de chave em seu processo criativo, abrindo as portas para mais vozes e perspectivas.

Batemos um papo com NSQK para discutir os eventos peculiares que inspiraram MOSCA, a evolução artística por trás de seu disco mais ambicioso até o momento e seus planos para apresentar uma experiência ao vivo completamente nova no Estadio GNP Seguros, na Cidade do México, em janeiro de 2027.

NSQK álbum MOSCA entrevista artista méxico

Nsqk

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O que inspirou o título do seu novo álbum, MOSCA?

“Em 2024, me mudei para um apartamento pequeno em Monterrey com minha namorada, que hoje é minha esposa. Estávamos no meio do lançamento de ATP, já tínhamos anunciado o show no WTC Pepsi Center, na Cidade do México, e muitas coisas empolgantes estavam rolando com o projeto. Tudo estava de fato decolando quando, de repente, essas moscas verdes, grandes, nojentas e agressivas começaram a invadir meu apartamento.”

Como A Metamorfose, de Franz Kafka, influenciou o conceito por trás do álbum?

“Por acaso, nessa mesma época eu estava lendo A Metamorfose, de Kafka, que conta a história de um homem que acorda transformado em um inseto gigante. Comecei a traçar paralelos entre esse enredo e o que estava acontecendo na minha carreira. O projeto crescia sem parar, mas também nos deparávamos com novos sentimentos e vivências na indústria musical com as quais nunca tínhamos lidado.”

Como MOSCA explora o lado mais sombrio do sucesso e a pressão para continuar crescendo?

“As críticas, as comparações, a inveja e o medo do fracasso começaram a se insinuar. Passei a conectar tudo isso à ideia de uma metamorfose, uma transformação grotesca em algo irreconhecível. É isso que a busca pela grandeza faz com você. A gente quer sempre mais: mais ouvintes, números maiores, mais ingressos vendidos, mais relevância, música melhor. Essa busca te transforma, quer você queira ou não.”

O que aconteceu durante sua limpeza espiritual que acabou ajudando a moldar o conceito do álbum?

“Meu empresário me mandou fazer uma limpeza energética. Cheguei lá sem dar ao xamã nenhum contexto sobre o momento da minha vida ou sequer mencionar as moscas. Quando terminamos, ele me disse que alguém havia jogado uma praga muito forte em mim, movida por pura inveja, e que isso costuma se manifestar por meio de infestações. Fiquei arrepiado. Depois desse dia, nunca mais apareceram moscas no meu apartamento.”

Como sua abordagem para criar música evoluiu antes e depois de MOSCA?

“O que importa para mim hoje é criar uma música incrível, linda e que vai durar. Acho que essa é uma das principais razões pelas quais posso dizer que evoluí musicalmente. Trata-se de não me contentar com a primeira versão das coisas, de explorar todas as possibilidades e trazer mais pessoas para o processo, levando as ideias a um outro patamar.”

Você anunciou recentemente seu primeiro show no famoso Estadio GNP Seguros, na Cidade do México. O que os fãs podem esperar dessa apresentação histórica?

“É uma bênção me apresentar no Estadio GNP Seguros, não só pela magnitude do local e pela honra de pisar em um palco como esse, mas porque é a chance de dar vida às nossas ideias mais ousadas. Temos uma oportunidade incrível de apostar todas as fichas e, sempre que minha equipe e eu temos a chance, aproveitamos ao máximo.”

O que você espera que os ouvintes absorvam de MOSCA?

“Quero que as pessoas sintam o que tiverem vontade e interpretem a música à sua maneira. Espero que criem memórias lindas com ela, em casa, com os amigos e nos shows. Quero que MOSCA se torne parte da vida de quem ouve.”

Andrea Sacal Editor

Andrea Sacal is a fashion journalist and social media curator who entered the industry in 2021, serving as an editor across Hypebeast's LATAM and UK platforms for over four years. She oversees Latin American socials and aims to highlight emerging and established brands, artists, and creatives contributing to the region. Andrea also focuses on Fashion Month and frequently covers Paris Fashion Week for Hypebeast's global channels.

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