O artista contemporâneo japonês TIDE acaba de estrear oficialmente EDIT, sua primeira exposição solo em Hong Kong, levando pela primeira vez à cidade seu mundo monocromático característico. Dividida entre dois polos criativos — uma mostra principal na WKM Gallery e uma ocupação exclusiva da BELOWGROUND —, a exposição marca um novo capítulo para um artista cujo personagem de gato de olhos arredondados se tornou um ícone reconhecível da vida doméstica e do encanto da infância.
EDIT marca uma mudança na prática de TIDE, em direção a um processo mais cuidadoso, pautado pela paciência e pela revisão. Ao revisitar telas por longos períodos, apagando e redesenhando, o artista constrói uma “história oculta” em cada obra, acrescentando uma camada de profundidade atmosférica ao seu trabalho.
A Hypebeast conversou com TIDE e William Kayne Mukai, proprietário e diretor da WKM Gallery na BELOWGROUND, para falar sobre a lógica por trás do título da exposição, a relação em transformação com seu icônico personagem de gato e o que EDIT significa para ele.
Hypebeast: Esta é a sua primeira vez em Hong Kong. O que fez você escolher a cidade para sua estreia em uma mostra solo?
TIDE: Na verdade, era para termos trabalhado juntos na WKM Gallery há dois anos, mas acabou sendo adiado por vários motivos. Finalmente, estamos aqui.
William Kayne Mukai (WKM): Queríamos ganhar força em Hong Kong e criar sinergia. Todos nós viramos amigos de forma muito natural depois da última visita de TIDE e simplesmente decidimos: “Vamos fazer isso juntos”.
O título da exposição é EDIT. Esse título reflete uma nova abordagem criativa ou uma mudança no seu processo?
TIDE: [Escreve a palavra “TIDE” em letras maiúsculas em uma folha de papel e, logo abaixo, escreve “EDIT”] É “TIDE” escrito ao contrário — esse foi o motivo principal. Mas também remete ao processo. Normalmente faço desenhos de base e depois pinto por cima como planejei, mas, desta vez, voltei às telas e re-editei, tirando e acrescentando elementos. Queria criar obras mais puras, removendo o que era desnecessário e preservando a base.
É mais difícil saber o que acrescentar ou o que retirar de uma tela?
TIDE: Retirar elementos é, sem dúvida, a parte mais difícil. Gosto de deixar tudo muito organizado e limpo para criar uma sensação de calma em quem vê.
“Normalmente faço desenhos de base e pinto por cima como planejei, mas, desta vez, eu voltei e re-editei, tirando e acrescentando elementos.”
Notei uma camada de vermelho surgindo em algumas das telas. O que fez você escolher essa cor em específico?
TIDE: Toda tela começa com uma camada de tinta de base e, desta vez, optei pelo vermelho. Ele dá uma nuance diferente ao preto; o tom vermelho intenso ajuda a criar uma luminosidade dentro do preto que acaba transparecendo.
Por que você escolheu deixar as tulipas em vermelho, os únicos momentos de cor em toda a mostra?
TIDE: [ri] Porque são tulipas, só isso. Inicialmente pensei em pintá-las de branco, mas percebi que não queria acrescentar um elemento — queria tirar. Então acabei com a tulipa vermelha, que é justamente a camada de base.
Você está exibindo uma tela de dois metros na BELOWGROUND. Ao trabalhar em uma escala tão grande, a sua relação com o personagem do gato muda?
TIDE: Muda, sim. O processo de edição foi imenso nessa obra. O esboço inicial estava cerca de 80% pronto, com uma composição mais inclinada, mais angulosa, mas decidi refazer. Removi muitos elementos e transformei outros. Meu ateliê é bem pequeno, então eu trabalhava com praticamente um braço de distância entre mim e a tela. É a primeira vez que consigo ver o quadro inteiro em um espaço tão amplo, e é uma sensação incrível.
“…O tom vermelho intenso ajuda a criar uma luminosidade dentro do preto que acaba transparecendo.”
Como a sua relação com o gato evoluiu ao longo dos anos? E que papel ele desempenha nesta exposição?
TIDE: O gato muitas vezes representa o meu próprio gato, a minha filha ou membros da minha família. À medida que todos em casa vão envelhecendo, a minha relação com o personagem também muda. Nesta mostra, deixei quase todo o corpo invisível para que as pessoas se concentrem no rosto e na expressão.
Você poderia destacar duas obras da exposição pelas quais tenha um carinho especial?
TIDE: A tela grande é uma delas, simplesmente pelo tempo investido — apagar e repensar a composição levou mais de dois meses. A segunda é uma obra na WKM com um crânio de gato. Eu a desenhei quando meu gato estava muito doente; é um memento mori. Ela nos lembra de valorizar o tempo que temos juntos.
Para o público de Hong Kong que está tendo contato com o seu trabalho pela primeira vez, que três palavras você usaria para descrever a essência da sua arte?
TIDE: [Rabisca três kanji: 塵, 光, 黒] Poeira, luz, preto.
Se os visitantes pudessem levar apenas uma emoção com eles ao sair da exposição, qual você gostaria que fosse?
TIDE: Uma sensação de calma.
A apresentação na BELOWGROUND funciona como um preview exclusivo, em cartaz de 15 a 31 de janeiro de 2026. Ela traz uma ambiciosa tela de dois metros ao lado de uma série de novas pinturas e lançamentos especiais criados especificamente para a exposição, incluindo gravuras em edição limitada e uma escultura em bronze, disponível para compra somente neste endereço a partir de 15 de janeiro.
Os fãs também encontram chaveiros CAT em edição limitada na cor vermelha, disponíveis apenas na Hypebeans. Já a exposição principal na WKM Gallery acontece de 17 de janeiro a 7 de março de 2026, revelando uma série de pinturas monocromáticas que exploram a percepção em transformação do tempo e dos laços familiares.
BELOWGROUND
Basement, Landmark
15 Queen’s Road Central
Central, Hong Kong
Hypebeans
Shop B19A, B1/F, Landmark Atrium
15 Queen’s Road Central
Central, Hong Kong
WKM Gallery
20/F, Coda Designer Centre
62 Wong Chuk Hang Road
Wong Chuk Hang, Hong Kong



