Resumo
- A partir de 7 de agosto, os EUA impõem tarifa de 39% sobre importações suíças
- Fabricantes suíços de relógios podem encarar fortes aumentos de preços ou absorver os custos, impulsionando a demanda por modelos seminovos
- Parte da reestruturação escalonada de Trump: 10% de tarifa básica, 15% para países com acordo; tarifa do Canadá sobe para 35%
A Casa Branca acaba de publicar uma ordem executiva que impõe uma tarifa ad valorem de 39% sobre todas as importações originárias da Suíça, configurando um dos tributos mais pesados do regime de tarifas de reciprocidade do presidente Trump. A medida entrou em vigor assim que expirou o prazo final para um acordo comercial bilateral com o país, e o governo citou um déficit de US$ 38 bilhões na balança de bens com os EUA como justificativa. A alíquota de 39% supera, e muito, os 15% concedidos a parceiros como a União Europeia, o Japão e a Coreia do Sul, que haviam fechado entendimentos preliminares antes do prazo final de agosto.
A tradicional indústria relojoeira suíça, responsável por mais de US$ 6 bilhões em exportações para os EUA no ano passado, enfrenta agora um ponto crítico. Grandes maisons como a Rolex precisam decidir entre absorver o custo extra ou repassá-lo diretamente ao consumidor americano — decisão que já encareceu alguns preços de vitrine em até 15%. Ateliês independentes que vinham conquistando espaço no país sentirão ainda mais o aperto, o que pode empurrar colecionadores para plataformas de peças seminovas e drops no mercado secundário, a fim de driblar a nova sobretaxa.
Com vigência a partir de 7 de agosto de 2025, essa nova escalada aprofunda a ampla revisão tarifária iniciada por Trump em abril, quando anunciou uma tarifa global básica de 10% e ameaçou aplicar 31% sobre a Suíça caso as negociações fracassassem. No fim de julho, o governo formalizou uma estrutura escalonada: piso de 10% para todas as importações, 15% para parceiros com acordos firmados e sobretaxas maiores para países com grandes déficits frente aos EUA. Dentro desse modelo, o Canadá viu sua tarifa subir de 25% para 35% em uma ordem separada relacionada a falhas de cooperação no combate às drogas, enquanto nações que vão da Índia (25%) à Síria (41%) agora enfrentam barreiras mais altas em dezenas de relações comerciais.