‘Estado de agitação’: 1.000 funcionários da Gucci ameaçam greve
Marca entra para a lista de escândalos trabalhistas que estão sacudindo o setor de luxo.
Resumo
- Cerca de 1.000 funcionários sindicalizados da Gucci ameaçam entrar em greve devido ao não pagamento dos benefícios de bem-estar prometidos pela controladora Kering para o triênio 2022-2024.
- Essa disputa trabalhista coloca a Gucci em uma posição delicada sob sua nova liderança e soma-se à série de escândalos trabalhistas que vêm atingindo outras grifes de luxo, como Armani, Loro Piana, Dior e Valentino.
Enquanto o segmento de luxo lida com a retração econômica que derrubou as vendas, uma onda de denúncias trabalhistas varreu o setor, alcançando o Armani Group e as marcas da LVMH Loro Piana, Dior e Valentino. Agora, a Gucci também entra nesse radar, já que mil funcionários ameaçam cruzar os braços.
Ontem, ao declarar oficialmente um “estado de agitação”, os funcionários sindicalizados da Gucci Italia iniciaram uma mobilização que pode, em última instância, resultar em greve, de acordo com Reuters. “Não queremos, nem iremos, cair na armadilha de uma corrida para o fundo do poço, que retira proteções de um lado e as transfere para outro”, afirmaram os sindicatos em comunicado.
“Consideramos a postura da empresa extremamente grave e, por isso, decretamos estado de agitação em nível nacional, com possíveis paralisações a serem comunicadas localmente, se necessário”, acrescentaram.
Os sindicatos Filcams Cgil, Fisascat Cisl e Uiltucs representam os funcionários de varejo e logística da Gucci que afirmam não ter recebido os benefícios de bem-estar prometidos pela controladora, a Kering, para o triênio 2022-2024. O comunicado cita garantias específicas sobre os benefícios incluídos no pacote assinado em julho de 2022.
Os trabalhadores rejeitaram a proposta da Gucci de atrelar o pagamento ao processo mais amplo de revisão de incentivos do período, alegando que a empresa “não fez nada além de desperdiçar tempo precioso, debochando dos funcionários que se dedicam todos os dias nas lojas e que aguardavam — e continuam aguardando — seus benefícios de bem-estar”.
Com o novo CEO Luca de Meo e o novo diretor criativo Demna, a marca atravessa um momento decisivo, tanto criativo quanto operacional. A Gucci, da Kering, já sentiu o baque da desaceleração econômica, vendo as vendas despencarem 25% no segundo trimestre. A eclosão de um grande escândalo trabalhista, claro, só complica o cenário.
Ainda assim, como já mencionado, a Gucci não é a única na berlinda. Na segunda-feira, a Armani foi multada em cerca de US$ 4 milhões por reguladores italianos, que colocaram a empresa sob administração judicial no ano passado por empregar trabalhadores em condições inseguras e ilegais.
Em julho, a Loro Piana, da LVMH, foi a mais recente grife de luxo a ser colocada sob administração judicial por motivos semelhantes, após a brutal agressão a um operário de confecção em Milão. Foi a terceira marca do grupo a sofrer a intervenção nos últimos dois anos; Dior e Valentino tiveram as restrições levantadas depois de adotar medidas corretivas.
Até o fechamento desta matéria, a Gucci não havia se manifestado sobre o assunto. Fique de olho na Hypebeast para mais novidades da indústria da moda.



















