O talento em design de Berlim é vasto, e o público que a capital alemã atrai para sua Semana de Moda semestral é apaixonado como poucos. Em fevereiro e junho, editores, jornalistas, stylists, compradores, influenciadores e celebridades internacionais desembarcam na cidade para conferir os manifestos grandiosos de seus principais estilistas — e, a cada edição, os resultados superam os anteriores.
De GmbH e David Koma a Ottolinger e HADERLUMP, todos afiaram as agulhas na edição mais recente da Berlin Fashion Week, encerrada no fim da semana passada. Suas propostas de estilo não poderiam ser mais distintas entre si, mas compartilham um ponto em comum: uma perspectiva contundente.
Confira, a seguir, os melhores desfiles do evento.
David Koma
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David Koma
David Koma
David Koma
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David Koma
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David Koma
David Koma
David Koma
Sol apareceu, dedos de fora — ao que tudo indica, essa é a nova regra das passarelas masculinas da primavera 2026.Durante a Berlin Fashion Week, David Koma tornou-se o mais recente estilista a liberar os dedos na sua primeira passarela masculina. Nos 33 looks apresentados, os “dogs” circularam soltos em sandálias tipo flip-flop sob trajes formais inspirados por uma tríade de Davids: David Beckham, o David de Michelangelo e o próprio Koma.Batizada de “I LOVE DAVID”, a coleção se inspira tanto no estilo da virada do milênio de Beckham (com referência à célebre camiseta “I KISS FOOTBALL”) quanto na arte magistral de Michelangelo (perceptível nos drapeados de alfaiataria) e no DNA de Koma (ligas de cristal, alfaiataria clássica).Mesmo com o moodboard lotado de ícones culturais e históricos, a linha pareceu extremamente usável, em parte graças à familiaridade das flip-flops. Talvez porque o próprio Koma se enxergue como o homem que compra e veste essas peças.“Foi a minha coleção mais pessoal até hoje, em parte porque assumi vários papéis: musa, designer e consumidor”, contou Koma no backstage.GmbH
Finnegan Koichi Godenschweger
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Na terceira noite da Berlin Fashion Week, o desfile primavera 2026 da GmbH foi uma “Imitation of Life” poética, emocional e crua.O mais recente manifesto dos designers Benjamin Huseby e Serhat Işık era um comentário sobre o estado atual do mundo. “A crueldade deste planeta cortou nossa ligação com ele”, escreveram nas notas do desfile. “Já não sabemos como agir ou sentir.”Ainda assim, a coleção não nasceu dessa crueldade ou destruição. Ela aborda “o processo de trabalhar e viver em um tempo marcado pelas formas mais abjetas de horror e colapso moral, tentando chegar ao outro lado ainda humanos”.Para isso, os designers recorreram às próprias infâncias, reassistiram às fitas caseiras da família e revisitaram antigos ritos de passagem, criando uma linha que soa esperançosa para o futuro. Ainda assim, debateram uma pergunta inquietante: “Como revisitar a infância sem se sentir devastado?”Richert Beil
Richert Beil
Richert Beil
Richert Beil
Richert Beil
Richert Beil
Richert Beil
Richert Beil
Richert Beil
Richert Beil
Richert Beil
Richert Beil
Richert Beil
Richert Beil
Richert Beil
O desfile primavera 2026 da Richert Beil marcou um retorno à intenção.Batizada “Milieuschutz”, a coleção nasceu enquanto os fundadores Jale Richert e Michele Beil deixavam o antigo escritório para ocupar um novo estúdio: uma farmácia de 135 anos no coração de Kreuzberg, hoje efervescente polo artístico.Nesta temporada, então, a Richert Beil quis refletir sobre “começos e finais, transformação e a responsabilidade de criar algo com significado”, segundo os designers.O resultado foi ao mesmo tempo íntimo e disciplinado, estranho e fetichista. Motivos florais surgiram — como tapeçaria em blazers oversized ou centro de atenção em golas altas de tricô — como metáfora do ciclo de crescimento e decadência. Já formatos tradicionais ganharam releituras modernas, como lederhosen em látex e suspensórios arrematados por gravatinhas irreverentes.SF1OG
James Cochrane
James Cochrane
James Cochrane
James Cochrane
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James Cochrane
Em pleno canteiro de obras nos arredores do Kurfürstendamm, o desfile primavera 2026 da SF1OG caminhou na corda bamba entre desejo obsessivo e decadência emocional. A diretora criativa Rosa Dahl estilizou as consequências de um amor avassalador pelo olhar de um sonho adolescente.As musas da marca avançaram por uma floresta suspensa de pilares de tecido estampado, ainda mais claustrofóbica diante da trilha sonora eletrizante de Gavriel August e da atmosfera de obra em andamento.As criações ansiavam por liberdade juvenil, estranhamento e caos: capas de paetês evasê combinadas a calças de cintura baixa, enquanto tops transparentes de manga longa acompanhavam calças-saia amplas e meia-calça. A paixão da SF1OG pelo artesanato antigo — rendas, corseteria, desgastes — impressionou em têxteis de época, como lãs, couros e sedas vintage.O objetivo de Dahl era oferecer ao público um espelho de “nossas eras voláteis e incertas” — todas as fases conflitantes da adolescência em diante que nos moldam. E, se as flechas ilusórias apontadas às modelos não bastassem como prova, a SF1OG acertou em cheio.Ottolinger
Finnegan Koichi Godenschweger
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As estilistas da Ottolinger, Christa Bösch e Cosima Gadient, apresentaram o primeiro desfile da marca em Berlim para celebrar dez anos de história. No Palais am Funktrum, a passarela batizada “Heidi” trouxe looks potentes, carregados de energia feminina — parte de uma narrativa sobre ser a irmã mais velha.“Ser a irmã mais velha descolada não significa ser perfeita”, diziam as notas do desfile. “É ter vivido-amado demais, caído mais ainda, se reerguido e feito tudo isso de um jeito que faz você acreditar que também pode. Ela quebrou as regras primeiro — para que você não tivesse medo de quebrá-las.”Como era de se esperar, o resultado foi destemido.HADERLUMP
Boris Marberg
Boris Marberg
Boris Marberg
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Boris Marberg
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Boris Marberg
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Boris Marberg
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Boris Marberg
Boris Marberg
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A coleção primavera 2026 da Haderlump Atelier tratou de autoria e pertencimento — daí as pilhas de palavras impressas e assinadas que serviram de cenário para o mais novo manifesto de Johann Ehrhardt.Intitulada “Exlibro”, do latim “dos livros”, a linha faz referência aos ex-libris, plaquinhas de identificação que viviam dentro dos volumes. Esses pequenos trabalhos, segundo a marca, eram lemas, brasões e figuras mitológicas, “cada um uma declaração silenciosa e deliberada: Isto é meu. Isto sou eu.”A HADERLUMP abraçou o conceito, vestindo suas musas eruditas com silhuetas esculturais e expressivas inspiradas nesses ex-libris históricos. Casacos de ombros marcados e bombers precisos impuseram domínio, enquanto saias em camadas deslizavam da cintura como páginas de um livro.A intenção era que cada peça parecesse um artefato pessoal — e é seguro dizer que muitas dessas criações cabem em uma futura retrospectiva.PALMWINE IceCREAM
Boris Marberg
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Boris Marberg
Boris Marberg
Boris Marberg
Boris Marberg
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A coleção primavera 2026 da PALMWINE IceCREAM, “MUSE”, foi uma explosão magistral de cor.Conectando suas duas cidades — Londres e Accra —, o fundador e designer Kusi Kubi inspirou-se nas mulheres poderosas de sua vida e nas contribuições delas para sua criatividade e comunidade. Em uma celebração caleidoscópica da feminilidade, couros tingidos naturalmente, organza, mesh e deadstock levaram a linha sem gênero ao limite.O couro do norte de Gana, em especial, assumiu o protagonismo, tingido com casca de árvore por métodos ancestrais e secagem ao sol. Em outro ponto, botas com estampa de girafa foram pintadas à mão, e bolsas de impacto surgiram feitas com cuias de cabaça ornamentadas.[-----] [-----] [-----] [-----] [-----] [-----] [-----]
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PALMWINE IceCREAM’s Spring 2026 collection, “MUSE,” was a masterful presentation of bursting color.
Bridging his two hometowns of London and Accra, founder and designer Kusi Kubi was inspired by all of the empowered women in his life and their contributions to his creativity and community. In a kaleidoscopic celebration of femininity, the line’s naturally dyed leathers, organza, mesh, and deadstock textiles turned up the genderless line’s exposure to the max.
Northern Ghanaian leather, specifically, claimed the leading role with coloring done by generational tree bark and sun-dying methods. Elsewhere, giraffe-printed boots were hand-painted, and striking bags were constructed with embellished calabash shells.