Resumo
- A coleção SS26 da J.L-A.L reimagina o vestuário como estruturas espaciais, elevando os códigos tradicionais da marca a uma estética mais discreta e calibrada.
- A colaboração com a PUMA e as cadeiras da NICEWORKSHOP ampliam esse conceito, desafiando a dinâmica tradicional das passarelas.
A coleção Spring/Summer 2026 da _J.L-A.L_, batizada de “Mille Chaises” (Mil Cadeiras), reinventa a cadeira não como objeto estático, e sim como arcabouço conceitual — “uma ética, um sistema de apoio, contenção e presença configurada”. Tendo como cenário os evocativos paredões calcários da Riviera e arquivos esquecidos, as peças surgem como intrincadas respostas espaciais. Volumes de alfaiataria são calibrados com precisão para conter, enquanto as superfícies se transformam em arquitetura por si só.
Inspirada pelo livro “1000 Chairs”,nesta temporada destaca-se uma composição meticulosa e uma expressão altamente refinada — oferecendo não apenas uma forma, mas uma condição em que os códigos tradicionais da marca são elevados a uma estética mais discreta e calibrada. As silhuetas se recolhem, o volume é redistribuído e as costuras são posicionadas com intenção direcional. Peças-chave articulam essa filosofia por meio de construções modulares e detalhes arquitetônicos. Sistemas de botões permitem que as peças se transformem e se adaptem, enquanto ilhós e drapeados assimétricos evocam a precisão dos moldes industriais. O posicionamento das costuras torna-se ferramenta compositiva, ecoando a linearidade das cadeiras Windsor e a lógica estrutural do folheado. Perfurações a laser e cortes angulares introduzem nitidez mecânica, equilibrando ornamento e contenção.
Em toda a coleção, a confecção é tratada como arquitetura em si mesma. Algodões, linhos e lãs naturais da Itália e do Japão são escolhidos por sua estrutura e tato, enquanto misturas técnicas e couros de dupla face garantem integridade. Cada peça é concebida não como silhueta, mas como proposta espacial — um diálogo entre tensão, respirabilidade e forma calibrada. O resultado é um guarda-roupa profundamente arquitetônico em sua contenção, porém escultórico em sua presença.
Elementos colaborativos expandem ainda mais a narrativa espacial da coleção. Uma cápsula desenvolvida com a PUMA traduz a linguagem da contenção para o universo do calçado, empregando couro bicolor pensado para adquirir uma rica pátina com o uso, ecoando as superfícies suavizadas de poltronas gastas pelo tempo. Cadeiras esculturais do estúdio sul-coreano NICEWORKSHOP pontuaram a apresentação em Paris, funcionando não como simples cenário, mas como instrumentos essenciais da gramática da coleção.
Num gesto que inverte a dinâmica tradicional da passarela, as modelos permaneceram sentadas enquanto o público ficou de pé, enfatizando quietude, peso e o corpo como lugar. Produzida exclusivamente por oficinas artesanais na Itália, a coleção dá continuidade à investigação da J.L-A.L sobre como as roupas moldam — e são moldadas pelos — espaços que ocupam.