O único filme de Natal que importa: por que John McClane e ‘Die Hard’ são insuperáveis
Muito além do debate de sempre, rever ‘Die Hard’ hoje é uma forma de honrar o legado de Bruce Willis e celebrar seu irresistível charme de “homem comum” resiliente.
Chega dezembro e o velho debate cansativo ressurge em todo bar, grupo de WhatsApp e jantar: será que Die Hard é um filme de Natal? Poupe a gente da discussão semântica. É, sim. E, neste ano, com Bruce Willis se afastando discretamente dos holofotes, ver John McClane sangrar descalço pelos corredores de Nakatomi Plaza parece menos tradição e mais homenagem.
É véspera de Natal. A Nakatomi Corporation está dando sua festa de fim de ano. A trilha sonora vai de Run-D.M.C. a “Let It Snow”. Um terrorista morto ganha de presente um gorro de Papai Noel e a mensagem festiva: “Now I have a machine gun. Ho-ho-ho.” Hans Gruber — germânico, culto e vestido como se estivesse a caminho da festa de Réveillon de um vilão de Bond — programa seu assalto de US$ 640 milhões em títulos ao portador justamente para a única noite em que os seguranças do cofre estão bêbados de gemada e bônus de Natal. Até a reconciliação no centro do filme é puro espírito natalino: um policial teimoso engatinhando pelos dutos de ventilação para conseguir voltar para casa e para a família.
Willis, o homem que transformou o herói de ação em um operário folgadão, cheio de tiradas e nada a perder, se afastou da atuação em 2022 após o diagnóstico de afasia, que depois evoluiu para demência frontotemporal. A doença é cruel e cirúrgica. Ela rouba a linguagem, o comportamento — justamente os traços que fizeram de Willis o astro de cinema mais hipnotizante de sua geração. Sua esposa, Emma Heming Willis, ainda chama Die Hard de filme de Natal, do mesmo jeito que ainda coloca um lugar a mais à mesa para o Bruce por quem o mundo se apaixonou.
Então dá o play. Não por nostalgia, mas por desafio. Veja-o saltar sobre baias de escritório com a regata imunda e um cigarro pendendo da boca enquanto murmura “Come out to the coast, we’ll get together, have a few laughs”, enquanto a cidade pega fogo ao fundo. Observe o sorriso que inspirou mil imitadores, aquele que dizia: “Sim, eu estou apavorado, mas olha isso mesmo assim.” Ali era o auge de Willis: charme como arma, vulnerabilidade mascarada de autoconfiança.
John McClane não é à prova de balas. Ele está machucado, mancando e, na maior parte do tempo, a um passo errado da morte. Em outras palavras, ele somos nós. E, neste momento, assistir a um cara que se recusa a desistir (mesmo quando tudo dói) parece o sentimento de fim de ano mais verdadeiro que existe.
Neste Natal, apague as luzes e deixe as explosões tomarem conta. No clarão da tela da TV, Mr. Willis continua lá em cima, descalço e destemido, lembrando a todos como é a verdadeira força. Yippee-ki-yay.
Die Hard está disponível agora no premiado sistema de entretenimento de bordo da Cathay Pacific.

















