Resumo
- A Sprüth Magers Los Angeles acaba de apresentar Horror, uma nova coletiva com curadoria da artista Jill Mulleady
- Em cartaz até 14 de fevereiro, a exposição reúne obras de um elenco estrelado que atravessa gerações e geografias, todas investigando o poder estético e psicológico do horror
“Tememos aquilo que achamos que conhecemos”, argumenta Jill Mulleady, artista em destaque e curadora da nova coletiva da Sprüth Magers, Horror. Montada na filial da galeria em Los Angeles, a mostra apresenta um elenco intergeracional de nomes que exploram as profundezas estéticas do horror e o forte aperto que ele exerce sobre nossas psicologias pessoais e coletivas.
“O horror se apropria daquilo em que confiamos instintivamente — a forma humana, os espaços domésticos, os brinquedos infantis ou o mundo natural — e os torna repulsivos”, escreveu Mulleady no texto da exposição. “O horror encontra seu verdadeiro poder na traição.”
A exposição se apoia no legado da mostra e do texto seminais de 1983, de Mike Kelley, intitulados The Uncanny, ainda que se incline mais para o choque visceral do que para o desconforto difuso do conceito histórico de Sigmund Freud. Aqui, vemos artistas lançar mão do medo e da repulsa como ferramentas para desenterrar verdades sociais e culturais mais profundas — aquelas que nos empenhamos tanto em soterrar.
Muitas obras tomam o corpo como um território volátil de transformação, incluindo peças de Cindy Sherman, Tyler Mitchell, Sondra Perry e Precious Okoyomon. Outras, como as de Paul Thek e Anne Imhof, torcem o realismo até a ruptura psicológica, obrigando o público a encarar de frente a mortalidade e a decomposição.
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O horror, como sugere a exposição, funciona como um barômetro cultural: um espaço alegórico em que conseguimos digerir nossos medos em segurança. Nessa chave de leitura, o monstro nunca é sobrenatural, mas sim uma metáfora para colapsos políticos e institucionais, como no trabalho de Kara Walker, Arthur Jafa e Henry Taylor. Em outra direção, contribuições de Jonathan Glazer, Jordan Wolfson, Otessa Moshfegh e Harmony Korine provocam autorreflexão com um humor brilhantemente irônico, refratado em fragmentos cinematográficos e prazeres escultóricos.
“Ao nos chocar a ponto de provocar uma autorreflexão intensa sobre o que tememos e por quê, o horror conecta nossa paisagem interna à narrativa humana mais ampla”, continua Mulleady, “ele transcende o caos e se torna uma ferramenta para espelhar uma empatia profunda pela precariedade da experiência humana.”
A exposição está agora em cartaz em Los Angeles até 14 de fevereiro de 2026. A seguir, a lista completa dos nomes em destaque.
Artistas em exposição:
Dario Argento
Antonin Artaud
Oliver Bak
Bruce Conner
Mati Diop & Fatima Al Qadiri
Cyprien Gaillard
Jonathan Glazer
Anne Imhof
Arthur Jafa
Asger Jorn,
Mike Kelley
Karen Kilimnik
Harmony Korine
Tetsumi Kudo
Mire Lee
Diego Marcon
Tyler Mitchell
Ottessa Moshfegh
Jill Mulleady
Precious Okoyomon,
Sondra Perry
Carol Rama
Cindy Sherman
Pol Taburet
Henry Taylor
Paul Thek
Rosemarie Trockel
Andra Ursuta
Kara Walker
Jordan Wolfson



