Será que as adaptações de videogames finalmente se livraram da “maldição”? Depois de anos de tropeços, uma série de sucessos mostrou que mundos interativos podem, sim, fazer a transição para as telas de prestígio — e as comportas se abriram. A lista de projetos em desenvolvimento parece saída dos sonhos de qualquer fã: o há muito aguardado Warhammer 40,000 de Henry Cavill, Kratos e seu filho ganhando vida no Prime Video, a adaptação de Assassin’s Creed finalmente entrando em filmagem e Sophie Turner assumindo o papel de Lara Croft sob o comando de Phoebe Waller-Bridge. A animação avança com a mesma força, com continuações de Cyberpunk: Edgerunners e Arcane, além de uma nova série de Ghost of Tsushima.
O que une todos esses projetos é um tipo muito específico de tensão: cada um carrega expectativas enormes de fãs que esperam há anos, e todos sabem que a margem de erro é mínima. Se acertarem o equilíbrio, podem definir sua era. Se errarem, a internet não vai perdoar. Estes são os sete que acompanhamos mais de perto.
Warhammer 40,000
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Henry Cavill passou décadas pintando miniaturas de Warhammer 40,000 à espera exatamente deste momento. A incursão do Prime Video em live-action no 41º milênio é a adaptação mais comentada que ninguém de fato viu: um projeto apaixonado de grimdark que está em pré-produção há mais de três anos, com Cavill escalado para protagonizar e atuar como produtor executivo. Ainda não há imagens, mas a expectativa não arrefece. Cada nova informação, cada relatório financeiro da Games Workshop, leva o fandom à euforia — prova de quanto esse público quer ver o Império retratado com a escala de uma produção de prestígio. O desafio é imenso. Levar um universo tão vasto e sombrio à TV de forma sustentável exige tempo, dinheiro e uma sala de roteiristas que respeite o que faz fãs se dedicarem a essa mitologia há gerações. A data de estreia ainda não foi anunciada; por enquanto, a máquina de guerra segue ociosa. A única pergunta que realmente importa é se o resultado justificará anos de expectativa.
God of War
Se você perguntar aos jogadores qual aventura do PlayStation mais merece o tratamento de uma produção de prestígio, Kratos é um dos nomes que costuma liderar as enquetes. A nova série de God of War do Prime Video aposta justamente nesse sentimento e adapta a aventura nórdica de Kratos, que deu uma segunda vida à franquia ao transformar esse espartano movido pela fúria em um dos pais mais comoventes — ainda que silenciosamente — dos games. A escolha de mergulhar na era viking de Midgard, em vez de revisitar o passado brutal de Kratos no Olimpo, onde toda a carnificina divina começou, claro, dividiu o fandom. Ainda assim, tanto God of War quanto sua continuação capturaram a emoção que fez da história de pai e filho uma das mais apreciadas, mesmo fora dos controles. Agora, esse público aguarda ansiosamente a interpretação da Amazon, enquanto as filmagens serão retomadas em outubro — o que aponta para uma possível estreia mais perto de 2028, após a recente troca de ator para o papel de Kratos. Tudo depende de como o Prime Video equilibrará ternura e brutalidade e, francamente, se errar em qualquer um dos lados dessa balança, a internet não vai pegar leve.
Assassin’s Creed
Anunciada há cinco anos, em 2020, a adaptação em live-action de alta octanagem de Assassin’s Creed, que coloca Assassinos e Templários em rota de colisão em diferentes períodos históricos, finalmente entrou em filmagem em março de 2026. A série reúne o roteirista e produtor Roberto Patino, de Westworld, e o diretor Johan Renck, de Chernobyl. Patino e David Wiener dividem os créditos de criadores, showrunners e produtores executivos, enquanto Renck dirige. Com jogos que vão do Egito Antigo à Inglaterra medieval, a franquia se presta perfeitamente — embora não sem riscos — a uma narrativa dinâmica. Historicamente, porém, nem sempre acertou: basta lembrar o mal-recebido filme de 2016 de Assassin’s Creed, de Justin Kurzel, com Michael Fassbender. Agora que a nova série chegou à etapa decisiva das filmagens, com estreia estimada para 2027 segundo nossas apurações, talvez Brotherhood consiga o feito de fazer justiça a uma narrativa dos games construída ao longo de uma década.
Tomb Raider
Poucos heróis dos games são tão icônicos e têm um apelo tão amplo quanto Lara Croft — e o Prime Video claramente acredita ter um trunfo nas mãos. Para começar, Phoebe Waller-Bridge desenvolve e divide o comando da primeira tentativa do streaming de levar a arqueóloga à TV em live-action nos Estados Unidos. E, como se isso não bastasse, Sophie Turner, de Game of Thrones, se prepara para assumir o papel de nosso ícone aventureiro. Só esses elementos já fazem a combinação parecer um sonho. O humor de Waller-Bridge e seu olhar centrado nos personagens aplicados a uma das figuras mais duradouras dos videogames? Pode contar comigo. A expectativa é altíssima, o que inevitavelmente tem dois lados. A série começou as filmagens principais em janeiro de 2026 e fez uma breve pausa em março, após uma lesão leve de Turner, antes de ser retomada. O resultado é aquele suspense já conhecido em torno de grandes adaptações, com fãs de olho nas redes sociais à espera das primeiras imagens. O que mantém o projeto no alto de todas as listas de apostas é, sem dúvida, o imenso talento já envolvido, somado à vontade de ver uma Lara moderna e complexa, que vá muito além do molde de sex symbol e heroína de ação. Agora que o Prime Video transformou a ideia em um projeto concreto, o potencial é enorme.
Continuação de Cyberpunk: Edgerunners
Edgerunners fez algo raro em 2022: pegou um jogo de lançamento conturbado e lhe deu uma das histórias animadas mais devastadoras da década, levando jogadores de volta em massa a Night City. Por isso, a confirmação de uma continuação pelo estúdio Trigger chega com peso. Os detalhes começam a surgir — da janela de estreia no outono de 2026 aos quatro novos protagonistas —, e o desfecho arrasador da primeira temporada abre espaço para um elenco inédito, em vez de uma continuação direta. A incerteza em torno da trama faz parte do apelo. Os fãs confiam no estilo cinético e banhado em néon do Trigger para entregar outra tragédia independente na mesma cidade implacável. Não se trata de um fenômeno de massa nos moldes de Fallout — e não precisa ser. A expectativa é intensa e muito específica, vinda de um público que considera a primeira temporada intocável. Estar à altura da história de David e Lucy é uma tarefa e tanto. Se algum estúdio consegue, é justamente aquele que partiu corações da primeira vez.
Derivado de Arcane
Arcane redefiniu por completo o patamar do que uma animação derivada de videogame pode alcançar, unindo visuais de cair o queixo a uma história que fez jus, de verdade, a todos os elogios e fãs que conquistou. Seu final tornou os derivados praticamente inevitáveis, e a Netflix já confirmou que pelo menos um está a caminho no universo mais amplo de Runeterra — seja para revisitar personagens queridos de Piltover e Zaun, seja para explorar outras regiões do mundo de League of Legends. Seja qual for sua forma, uma coisa é certa: será avaliado com extremo cuidado. Foram necessários anos, muito dinheiro e recursos para levar Arcane ao nível que alcançou, então é pouco provável que o próximo capítulo chegue logo ou seja barato. O público prefere esperar a ver o padrão cair. Essa espera, por si só, alimenta a expectativa — o maior elogio que um fandom pode fazer a uma equipe criativa é depositar nela fé absoluta. Depois de 2026 parece um prazo plausível.
Ghost of Tsushima
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O mundo de Ghost of Tsushima, da Sucker Punch, sempre pareceu feito para ganhar vida na tela em forma de animação, e a Crunchyroll confirmou esse destino com uma série animada prevista para 2027. Em vez de recontar as aventuras solitárias de Jin Sakai, a adaptação se inspirará em Legends, o modo multijogador do jogo original. Isso abre espaço para novos personagens e maior liberdade naquele mundo feudal desolado e açoitado pelo vento, que se encaixa perfeitamente na animação, onde violência, beleza e peso mítico podem ser explorados sem as limitações frequentemente impostas às produções em live-action. Os fãs do jogo original certamente terão expectativas altíssimas: sua qualidade e o carinho pelo cenário original elevaram a barra, só pela atmosfera — um aspecto pelo qual os games eram tão celebrados quanto por seu combate. Se for bem executada, pode ser vista como a melhor adaptação animada do ano. A Crunchyroll claramente também enxerga esse potencial — agora, resta esperar até 2027.



