Lançamento do Sneakers.com pela GOAT é sinal de recessão nos tênis?

GOAT Group Launches Sneakers.com
Sneakers.com

Nesta terça-feira, a plataforma de revenda de streetwear GOAT Group lançou oficialmente um novo e-commerce, o Sneakers.com, oferecendo tênis com descontos agressivos no lugar dos produtos de segunda mão premium e disputados que a tornaram conhecida.

Embora os preços sejam superacessíveis, não é porque os pares são usados; na verdade, todos os modelos são novos. Diferente das outras plataformas da GOAT, onde a maioria dos tênis passa de US$ 150, no Sneakers.com o ticket médio gira em torno de US$ 70.

Fundada em 2015 e impulsionada por uma série de aportes de centenas de milhões de dólares, a GOAT lançou sua plataforma secundária em 2020, pouco antes de adquirir a concorrente de revenda de luxo Grailed, em 2022. Os investimentos e aquisições posicionaram a companhia como um dos principais grupos de e-commerce de streetwear de segunda mão. Então, o que explica a guinada repentina dos tênis usados de alto valor para pares novos com desconto?

A bolha dos tênis

As conversas sobre a desaceleração do mercado de tênis ganharam força em 2024, quando a Nike sofreu um tombo de US$ 28 bilhões em um único dia de julho. Depois de anos de boom do calçado casual impulsionado pela pandemia, 2024 e 2025 foram marcados por ambições ousadas de manter esse ritmo.

A Nike trouxe um novo CEO e chacoalhou sua estratégia, focando em novas silhuetas e reforçando os produtos guiados por tecnologia, como o tênis de recuperação Mind 001. Enquanto isso, a adidas vinha superando cada vez mais a Nike, com receitas recordes em 2025 — alta de 13% pelo segundo ano consecutivo, chegando a US$ 28,5 bilhões, enquanto as da Nike caíram 10%.

Mas a adidas não ficaria imune por muito tempo; como muitas concorrentes em diversos setores, uma combinação de tarifas impostas pelos EUA, conflitos geopolíticos e consumo em queda acabou com a festa. Em janeiro de 2026, a adidas virou o novo símbolo da perda de fôlego do mercado de tênis. Uma análise contundente do Bank of America rebaixou a adidas em dois níveis de uma vez, tirando a recomendação de compra e transformando a empresa em uma das ações mais fracas do setor.

No fim, os analistas atribuíram a desaceleração dos tênis não a falhas de produto ou marketing, mas à conclusão de um ciclo de alta de mais de duas décadas, que levou os tênis de menos de um quarto das vendas de calçados para mais da metade. Não é que os tênis estejam “acabando”; é que o mercado está chegando a um ponto de estabilização depois de anos de crescimento acelerado.

Mais abaixo na cadeia, o mercado de revenda também não está exatamente seguro, já que os preços de modelos queridinhos vêm caindo. Em janeiro, o especialista da BoF Mike Sykes comentou à NPR que “os valores estão murchando” no mercado de revenda de tênis atual. “Se você olha para o preço de revenda de um Jordan 1 ‘lost-and-found’, um modelo que saiu em 2023, muita gente tentou comprar esse tênis. E o preço de revenda chegava fácil a US$ 500 ou US$ 600 por um par de US$ 180, um belo ágio. Mas hoje, dependendo do tamanho e de onde você procura, dá para encontrar esse tênis na casa dos altos US$ 200, talvez US$ 300”, explicou. Diante desse impacto em 360 graus, o próximo passo da GOAT foi bastante sagaz: aproveitar a brecha e capturar, por baixo, a receita que Nike e adidas estão perdendo.

Quando “bom demais para ser verdade” é, de fato, verdade

O megacentro virtual de tênis da GOAT amplia a rede, atendendo à demanda crescente por bom custo-benefício em meio à alta de preços em vários setores, do mercado ao posto de gasolina. Em declaração à WWD, o chief brand officer da GOAT, Sen Sugano, explicou: “Acho que, especialmente agora, vivemos um momento em que o valor importa muito.” “Os consumidores querem ver seu dinheiro render mais. Mais do que isso, eles precisam que o dinheiro renda mais”, enfatizou Sugano.

No Sneakers.com, dá para encontrar um modelo mais novo, como o adidas AE1, ou até um clássico como o Air Jordan 1 High por apenas US$ 60. Uma grande variedade de modelos de linha e silhuetas clássicas vai mais baixo ainda, para a faixa de US$ 25 a US$ 30, enquanto, no topo, versões mais desejadas ficam entre US$ 100 e US$ 200.

Com preços tão baixos, o lançamento discreto do site em 2025 fez os sneakerheads correrem para descobrir se a plataforma misteriosa era mesmo legítima. No r/Sneakers no Reddit, um tópico de um ano atrás perguntando “O Sneakers.com é um site confiável?” está cheio de dúvidas. Um usuário respondeu: “Se parece bom demais para ser verdade, então é”, enquanto outro comentou: “lol entrei no site e tá tudo em promoção, bem suspeito”.

A desconfiança não é totalmente sem motivo. Golpistas online e produtos falsificados continuam circulando em massa, não só em tênis, mas também em bolsas e roupas. O site, que surgiu de forma misteriosa no ano passado, traz uma identidade visual que lembra encarte de supermercado, com etiquetas em fonte gigante e selos coloridos de desconto. Esse apelo de varejão do Sneakers.com remete a lançamentos recentes do clube de atacado Costco, como o Kirkland Signature x Nike SB Dunk Low de 2025 e até moletons Off-White previstos para 2026, que traduzem bem o alcance gigantesco do hype de tênis e streetwear.

Antes um nicho, a cultura sneaker virou mainstream e, à medida que seus produtos “IYKYK” ficam mais familiares ao grande público, modelos antes sagrados começam a surgir em lugares inesperados. O que parecia “bom demais para ser verdade” está, na verdade, ancorado na nova — e bem mais dura — realidade do mercado de tênis. Com o lançamento oficial da GOAT revelado nesta semana, a empresa finalmente encerra as dúvidas: o Sneakers.com é real, sim.

Este artigo foi traduzido automaticamente do inglês.
Nico Gavino Associate Editor

Nico Gavino is a NYC-based writer with a focus on the intersection of pop culture and men’s style. He has written more than 1,000 articles on Hypebeast in the last 2 years, spanning industry news, interviews, and long-form pieces. Interviews include Takashi Murakami, Missy Elliot, and major designers like Simone Bellotti, Tremaine Emory, and Jack Carlson. Previously, Nico has been quoted in publications like Sourcing Journal and Fashionista, and acted as a trend advisory to notable names like Timberland. Deeply interested in aesthetics and subcultures, his articles tie emerging fashion currents to shifts in the wider cultural landscape.

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