Resumo
- SOSHIOTSUKI estreou no Pitti Uomo, mesclando alfaiataria de inspiração europeia a inovações estruturais para criar movimento com lapelas curvas e camisas cortadas no viés.
- Com colaborações de ASICS e PROLETA RE ART, a coleção apresentou uma espécie de “importação reversa” do savoir-faire japonês para o principal polo de alfaiataria da Itália.
No dia 15 de janeiro, o emergente designer japonês SOSHIOTSUKI apresentou colaborações inesperadas em sua aguardada estreia no Pitti Uomo. No Refettorio di Santa Maria Novella, em Florença, os ternos de corte impecável de Otsuki cruzaram a passarela abobadada, ladeada por colunas patinadas pelo tempo.
O designer japonês chega a um momento de ciclo completo, levando sua alfaiataria majoritariamente inspirada na Europa ao seu berço italiano. O eco de nomes da moda masculina italiana como Giorgio Armani e Ermenegildo Zegna surgia em seus shapes ousados e favorecedores e em uma paleta clássica de sportswear.
A pesquisa de SOSHIOTSUKI sobre a alfaiataria ocidental se concentra na manipulação de detalhes como lapelas e colarinhos, projetados para se curvarem suavemente. Em outra frente, camisas Oxford foram construídas no viés — técnica que designers historicamente usam para acentuar o caimento de vestidos. Em tudo isso, seu objetivo era criar uma sensação de movimento.
Em termos de materiais, não faltaram textura e personalidade em diversos tweeds, riscas de giz e tecidos foulard acetinados, sobrepostos a cardigãs e veludos cotelê. Ao lado de seus ombros marcados e silhuetas amplas característicos, o designer apresentou novas experimentações têxteis, incluindo um suéter de tricô grosso vermelho, um veludo cotelê diagonal em verde-esmeralda e um couro lustroso em tom de caramelo.
Os afrescos desbotados e o estuque envelhecido do espaço criavam o pano de fundo perfeito para as intervenções pontuais, porém marcantes, da PROLETA RE ART. Como as paredes ao redor, os blazers e calças da colaboração desses parceiros discretos pareciam carregar séculos de desgaste e deterioração. Cada peça foi finalizada com tradicionais pontos japoneses de sashiko — talvez uma homenagem à cultura que compartilham.
Em outro momento, uma colaboração com a marca japonesa ASICS foi sugerida em um moletom de veludo azul, combinado à alfaiataria em tons de taupe característica de SOSHIOTSUKI. Outros colaboradores japoneses incluíam o artista Kota Okuda e o tradicional fabricante têxtil Gunze. Segundo a marca, cada uma dessas intervenções não era mero ornamento, mas um novo olhar sobre “estrutura, função e fisicalidade”.
A recepção calorosa do designer ao “lar espiritual da alfaiataria” é descrita por ele como uma forma de “importação reversa”, ou seja, uma troca cultural em pé de igualdade. Levar seu olhar pessoal à prática internacional da alfaiataria não pretende romper nem reinventar a tradição, mas sim deixar sua marca singular em sua evolução contínua.
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