SHINYAKOZUKA FW26 se inspira em “One Single Glove” e nas pinturas de Matisse
Com estampas toile, referências ao workwear francês e uma colaboração inédita com a Reebok a caminho
Resumo
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O desfile FW26 de SHINYAKOZUKA na Pitti Uomo recorreu à metáfora da “luva perdida” e ao Fauvismo de Matisse para explorar temas de lar, luz e empatia humana.
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A coleção apresentou tricôs felpudos e escovados, estampas toile e uma colaboração com a Reebok, mesclando silhuetas de workwear francês com detalhes poéticos e artesanais.
“Por que sempre existe uma única luva caída no chão?” — foi assim que SHINYAKOZUKA abriu e encerrou as notas do desfile FW26, apresentado na passarela da Fortezza da Basso, durante a Pitti Uomo 109.As extensas notas do desfile liam-se como um poema, dando palavras ao cenário coberto de neve, que conduzia o público por um silencioso passeio de inverno.
Kozuka reflete sobre a luva perdida que se encontra na neve como metáfora: “A luva solitária é ao mesmo tempo um lar e um farol”.“Um lugar ao qual você sempre pode voltar — e uma luz suave mostrando o caminho de volta para casa”, acrescentou. O designer também citou Matisse como inspiração, sobretudo a forma como os afrescos de capela do pintor francês conseguem despertar tanta emoção com traços únicos e contínuos. Matisse veio do movimento artístico fauvista, que buscava capturar a emoção em vez de um realismo rígido.
De certa forma, o designer japonês, que estudou na Central Saint Martins, sempre usou suas passarelas como expressão viva do clima e do rumo de sua marca — e desta vez não foi diferente.
Os primeiros looks traduziam a sensação de um passeio noturno por uma cenografia esfumaçada de lã escovada. A paleta cinza dos casacos e ternos contrastava com uma estampa toile em branco e índigo, que mostrava silhuetas da lua, do farol e da luva perdida. Em outro momento, um conjunto inteiro em azul vibrante evocava o workwear francês dos anos 1930 e o azul profundo tão usado por Matisse.
Silhuetas de workwear, como chore coats e aventais, surgiram em lona clássica e depois foram reinventadas em malhas felpudas. O tricô seguiu como destaque, com modelos escovados de efeito nevado e cenas de parques de inverno em intársia. Detalhes como botões sugeriam a neve caindo, enquanto pespontos brancos em contraste davam um toque artesanal aos clássicos de alfaiataria.
Nos acessórios, as bolsas com grafismos feitos à mão — uma das assinaturas da marca — mergulhavam ainda mais nas referências poéticas citadas nas notas do desfile. As apresentações de passarela também revelaram o que parece ser uma futura colaboração no modelo Reebok Club C, com cabedal estampado por um gráfico de efeito nevado.
A roupa é um artefato humano único porque permanece em contato direto com o corpo por mais tempo do que outros objetos. Ele defende que a arte do vestir é uma poesia que desperta emoção, porque sua forma e seu estilo são pensados em torno da experiência humana. Uma luva só é uma luva porque tem o formato de uma mão.
As reflexões de Kozuka sobre arte e inspiração foram resumidas em uma palavra: “empatia” — algo que uma máquina não consegue reproduzir. “É esse o tipo de design que quero criar”, concluiu.
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