Para Werner Bronkhorst, golfe é arte

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Werner Bronkhorst

Dizem que a imitação é a forma mais sincera de elogio, mas muita gente nas indústrias criativas estremece só de pensar. Werner Bronkhorst não é desses. Seu trabalho ganhou os holofotes — pelo menos em alguns cantinhos superconectados da comunidade do golfe — em maio passado, quando uma maison de luxo lançou carteiras perigosamente parecidas com seu estilo. “Muitos artistas ficariam incomodados ao ver algo que lembra suas obras”, conta o artista nascido na África do Sul e radicado na Austrália. “Eu, sinceramente, não estou nem aí.”

Para quem acompanha o seu trabalho, nada disso é surpresa. Aos 24 anos, ele já coleciona cerca de 1,4 milhão de seguidores no Instagram, impulsionado pelos vídeos virais em que mostra todo o processo criativo. A técnica de espalhar “baldes de tinta” pela tela hipnotiza tanto no resultado final quanto no meio do caminho. Depois de criar essas camadas grossas e texturizadas, Bronkhorst posiciona minúsculos golfistas (ou atletas de outras modalidades) sobre o que viram fairways de tinta.

Essa repercussão logo chamou a atenção de Stephen e Erica Malbon, da Malbon Golf. Sua primeira grande colaboração com a marca é um divisor de águas — chega às vésperas da Ryder Cup, com festa de lançamento na loja da Malbon, no SoHo. A mostra “GOLF IS ART” reúne três gravuras em edição limitada vendidas apenas no local, oito obras originais e uma cápsula de roupas co-branded.

Na sua estreia em Nova York, batemos um papo com Werner Bronkhorst sobre a collab, seu processo criativo e a ideia de que o golfe também é arte.

Werner Bronkhorst Malbon Golf artista coleção Ryder Cup entrevista processo de pintura vídeo África do Sul Austrália

Werner Bronkhorst

Para começar, queremos falar sobre seu processo. Como você chegou à técnica que o tornou conhecido?

Minhas pinturas são bem peculiares: despejo baldes de tinta e vou empurrando a massa pela tela. Quando seca, tudo fica bem espesso e cheio de textura. Sobre essa base, pinto golfistas minúsculos, velejadores, esquiadores — personagens desse universo.

Eles interagem com a tela de um jeito que, ao mesmo tempo, parece abstrato e muito real. Esse método nasceu do meu hábito de pintar desde criança, sempre testando materiais novos. Houve uma fase em que até fiz móveis; juntei todo esse conhecimento em uma linguagem só.

Nos últimos um ou dois anos, você ganhou muita atenção da turma que curte golfe e criatividade nas redes sociais. Ficou surpreso com essa recepção?

Já pintei vários esportes, mas bastou colocar o golfe na tela para o público vibrar. Golfistas quase nunca se veem retratados em obras de arte.

Quando se deparam com um golfista minúsculo fazendo o swing e sentem que poderiam ser eles, a identificação acontece. Desde então, meu público — dentro e fora do golfe — cresceu demais. Sou muito grato. Quis trazer o golfe para o universo da arte, porque golfe é arte. Esse também é o nome desta exposição com a Malbon.

Você acha que isso diz algo sobre o golfe em comparação a outros esportes, como tênis ou esqui?

Acho que o esporte, em geral, aparece pouco na arte. Normalmente vemos nus, naturezas-mortas, paisagens. Mas o esporte é lindo, tem uma aura artística. Exige dedicação e uma execução quase contemplativa. O golfe, em especial, parece land art: colinas onduladas, bunkers de areia, greens, árvores por toda parte. É como estar dentro de uma obra — e é esse tipo de quadro que tento criar.

Werner Bronkhorst Malbon Golf artista coleção Ryder Cup entrevista processo de pintura vídeo África do Sul Austrália

Werner Bronkhorst

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Werner Bronkhorst

O que no esporte te inspira? Como passou a focar nele?

Sempre amei esportes — não só praticar, mas assistir. Venho de uma família de atletas: meu pai nos treinou para ser corredores e chegou a se classificar para a Olimpíada. Minha mãe também adora esporte, então cresci experimentando várias modalidades. Adoro o que elas fazem pelo corpo, pela mente e pelo convívio ao ar livre com os amigos. Esse conjunto é o que me move.

E misturar isso com arte traz a mesma vibração. Arte não é tão física, mas as pessoas se interessam, pagam para ver. Para mim, esporte e arte carregam a mesma essência.

Qual foi o papel das redes sociais no seu crescimento como artista?

Enorme. Com as redes posso compartilhar tudo — pessoal e profissional. Mostro o processo inteiro, da tela em branco ao quadro pronto.

Nenhum artista na história pôde fazer isso. Nos museus você só vê o resultado, nunca o caminho. Mostrar esse backstage on-line ajuda o público a entender não só o que eu crio, mas por quê. Eles percebem que sou apenas um jovem de 24 anos que ama pintar e se identificam. Minha comunidade explodiu nos últimos anos. Sou grato e adoro essa troca.

“O esporte é belo, tem uma vibração artística própria.”

Você já hesitou em mostrar seu processo?

Sempre bate a dúvida: “Será que estou entregando demais?” Mas não estou fazendo tutoriais. Como todo bom mágico, há um equilíbrio entre o que se revela e o que se guarda. E, sinceramente, não me incomoda se as pessoas pegam algo. Muitos artistas tentaram minhas técnicas, mas nunca sai igual. Estou tranquilo — todo mundo está aprendendo, eu incluso.

Como surgiu a colaboração com a Malbon?

A collab com a Malbon era praticamente inevitável. Sempre admirei o que eles fazem — pioneiros em misturar streetwear com a tradição do golfe.

Eu tento fundir o mundo da arte tradicional com uma energia mais jovem, então a relação foi orgânica: eu já os seguia, curtia o trabalho; eles descobriram o meu. Quando comecei a criar obras sobre golfe, os mundos colidiram. Estou muito feliz de trabalhar com eles e de expor na loja do SoHo. É uma honra.

O que você vai apresentar lá?

São oito obras originais, das bem grandes às bem pequenas. Três foram criadas exclusivamente para esta mostra e virarão gravuras de tiragem limitada — 18 unidades da maior e 72 das menores. Há ainda peças de vestuário desenvolvidas em parceria com a Malbon especialmente para o evento.

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Werner Bronkhorst

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Werner Bronkhorst

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Werner Bronkhorst

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Werner Bronkhorst

E o timing coincidiu com a semana da Ryder Cup. Como isso aconteceu?

Foi timing perfeito. A Malbon quis fazer o evento exatamente por causa da Ryder Cup deste fim de semana. Como a exposição é em Nova York e o torneio está rolando, tudo fez sentido. Foi planejado, mas também fluiu naturalmente: eu já tinha as obras de golfe prontas, a Cup estava acontecendo e tudo se encaixou.

Você percebe sua obra influenciando a moda ou as redes? Se alguém pegar emprestado seu estilo, isso incomoda?

Para ser sincero, não. Muitos artistas ficariam chateados ao ver algo parecido com seu trabalho. Eu, não. O mundo é uma fonte infinita de inspiração. Se você cria algo novo e isso incentiva outros a criar, por que não? Não fico na defensiva.

E, por fim, o que espera daqui para frente? Quer se envolver ainda mais com o golfe e outros esportes em colaborações como esta?

Sem dúvida. Quero continuar me conectando a marcas, empresas e eventos esportivos. Amo esporte, amo arte e amo juntá-los. Tenho amigos que não entendem nada de arte, mas são apaixonados por esporte e agora se interessam por pintura por causa dessas obras — e artistas que, de repente, passaram a se animar com esporte. Esse cruzamento de mundos me fascina.

Misturar universos, trocar ideias e criar algo bonito: é isso que quero continuar fazendo.

Julius Oppenheimer Senior Editor, Hypegolf

Julius Oppenheimer is an editor focused on the intersection of golf, sport and culture. His work explores how the game is evolving through style, storytelling and the people shaping its future. He has reported from major tournaments and collaborated with leading brands, bringing a nuanced, culturally aware and authentic perspective to Hypebeast's golf vertical.

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