“Picnic”: Pedro Pedro enche a La Nave de cor, alegria e abundância
Para celebrar os 10 anos da Fundación La Nave Salinas, o pintor espanhol apresenta uma exposição monumental que convida o público a mergulhar num banquete de cores e vida.
A Fundación La Nave Salinas celebra seu 10º aniversário com Picnic, uma vibrante mostra solo do pintor espanhol Pedro Pedro, que transforma o espaço de arte em Ibiza numa celebração de cor, comunidade e da própria vida. Conhecido por composições exuberantes que equilibram proporção e ludicidade, o trabalho de Pedro irradia uma alegria que espelha o espírito de verão da ilha.
Para o fundador Lio Malca, a escolha foi intencional: fazer deste ano comemorativo “um mergulho de alegria” que recorde ao público o memento vivere — lembre-se de viver. Com telas ousadas e saturadas que se derramam pela arquitetura de La Nave, Picnic foi pensada para ser não apenas vista, mas vivida, como se o público mergulhasse em um quadro pulsante de abundância, humor e narrativas ocultas.
A mostra fica em cartaz de 16 de agosto a 31 de outubro de 2025, Picnic é o projeto mais ambicioso de Pedro até hoje, concebido especialmente para o histórico edifício de pedra da Fundación La Nave Salinas, com vista para o mar Mediterrâneo. Ao longo de 15 telas de grande formato, ele encena um banquete ao ar livre repleto de buquês, sobremesas, taças de vinho tombadas e joias reluzentes que ecoam a tradição vanitas, mas trocam o aviso do memento mori (“lembre-se de que você vai morrer”) pelo memento vivere (“lembre-se de viver”). Inspiradas em Wayne Thiebaud, Fernando Botero e no design mid-century, as pinturas mergulham em cores saturadas e formas exageradas.
Para celebrar a data, batemos um papo com Pedro Pedro e com o fundador da Fundación La Nave Salinas, Lio Malca, sobre a criação de Picnic e sobre a visão por trás desta mostra de aniversário.
“Quis pintar coisas que me agradassem aos olhos e me trouxessem alegria, felicidade e prazer.”
“Picnic” vira a ideia vanitas de “lembre-se de que você deve morrer” para “lembre-se de viver”. O que motivou essa virada?
Pedro Pedro: Quis pintar coisas que eu goste de contemplar e que me deem alegria, felicidade e prazer.
Você cita influências de artistas como Wayne Thiebaud e Fernando Botero. Como faz para torná-las suas?
PP: Misturo referências para temperar: um pouco de Wayne no tema, uma pitada de Botero na forma e, quem sabe, um Matisse na cor.
Por que escolheu o estilo mid-century como pano de fundo desta série?
PP: É a época que mais me agrada, tanto visual quanto esteticamente.
Várias de suas telas sugerem a presença humana sem de fato mostrá-la. Por que optar por isso?
PP: As pessoas falam demais.
De que maneira as cores vibrantes e saturadas ajudam a contar a história em Picnic?
PP: Os melhores piqueniques que vivi foram luminosos, saturados e cheios de personagens marcantes; tento colocar essas sensações em cada quadro.
“Acredito que a arte deve despertar esse mesmo sentimento em nós…”
Por que escolheu “Picnic” para celebrar os 10 anos da La Nave?
Lio Malca: Queria que o 10º aniversário fosse um splash de alegria, algo pulsante de vida. As telas de Pedro Pedro são exatamente isso — uma explosão de cores, natureza, energia positiva e histórias sussurradas. Picnic é mais do que a celebração dos dez anos da La Nave; é um brinde à própria vida… Memento vivere — lembre-se de viver.
De que forma o espaço e a localização do prédio influenciaram a montagem da mostra?
LM: Em cada exposição na La Nave, queremos que o público sinta que está entrando em um universo totalmente novo. Para Picnic, de Pedro Pedro, deixamos a energia de suas telas invadir cada canto do edifício, criando uma atmosfera que lembra um piquenique — fresca, vibrante e dinâmica. E, claro, estar em Ibiza adiciona uma dose extra de magia. Afinal, esta ilha é um dos lugares mais extraordinários do planeta.
O que faz com que a obra de Pedro Pedro se destaque na cena artística atual?
LM: As pinturas de Pedro são executadas com maestria e trazem um senso singular de proporção e equilíbrio que as torna imediatamente reconhecíveis. Mas, além da técnica, o que realmente o diferencia é a alegria que sua obra exala. Cada quadro irradia felicidade — e vemos esse sentimento refletido nos rostos dos visitantes, que se iluminam ao entrar na Nave. Foi exatamente por isso que o escolhemos: acredito que a arte deve provocar essa mesma sensação em nós, assim como quero que os espaços onde vivo e passo meu tempo inspirem sorrisos e uma sensação de leveza.


















