Pauly x Cotodama: Música que imita arte que imita a vida

Um alto-falante colaborativo que funde tecnologia e arte, redefinindo a maneira como nos conectamos com a música e com o universo visual que a acompanha.

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É 2000; você economizou a mesada para comprar Hybrid Theory. Você tira o CD da embalagem e o coloca no seu Sony Walkman “Jog-Proof”. Ao se acomodar no ônibus de volta para casa, aperta play; “Papercut” começa a tocar e, ao abrir o encarte, você se depara com um portfólio quase monocromático de grafites e letras, “Why does it feel like night today? Something in here’s not right today.” Ao longo do mês seguinte, você não ouve outra coisa além do álbum de estreia do Linkin Park, devorando o encarte como se fosse uma bíblia: memorizando, descobrindo e conectando-se com a infância conturbada do saudoso Chester Bennington — tempos que não voltam mais.

Hoje, com a facilidade e a acessibilidade do streaming, é raro sentir a mesma conexão com a música: hits sobem e descem nas paradas como nuvens, faixas nunca lançadas se perdem num cemitério sonoro que ostentamos como biblioteca infinita de streaming, e as histórias costuradas nas letras quase nunca são ouvidas. Mas e se pudéssemos resgatar um pouco disso? E se houvesse um jeito de trazer essa cultura — agora perdida — para o nosso dia a dia? Se fôssemos estimulados a ouvir música como quem lê um livro ou assiste a um filme: pausando, prestando atenção e nos perdendo na canção.

Agora imagine um mundo em que sua música favorita não apenas enche o ar, mas também pinta um quadro bem diante dos seus olhos. Um mundo em que os dispositivos da sua casa não são só gadgets, e sim obras de arte vivas que respondem ao seu humor e ao seu som. Esse é o espírito inovador da Cotodama – nome que une “koto” (palavra) e “dama” (espírito), crença japonesa de que as palavras carregam poder espiritual. Trata-se de uma pequena e ambiciosa empresa de tecnologia criativa, sediada em Tóquio, que literalmente torna a música visível, borrando as fronteiras entre arte, design e sua tecnologia de ponta, a “Lyric Sync Technology”, na qual as letras flutuam e dançam dentro de uma caixa, perfeitamente sincronizadas ao ritmo da canção.

Os alto-falantes da Cotodama vêm equipados com um motor avançado — primeiro do gênero — que “estima automaticamente a atmosfera sugerida pelas letras” e, em seguida, as exibe com “motion graphics e fontes ideais”. Se a letra for suave, ela aparecerá em movimentos tranquilizantes; se a melodia for vibrante, os visuais serão dinâmicos. A tecnologia traduz o núcleo emocional da música para uma linguagem visual e transforma a audição passiva em uma jornada ativa e multissensorial. No centro dessa nova fronteira está uma colaboração que faz todo o sentido: a arte indomada de Pauly Bonomelli.

Pauly, também conhecido como “himumimdead”, é um espírito livre nascido na Austrália que faz questão de viver tudo ao máximo — e sua arte autobiográfica é fruto direto dessa filosofia. Tendo recentemente deixado um pouco de lado o mundo material e fixado base no Brasil, Pauly pratica o que prega. Sua arte é crua, honesta, abraça a imperfeição e é alimentada por histórias sem fim.

“Eu trabalhava na Ksubi, na Austrália, quando o A$AP Rocky entrou no meu ateliê — na hora eu nem sabia que era ele — e batemos papo ali mesmo”, lembra Pauly. “Depois conheci o Bari e, quando eles lançaram a VLONE, me chamaram para ajudar nas ativações e murais da marca. Anos depois, conheci a Rihanna também, e é louco ver o Rocky de então e o de agora, totalmente no modo pai responsável. É lindo.”

Muitas vezes incompreendido, Pauly — eternamente enigmático e às vezes visto nas redes como esnobe ou rebelde — é, na verdade, a pessoa mais pé-no-chão e de bom coração, cujo impacto passa longe do caos, embora não seja fácil encontrá-lo. “Sempre estarei lá por um amigo, se você conseguir me pegar”, diz o nômade que se define como analfabeto digital.

Parte dessa confusão vem justamente do codinome “himumimdead”, tão distante da pessoa real. “Para ser sincero, apelidos assim estavam na moda quando a internet engatinhava. Foi uma daquelas decisões malucas para o meu @, que poderia muito bem ter sido ‘pauly6969’. Eu mudaria se pudesse, principalmente porque todo mundo associa ao significado mórbido, quando na verdade era só algo que eu dizia para a minha mãe, exagerando o quanto estava esgotado em Sydney: ‘Oi, mãe, tô morto.’”

Naquela época, Pauly passou anos mergulhado na indústria da moda, mas sua verdadeira paixão sempre foi a arte, que ele produzia “por diversão” até achar um jeito de unir os dois universos. Seu portfólio é diverso: de telas tradicionais e papel a murais gigantes, patchwork em jeans e camisetas, além de instalações imersivas que já apareceram da Austrália à Europa, China e Estados Unidos. Sem falar nas celebridades que endossam seu trabalho, como a turma da A$AP e Kanye West (antes de mudar o nome para Ye), cuja admiração por sua arte destemida e progressiva conversa perfeitamente com um produto tech que pretende ser muito mais do que um simples dispositivo.

Os alto-falantes Cotodama não são aqueles dispositivos premium polidos que a gente vê por aí. Apesar do design minimalista, ele existe apenas para servir de tela à música e à arte. No projeto Pauly x Cotodama, três modos mostram isso da melhor forma: primeiro, o “Pauly Font”, que traz a caligrafia do artista transformada em letra no display digital; segundo, o “Instrumental Mode”, que entra em ação quando não há vocal e exibe a arte psicodélica de Pauly reagindo à música; e, por fim, o “Standby Mode”, que deixa a arte em exibição ambiente, num desempenho pensado para provocar catarse — uma experiência imersiva e evocativa.

Esta colaboração está longe de ser só mais um artista estampando o nome em um produto. Ela nasce da relação simbiótica entre Cotodama e Pauly, dois disruptores que despertam memórias e emoções através de seus respectivos suportes. É a Cotodama personalizando a experiência de escuta, transformando o alto-falante em canal de introspecção e storytelling; e é Pauly usando essa tela maleável para compartilhar capítulos da própria trajetória, convertendo a audição em uma performance visual dinâmica.

O Pauly x Cotodama chega em edição limitadíssima de apenas 40 unidades — juntas, elas formam a obra completa criada por Pauly para a collab. Cada peça sai por US$ 2.200 (sem impostos) e já está disponível no site da Cotodama.

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