Missy Elliott: O que faz um Superstar?
A lendária rapper nascida na Virgínia revela a importância do adidas Superstar para o Hip-Hop, relembra suas raízes humildes no estado e reflete sobre sua trajetória criativa que já atravessa décadas.
Missy Elliott: O que faz um Superstar?
A lendária rapper nascida na Virgínia revela a importância do adidas Superstar para o Hip-Hop, relembra suas raízes humildes no estado e reflete sobre sua trajetória criativa que já atravessa décadas.
Quando você ouve a palavra “superstar”, o que vem à sua cabeça?
Eu diria destemor e ousadia — é isso que mais me vem à mente. Sempre vejo superstars como pessoas verdadeiramente originais, que iniciam coisas que nem sempre são populares na época. Para mim, elas ditam tendências e geram um enorme impacto cultural e global.
Como suas raízes na Virgínia moldaram o seu estilo?
De onde eu venho, em Portsmouth, Virgínia, cada um dos meus amigos tinha seu próprio estilo. Muita gente nem sabe que a Virgínia fica no sul dos EUA. Como não estávamos em Nova York nem no Norte, as novidades demoravam a chegar, então a gente criava as nossas enquanto isso — tínhamos nosso próprio som e nosso próprio jeito de vestir. Essa vontade de fazer o meu próprio ficou comigo pela carreira inteira.
Qual é a importância do adidas Superstar para a comunidade Hip-Hop?
A primeira vez que vi esse tênis foi com o Run DMC; eles o transformaram em um símbolo do Hip-Hop. O combo — tênis e agasalho — ficou na moda por muito tempo, não só entre rappers, mas também entre b-boys e DJs. Era toda uma comunidade em torno dessa vibe; você precisava do look completo para fazer sentido. Ele representava o estilo das ruas.
Na campanha você usa um chapéu enorme, um aceno às suas parcerias com June Ambrose. Como vocês se conheceram?
Eu conheci primeiro o Hype Williams, que já trabalhava com a June. Ele disse que tinha a stylist perfeita para mim. Pensei: “Ah, não, já sei como gosto de me vestir!” Mas, quando conheci a June, ela foi tudo e mais um pouco. A primeira coisa que disse foi: “Querida, você está muito combinandinho. E a gente não passa mais vinco no jeans.” Eu fiquei: “Quem é essa mulher?” Sempre fui destemida, mas ela nunca me fez sentir que eu estava exagerando; apenas potencializava o que eu já tinha e quem eu era. Estamos juntas desde 1997.
Tem alguma lembrança favorita trabalhando com a June?
Todo momento ao lado da June é especial. Quando estamos gravando um clipe, ela troca de roupa mais do que eu até o fim do dia. A energia dela é surreal: chega justamente quando estou exausta e está sempre lá em cima. Você precisa disso, principalmente quando as filmagens se estendem, às vezes por três dias. Ela chega dizendo: “Vamos lá! Temos algo para filmar — algo histórico.” Então penso: “Ok, bora!”
Nos anos 2000 você lançou vários tênis na sua linha adidas Respect M.E. — como nasceu essa parceria?
O mais curioso é que, antes mesmo de a adidas e eu firmarmos parceria, eu já remixava meus looks da marca. Colocava strass nas peças ou tirava o logo de um conjunto para aplicar em outro. As pessoas começaram a procurar esses visuais nas lojas — lembro de um, em especial, do clipe de “Gossip Folks”. A galera chegava pedindo aquelas roupas customizadas e os vendedores respondiam: “Não temos, foi ela quem customizou!” Alguém contou a história para a June Ambrose e ela soltou: “Por que vocês não fazem logo um acordo com ela?” E assim fechamos o contrato.
Agora, 20 anos depois, você é um dos rostos do tênis mais icônico da marca. Como se sente?
É incrível. Parece que voltei à época da Respect M.E. A nostalgia disso tudo é deliciosa.
O que você acha que é preciso para que um tênis ou um estilo alcance o status de ícone?
Acho que é preciso consistência e compromisso. Ninguém quer ver quem divulga um tênis usando qualquer outro por aí. Você tem que fazer daquele modelo a sua marca registrada. Foi assim com o Run DMC: eles eram estilosos e usavam o modelo o tempo todo, com ou sem cadarço, deixando claro que acreditavam no que estavam vendendo.
Quem são alguns dos seus ícones de estilo?
São muitos, mas vou citar os de quando comecei: Run DMC, porque me fez amar a adidas; Salt-N-Pepa, que tinham um estilo que eu nunca tinha visto em mulheres do Hip-Hop; e, claro, June. Eu confio nela — quando a June diz que algo é “fogo”, é fogo.
Se você saísse de Superstar hoje, como montaria o look? Tem alguma cor ou customização preferida?
Com certeza colocaria aqueles cadarços grossos de novo, porque muita coisa dos anos 80 e 90 está voltando. E, claro, usaria os meus como no ensaio — mandaria colocar pedras na plataforma. Usei um par assim no meu aniversário e, há algumas semanas, saí exatamente desse jeito. Combinaria com um jeans e uma camiseta da Britney Spears.



















