Hypebeast Community Center: Conheça a TANAMACHI
O designer nipo-mexicano Toshiharu Tanamachi fala sobre suas influências pop multiculturais, o estilo chilango e sua filosofia de trabalhar só com deadstock.
Hypebeast Community Center: Conheça a TANAMACHI
O designer nipo-mexicano Toshiharu Tanamachi fala sobre suas influências pop multiculturais, o estilo chilango e sua filosofia de trabalhar só com deadstock.
Faz pra gente o pitch de elevador da Tanamachi.
TANAMACHI é uma marca queer mexicana inspirada nos vícios e virtudes da vida cotidiana na CDMX [Ciudad de México]. Criamos peças agênero e versáteis, feitas com deadstock, que contam uma história — a nossa. Acreditamos que moda não é só roupa, mas um meio de comunicação e empoderamento.
Os Cinco Ws
Quem compra na Tanamachi?
A galera descolada da CDMX. Quem sabe, sabe.
Qual é a principal mensagem da Tanamachi?
Amor e possibilidade: tudo na TANAMACHI sai da cabeça de dois apaixonados — eu (Toshiharu) no lado criativo e Mauricio no lado de negócios. Acreditamos que o México pode criar sua própria linguagem de design, sem olhar lá fora, e que dá, sim, pra tocar um negócio criativo de sucesso no país.
Quando vocês lançaram a Tanamachi?
A primeira peça com a etiqueta TANAMACHI surgiu em 2018. No começo eu só fazia ternos sob medida, mas conheci o Mauricio quando a pandemia bateu. A veia empreendedora do Mau mudou o rumo da marca para peças ready-to-wear.
Onde as pessoas usam Tanamachi?
Em todo lugar! Essa é a magia das nossas peças: elas são realmente usáveis. Dá pra ir da academia à reunião, ao jantar ou à balada se sentindo confortável — e ainda assim incrível.
Por que a Tanamachi foi criada?
Porque ninguém contava nossa história através das roupas! Além disso, sempre fui obcecado por moda; não me imagino fazendo outra coisa.
Como a sua herança mista influencia a sua estética de design?
É um pouco complexo. Meus bisavós e avós deixaram o Japão rumo ao México para fugir da Segunda Guerra Mundial. Eles se estabeleceram aqui por um tempo, mas, quando o conflito se intensificou, o governo mexicano prendeu imigrantes japoneses, italianos e alemães por cinco anos.Quando finalmente foram libertados, meus avós tinham medo de serem abertamente japoneses, então ensinaram ao meu pai, tias e tios que eles eram tão mexicanos quanto um taco. Negaram toda a herança porque temiam que, se outra guerra viesse, tudo terminaria do mesmo jeito.Meus primos e eu estamos tentando ligar os pontos e, enfim, redescobrir nossa linhagem. Ainda assim, acho que sempre me sentirei mais mexicano do que qualquer outra coisa.
Quais foram algumas das inspirações criativas que te formaram antes de lançar a Tanamachi?
Stefani Joanne Angelina Germanotta (vulgo Lady Gaga). Cultura pop mexicana: María Félix, Teresa Chávez, Thalía, Pedro Ramírez Vázquez, o Milagre Mexicano.
A silhueta Box aparece de novo em minishorts, calças, saias etc. Como o boxe virou tema central da marca?
Eu odeio esportes, mas amo sportswear vintage. Na minha mente gay e nada atlética, quando penso em esportes chilangos [Cidade do México], penso em boxe, lucha libre e futebol. O sportswear tradicional é confortável, mas feio — então quisemos criar uma peça que juntasse o melhor dos dois mundos: conforto e estilo. Foi assim que nasceu a ideia do cós de boxe aplicado a qualquer tipo de parte de baixo.
Pode falar mais sobre a cena criativa na CDMX?
A CDMX sempre foi um grande polo criativo; sua história é extensa e surreal, e tudo pode acontecer por aqui. Talvez seja a verdadeira fábrica de sonhos — e as pessoas só agora estão percebendo isso.
Quais outras marcas ou designers da CDMX você está amando no momento?
Existe uma marca mexicana para literalmente todo gosto. Alguns exemplos: Campillo, Cueva, Ppaayyss, ODIC, Barragán, Ditzy, entre outras.
Você se identifica fortemente com a comunidade queer — como essa parte da sua identidade influencia a mensagem e a abordagem da marca?
Hoje acho poderosíssimo ser abertamente queer e fiel a nós mesmos. Sempre estaremos aqui.
Como vocês decidiram usar apenas deadstock nas coleções?
A moda é uma das indústrias que mais poluem no mundo. Um gesto simples, como usar apenas deadstock de origem local, já ajuda a amenizar o problema maior.
Existem desafios em criar com deadstock?
Sim, é uma faca de dois gumes. Só conseguimos produzir um número limitado de peças de cada modelo, o que pode ser ótimo ou péssimo. Na hora de criar, nunca temos um tecido específico em mente, porque não sabemos o que vamos encontrar. Vamos ao centro da CDMX com a mente aberta para garimpar tesouros. Podemos achar 10 metros de seda — e nunca mais topar com esse tecido de novo.
Pode contar mais sobre o seu lançamento/coleção mais recente?
HOT PEOPLE FROM MY TEENS SS25 é uma ode à adolescência no fim dos anos 2000 na CDMX. É uma caricatura dos arquétipos de uma era que já passou: o emo, o Mirrey, a femme fatale do Hi5, o wannabe indie sleaze. É um brinde àquela angústia adolescente de querer mudar o mundo, porque às vezes parece que o futuro prometido naqueles anos nunca chegou. E tudo está pior.
Você tem uma peça favorita das coleções anteriores?
O terno Pachuco da nossa primeira coleção, porque nos colocou no mapa; as calças de boxe, porque pagam o aluguel; a saia de boxe de quinceañera do nosso primeiro desfile, porque destila o melhor da nossa visão; e, por fim, o vestido balão prateado da coleção SS25, porque é simplesmente fofíssimo.
Há temas ou categorias de produto que você gostaria de explorar no futuro?
No futuro queremos lançar nossa primeira fragrância autoral! Amo o cheiro de perfume gasto misturado com cigarro depois de uma festa… ou talvez sapatos? Também adoraria criar o próximo “it” shoe mexicano.
Qual sua opinião sobre o revival das chanclas/flip-flops como tendência em ascensão?
Estou respondendo a essa pergunta com umas sandálias de couro fofíssimas nos pés. Finalmente os homens estão colocando (literalmente) os pés em calçados divertidos. Só que, se você mora numa cidade grande, lavar os pés ao chegar em casa é obrigatório.



















