Trabalho sujo no luxo: Armani leva multa de US$ 4 milhões por greenwashing
É a nova investida da Itália por uma moda ética, que agora pressiona grifes como Loro Piana, Dior e Valentino.
Resumo
- O grupo Armani foi multado em US$ 4 milhões pela autoridade antitruste da Itália por divulgar declarações enganosas sobre sustentabilidade — terceirizando a produção para empresas que violavam normas trabalhistas e de segurança.
À medida que a Milan Fashion Week SS26 se aproxima, a Armani se prepara para um momento histórico — a comemoração de seus 50 anos —, mas a polêmica sobre suas práticas trabalhistas e de produção continua a ganhar força.
O grupo Armani, proprietário das linhas Giorgio Armani e Emporio Armani, foi multado em US$ 4 milhões (3,5 milhões de euros) pela autoridade antitruste da Itália, apenas alguns meses após o fim da administração judicial de um ano imposta por operações comerciais antiéticas.
De acordo com a Reuters, o processo aponta que o grupo Giorgio Armani e uma de suas subsidiárias “divulgaram declarações enganosas de ética e responsabilidade social, em desacordo com as reais condições de trabalho encontradas em fornecedores e subcontratados”. A empresa, porém, nega as acusações e pretende recorrer.
Apesar do discurso sustentável da Armani, o órgão regulador revelou que a empresa terceiriza a maior parte da produção de seus artigos de couro para oficinas que descumpriam normas de saúde e segurança e empregavam trabalhadores de forma ilegal. As denúncias ganharam força no verão de 2024, quando a Justiça colocou o grupo sob intervenção por 12 meses — medida revogada em fevereiro de 2025.
Em nota, o grupo Giorgio Armani disse sentir “decepção e amargura” e afirmou que “sempre atuou com a máxima correção e transparência diante de consumidores, mercado e stakeholders, como comprova a história do grupo”.
Reguladores italianos têm intensificado a pressão sobre grifes de luxo que ostentam o selo “Made in Italy”, exigindo práticas humanas, ambientalmente responsáveis e, principalmente, legais. Nos últimos anos, outras marcas — entre elas Valentino, Dior e Loro Piana — ficaram no centro de polêmicas semelhantes, também submetidas a administração judicial por infrações parecidas.
A grife de ultraluxo da LVMH, Loro Piana, foi a mais recente a receber a medida. Em julho, veio à tona a agressão brutal de um funcionário que cobrava salários atrasados em um ateliê terceirizado. O episódio, ocorrido em uma oficina de jaquetas no noroeste de Milão, resultou na prisão do proprietário chinês do local e no fechamento imediato da fábrica pela polícia.
De acordo com o Business of Fashion, os Carabinieri constataram que a oficina, responsável por peças de cashmere da Loro Piana, empregava dez trabalhadores migrantes chineses — cinco deles sem documentação. Obrigados a trabalhar até 90 horas por semana, sete dias por semana, recebiam apenas € 4 por hora e viviam em alojamentos irregulares dentro da fábrica.
Casos assim evidenciam o “greenwashing”, termo usado para definir ações de marketing que mascaram a realidade social e ambiental de marcas, sobretudo na indústria do vestuário.
Em votação quase unânime, em junho de 2025, o Senado francês aprovou um projeto de lei que mira empresas de “ultra” fast fashion para reduzir o impacto ambiental do setor têxtil. Enquanto a França mira gigantes chinesas como Temu e Shein com novas regras e multas milionárias, a Itália concentra seus esforços no mercado de luxo doméstico.
Essa mudança de tom abalou as conotações do selo “Made in Italy”, colocando em xeque o status do país como sinônimo de artesanato autêntico e luxo ao longo das décadas.
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