Dijon encara a paternidade em 'BABY'
Depois de pirar nas experimentações de ‘Absolutely’, o artista retorna com ‘BABY’, um disco mais contido e com vibe de família — sem perder a criatividade.
Resumo
- Dijon lançou seu segundo álbum de estúdio solo, BABY
- Com 12 faixas, BABY chega logo após um ano marcante para o artista, em que colaborou no disco do Bon Iver, SABLE, fABLE, e no álbum de Justin Bieber, SWAG
Todos os samples foram liberados e BABY, o segundo álbum de estúdio de Dijon, finalmente chegou.
Surgindo pouco menos de quatro anos depois de seu antecessor pioneiro, Absolutely, e logo após o ano mais em evidência do artista, quando colocou a mão em dois dos maiores discos do ano – o do Bon Iver, SABLE, fABLE e o de Justin Bieber, SWAG – o tão aguardado LP é exatamente o que esperávamos de Dijon depois de seu recente hiato solo.
Embora liricamente o disco de 12 faixas BABY seja majoritariamente um esforço solo, o projeto é caseiro e carregado de afeto, uma reflexão sobre o pequeno núcleo familiar de Dijon, que agora inclui seu filho. Desde Absolutely, a influência nada silenciosa de Dijon no zeitgeist musical só se tornou mais nítida; o álbum cru e revigorante (e seu vídeo de performance ao vivo na sala de jantar) abriu caminho para uma nova era de experimentações sonoras íntimas, com clima de improviso.
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Como um roteiro contemporâneo do que realmente significa misturar gêneros (para além do buzzword), o ainda relativamente subestimado Absolutely criou um ambiente no qual o Two Star & The Dream Police e o Mika’s Laundry não só podem existir, mas ser devidamente apreciados. Ostentando com orgulho o selo IYKYK, este pode ser o projeto que finalmente coloque Dijon no mapa do mainstream. Fiel à sua habilidade de fundir letras profundamente introspectivas a ideias de produção visionárias, ele faz o que sabe melhor no novo álbum, agora com um som mais apurado e uma produção (só um tantinho) mais polida.
1. Baby!
2. Another Baby!
3. HIGHER!
4. (Freak It)
5. Yamaha
6. FIRE!
7. (Referee)
8. Rewind
9. my man
10. loyal & marie
11. Automatic
12. Kindalove
A faixa de abertura, “Baby!” (versão masterizada do corte bruto “BABY burner” liberado no BABY countdown do álbum), nos introduz ao universo do disco, quase como as primeiras horas de vida de um recém-nascido, tropeçando em loops e trechos de conversas. Todos esses desvios, porém, são altamente intencionais — curvas estudadas em terreno que não é exatamente novo, mas que ele ainda não havia explorado como pai.Cada uma de suas mudanças francas de composição é calculada; toda escolha experimental é feita com o máximo cuidado.
A expansiva “Another Baby!” traz a sensação de um contentamento quase infantil com seus sintetizadores cintilantes; “HIGHER” continua a celebrar os picos da paternidade de Dijon, enquanto “(Freak It)” adiciona um clima mais sedutor com vocais sussurrados.
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Na quinta faixa, “Yamaha” — que remete a Absolutely e à sua “Many Times” — Dijon aprofunda suas camadas de loops, instrumentais e letras, criando um efeito imersivo e caótico; porém, ao contrário do frenesi de Absolutely, aqui o caos é controlado e muito mais focado.
Depois de “FIRE!” chega a texturizada “(Referee)”, que evoca a descida de um auge, e, como ponto alto do álbum, “Rewind”. Um masterclass de camadas meticulosas: guitarras glitchadas se mesclam às reflexões sinceras de Dijon. “my man”, a faixa mais longa, é um verdadeiro mosaico — um emaranhado de croons roucos repetitivos, amplas melodias de fundo e um final espacial.
Na reta final, “loyal & marie” destaca o falsete radiante de Dijon, abrindo caminho para a guiada por samples “Automatic” e para a típica declaração de amor à moda Dijon, “Kindalove”. Um encerramento perfeito para um projeto que, embora tenha alma de patchwork, é costurado por um fio condutor inabalável: amor incondicional.
Ouça BABY – disponível em todas as plataformas agora.



















