Hypebeast Community Center: BARZAKH – joalheria de vanguarda com propósito

Os fundadores da marca de joias de vanguarda BARZAKH revelam sua visão, a arte de construir universos e o compromisso com a responsabilidade social.

Moda
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Faça um pitch de elevador da BARZAKH para nós.

Aya Ben Amor: No cerne de um design guiado pela narrativa, a BARZAKH reinventa a joalheria como meio de desvendar a experiência humana por meio de formas escultóricas. Com sede em Sharjah, posicionamos nosso trabalho no ponto de tensão entre artesanato, sustentabilidade e design de vanguarda.

Os cinco W’s

Para quem é a BARZAKH?

ABA: Para quem sente uma inquietude de olhar entre as frestas e buscar o que está além do comum. Criamos pensando em pessoas que se conectam instintivamente com o obscuro, mas que também dialogam com os cautelosos, aqueles que colocam a intenção acima da impressão.

Qual é a principal mensagem da BARZAKH?

Marwan Haredy: Que a forma engana. A verdade vive no que foi depurado — texturizado, estratificado e fraturado. Nosso processo frequentemente nos leva a fragmentos erodidos, onde buscamos contradições e brechas de luz nos espaços entre as fissuras. É quando a arte fala e a linguagem colapsa.

Quando a BARZAKH foi criada?

MH: Começamos a desenvolver a BARZAKH em 2022. Aya vem do design de moda e eu, das artes plásticas e da poesia; por isso, uma marca de joalheria pareceu a convergência natural dos nossos universos. Ela nos permite atuar na interseção entre matéria e narrativa, unindo a intimidade da roupa, a estrutura da escultura e o simbolismo da linguagem. Só em 2024 lançamos oficialmente a marca com nossa coleção de estreia, Howling Through the Threshold.

“A verdade vive no que foi depurado — texturizado, estratificado e fraturado.”

Onde as pessoas estão usando BARZAKH?

ABA: O alicerce da BARZAKH reflete o instinto de quem se aproxima dela. Descobrimos que ela dialoga tanto com o universo da arte quanto com o da moda — curadores, escritores, stylists, designers. Estejam em Sharjah, Dubai ou Nova York, são pessoas que respondem a objetos carregados de significado e peso.

O mais marcante tem sido observar quantas pessoas usam BARZAKH no dia a dia. As peças não se limitam a ocasiões específicas; tornam-se parte de um ritual pessoal. São vividas, usadas continuamente e costumam ganhar uma carga emocional. Isso reflete nossa abordagem de design: criamos cada peça para resistir e evoluir junto ao usuário. Com o tempo, tornam-se heranças contemporâneas — não por tradição, mas porque se enraízam, silenciosas, na rotina.

Por que a BARZAKH foi criada?

MH: Porque algo faltava e nós sentimos essa lacuna. Havia uma frustração palpável antes de a marca tomar forma — frustração com um design que parecia desconectado, sem espaço para tensão real, narrativa ou contradição. Essa inquietude virou incubadora. Queríamos criar algo que pudesse gritar de volta.

Num cenário em que a joalheria começava a ficar dormente, presa a uma anestesia estética — a BARZAKH tornou-se, de um jeito ou de outro, um ato de recusa. Às vezes deliberado, às vezes intuitivo. Recusa em separar sentimento de objeto. Recusa em abandonar a narrativa. Recusa em deixar a região MENA fora da conversa vanguardista global.

Há uma fome por marcas que não abrem mão de conceito, ofício e responsabilidade. Essa fome existe em ambos os lados — em quem veste o trabalho e em quem o cria. Queremos saciá-la nos nossos termos, com a nossa linguagem.

Sobre a Marca

A responsabilidade social é parte essencial da missão da BARZAKH. Quais são as camadas envolvidas?

ABA: Erguemos a BARZAKH sobre quatro pilares de responsabilidade social: sustentabilidade, compensação, filantropia e comunidade. Tudo começa pelos materiais; usamos prata de lei reciclada, evitamos a superprodução e trabalhamos de perto com artesãos locais em vez de recorrer a fabricantes em massa. A BARZAKH rejeita o consumo rápido por princípio. Nossa responsabilidade começa na decisão de criar com cautela, e apenas quando faz sentido.

Também assumimos nossa pegada, compensando-a ao plantar uma árvore para cada peça vendida. Mas nossos esforços vão além do impacto ambiental. Responsabilidade também é estar com as pessoas. Estamos prestes a lançar o Oath Ring, uma campanha dedicada à causa palestina, na qual 100% dos lucros serão destinados a apoiar crianças palestinas que seguem sofrendo circunstâncias inimagináveis.

 

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Como a prata de lei reciclada se compara à prata de lei convencional? Houve desafios nesse compromisso?

MH: Materialmente, são idênticas, mas o impacto não é. A prata reciclada nos desvincula do ciclo extrativista da mineração, que causa desmatamento, poluição da água e do ar e destruição de habitats. Optar por trabalhar exclusivamente com prata reciclada é uma decisão deliberada, ainda que seja mais difícil de obter e nem sempre esteja disponível. Para nós, é inegociável.

Cada peça vem em uma caixa artesanal moldada em polpa de papel. Qual o papel dessa embalagem singular na identidade da marca que vocês constroem?

ABA: Enxergamos a embalagem como extensão da marca, um prolongamento das próprias peças — não um detalhe pós-produção. Não é apenas algo para guardar a joia, mas algo que intensifica a experiência BARZAKH. A materialidade da polpa, sua textura, suas irregularidades — tudo reflete os mesmos elementos brutos que incorporamos ao trabalho.

Também a concebemos prezando a versatilidade. Queremos que seja guardada, reaproveitada, usada — nunca descartada. Como as peças que abriga, foi feita para permanecer com você.

“Num cenário em que a joalheria começava a ficar dormente, presa a uma anestesia estética — a BARZAKH, de um jeito ou de outro, tornou-se um ato de recusa.”

Como vocês esperam que as pessoas se sintam ao usar BARZAKH?

ABA: Queremos que a experiência seja introspectiva, um mergulho interior. Desejamos que quem usa encontre conforto na linguagem da BARZAKH e confiança ao saber que a peça reflete quem realmente é.

Graças à forma como forjamos as joias — em acabamentos crus, acetinados ou envelhecidos — cada peça continua a evoluir com o tempo. Uma superfície crua pode ganhar um leve brilho; uma textura oxidada pode suavizar-se e se fundir novamente à prata. Essas mudanças silenciosas e imprevisíveis revelam o ritmo de quem as veste.

Onde vocês buscam inspiração?

MH: A inspiração para nós é fluida. Surge da cultura que nos cerca, do mundo por onde transitamos, do consciente ou do subconsciente. Mas o que mais revisitamos são os remanescentes, o que sobrevive depois da ruptura, o que permanece, silencioso, no pós. É ali que encontramos mais significado. Esses restos habitam o entre — estados transitórios, indefinidos, em que nada é inteiramente uma coisa nem outra.

Nossa coleção de estreia, Howling Through the Threshold, nasceu exatamente dessa ideia. Foi a tradução da medula da marca: um espaço metafísico suspenso entre formas, entre estados de ser. Expandimos essa narrativa em peças posteriores como o Heirloom Necklace e o State of Transference Ring, nas quais o entre tornou-se a condição central. Importa menos o que as peças dizem e mais o rastro que sua presença deixa.

 

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Qual a maior lição que vocês aprenderam desde o lançamento da BARZAKH?

ABA: Criar uma marca nunca é só sobre o produto. É sobre construir um universo completo, com voz, valores e senso de tempo. Uma marca precisa de passado, presente e futuro. Se você não dedica tempo para moldar esse mundo por inteiro, acaba apenas com objetos — ativos estéticos sem peso emocional ou conceitual. Quanto mais sólido o alicerce, mais naturalmente todo o resto se encaixa.

Qual design da BARZAKH você mais usa?

ABA: Tenho sempre no dedo uma amostra-mestra do Metamorphosis Signet Ring. Sua forma é intencionalmente contraditória — angular e fluida, assertiva e sutil — e se encaixa na mão de modo tão natural quanto inesperado. Como é possível usá-lo em posições diferentes, é daquelas peças que continuam revelando algo novo com o tempo.

Qual é a sua criação favorita com a BARZAKH até agora?

MH: Moldar o universo fundacional da própria BARZAKH. Criar uma peça é uma coisa, mas erguer um espaço onde essas peças pertençam, onde falem uma linguagem visual, emocional e filosófica comum — isso é outro tipo de criação.

Isso exige todas as nossas facetas criativas: poesia, design, narrativa, textura, ritmo. É arquitetura, só que interna. Ver esse mundo tomar forma, lenta e deliberadamente, vê-lo sustentar-se e abrir espaço para mais… esse é o verdadeiro prêmio.

“Se você não dedica tempo para moldar completamente o mundo de uma marca, acaba apenas com objetos — ativos estéticos sem peso emocional ou conceitual.”

A BARZAKH já conquistou reputação global, apresentando-se na Milano Jewelry Week e firmando parcerias com boutiques em todo o mundo. O que isso significa para vocês? Onde gostariam de ver a BARZAKH a seguir?

ABA: Isso reforça que há urgência e espaço para marcas como a BARZAKH, marcas que lideram com intenção. Estar ao lado de nomes consolidados em boutiques como a Komune é incrivelmente gratificante, especialmente considerando quão jovem a marca ainda é. Mais do que validação, é uma oportunidade de dialogar com outros criativos e de ocupar espaços que deem às peças o fôlego de que precisam para falar.

Queremos continuar expandindo para cidades onde moda, arte e design conceitual se cruzem. A Europa parece o próximo passo natural, mas também nos atrai o Leste Asiático, onde a sensibilidade da BARZAKH pode ressoar de forma muito particular e significativa.

O que vem a seguir para a BARZAKH?

MH: Estamos ampliando os contornos do que a BARZAKH pode ser, aprofundando a interseção entre arte contemporânea e joalheria. Nossa próxima coleção virá acompanhada de uma publicação que reúne artistas regionais e internacionais, cada um respondendo à narrativa da coleção em seu próprio meio. É uma forma de traduzir o trabalho além do objeto — em imagem, texto, gesto — enquanto amplificamos vozes em que acreditamos.

Também continuamos a explorar os limites da joalheria. Enquanto conversamos, há um material vivo, pulsante, crescendo silenciosamente em nosso estúdio. Estamos desenvolvendo maneiras de incorporá-lo na próxima fase da BARZAKH, como alternativa ao couro.

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