Clipse e Kendrick Lamar lançam o videoclipe de “Chains & Whips” com imagens impactantes
Faixa retirada de “Let God Sort ‘Em Out”, de Pusha T e Malice.
Resumo
- Surreal, mas ao mesmo tempo pé no chão, o clipe explora como a opressão sistêmica se entranha nas rotinas silenciosas do cotidiano.
- Crianças, rituais e símbolos de sobrevivência surgem ao lado de flashes de encarceramento, perseguição e luto — embaçando a fronteira entre o normal e o traumático.
- Em vez de glorificar a riqueza, o vídeo a questiona — será que o sucesso é liberdade ou apenas uma forma mais polida de cativeiro?
Clipse lançou há pouco o clipe de “Chains & Whips”, faixa queridinha dos fãs do tão aguardado álbum de retornoLet God Sort ‘Em OutCom um verso arrebatador de Kendrick Lamar, a faixa mergulha fundo em temas de opressão sistêmica, trauma geracional e na relação complexa entre sobrevivência e sucesso material.
O próprio título é um jogo de palavras. À primeira vista, ele faz um aceno ao luxo — correntes no pescoço, carros potentes na garagem. Mas por trás do brilho, é uma referência direta à violência da escravidão, do encarceramento e do controle geracional. Essa tensão está no coração da faixa: como riqueza e status muitas vezes são usados como armadura, mesmo que tenham sido forjados pelos mesmos sistemas que um dia o aprisionaram.
Dirigido por Gabriel Moses, o clipe materializa essa mensagem em imagens sombrias e surreais. Já no primeiro frame — uma mulher agarrada a um violão, em silêncio — sente-se o peso. Não é performance; é tensão. Sua imobilidade ressoa mais alto do que qualquer verso, estabelecendo o clima emocional de tudo que vem depois.
Um dos elementos mais poderosos é a presença recorrente de crianças. Elas não são colocadas em ambientes marcadamente adultos, mas a sugestão está lá; seus rostos — atentos, reservados, cautelosos — dizem mais do que qualquer cenário. Elas não brincam nem sorriem para a câmera; elas absorvem. O tom visual mostra o quanto o sistema começa a moldar as pessoas cedo — antes mesmo que elas o compreendam. Antes de vestirem correntes como moda, já receberam as invisíveis: silêncio, expectativa, peso herdado.
Enquanto isso, vemos lampejos da vida comum — crianças brincando, um homem de olho na máquina de loteria, adultos repetindo rotinas familiares — tudo discretamente atravessado por um descompasso. É a prova de que o sistema não detona: ele pulsa em silêncio, entranhado no tecido do cotidiano.
Kendrick não aparece no vídeo, mas sua presença paira. Seu verso encerra a faixa com uma rejeição afiada aos aplausos superficiais. Ele cita Rakim e questiona a obsessão da cultura por hype, fama e viralidade. É um lembrete ácido de que, enquanto todo mundo corre atrás de tendências, as histórias reais e suas raízes vão sendo apagadas.
A cena final reduz tudo ao essencial. Duas mulheres se posicionam na varanda, entoando a cappella o single de estreia “Grindin’”. Sem batida. Sem efeitos. Apenas vozes cruas ecoando o legado do Clipse. Fechando o ciclo — um retorno às raízes.
Assista acima ao clipe de “Chains & Whips”.



















