'CAKE', da Olympia, mergulha no lado mais doce da vida
Mais de 30 artistas se juntam para uma exposição comestível que dura só uma noite.
À medida que as noites ficam mais amenas e a cena artística de Nova York entra no seu típico compasso mais lento da estação, uma multidão se espalha pelas ruas em frente à Olympia Gallery, garfo e prato em mãos, para a CAKE, uma exposição especial — de apenas uma noite — de obras de arte comestíveis. Inspirada na infame (ainda que apócrifa) frase atribuída a Maria Antonieta, “Let them eat cake”, a mostra serviu confeitos criados por mais de 30 artistas plásticos, transformando o espaço de dois andares no Lower East Side em um salão pop-up de sobremesas.
Embora a concepção da exposição tenha surgido, nas palavras da própria galeria, como “uma resposta satírica a um cenário sociopolítico global cada vez mais azedo”, o resultado foi uma delicada reflexão sobre prazer, efemeridade e o poder agregador da comida. Um ato lúdico de rebeldia contra o tradicional modelo de galeria “olhar e não tocar”, CAKE convidou o público a subverter as regras e, literalmente, partir o pão.
Seja pela cor, textura, técnica ou conceito, cada sobremesa amplia a pesquisa maior do artista em uma poética açucarada, abordando temas como anticomodificação, trabalho e decadência. As obras em exibição iam de delícias bem-humoradas, como os vibrantes “Cockroach Cupcakes”, de Heather Benjamin, e o cartunesco “Pie in the Face”, de Robin F. Williams, até peças com uma pegada escultórica mais “real or cake” — como o imponente “Bavarian Khalifa”, de Leah Dixon, uma cena de pista de atletismo em pleno sprint, de Eli Hill, e “Cake Seafood Platter”, de Stephanie Temma Hier. Entre os destaques também aparecem a cratera espumante de yuzu de Naomi Nakazato e “Orchid Summit II”, de Madeline Bach.
Desde sua fundação, em 2015, a galeria — comandada por Ali Rossi — vem se notabilizando pela veia subversiva e desafiadora. Nesta noite de verão, a Olympia levou essa missão a novas profundidades, transbordando intimidade, conexão e senso de comunidade: da decisão tácita de manter a peça central intocada às inúmeras mãos que passaram pelas obras antes de você, passando pelo uso da comida como meio artístico inesperado — e, ao mesmo tempo, facilmente consumível — capaz de transformar quem a prova.
Continue lendo para conferir a lista completa de artistas participantes.
Alicia Adamerovich
Yura Adams
Cassandra Mayela Allen
Madeline Bach
Hannah Beerman
Heather Benjamin
Wells Chandler
Fung Cheung
Magnet Curry
Emily Davidson
Leah Dixon
Tamara Gonzales
Aisling Hamrogue
Colleen Herman
Stephanie Temma Hier
Eli Hill
Erin Lee Jones
Melissa Joseph
Hein Koh
Lizzy Lunday
Lee Maxey
Cristina de Miguel
Nicole Mourino
Naomi Nakazato
Sarah Nsikak
Keisha Prioleau-Martin
Erika Ranee
Adrianne Rubenstein
Alex Schmidt
Pauline Shaw
Jessica Stoller
Robin F. Williams
Mie Yim.



















