Amy Sherald cancela grande mostra no Smithsonian por receio de censura
Decisão foi tomada após pressão para retirar seu retrato de uma mulher trans, evitando provocar o presidente Trump.
Resumo
- A aclamada artista Amy Sherald retira sua próxima exposição individual, American Sublime, do National Portrait Gallery do Smithsonian, após discussões sobre sua obra de 2024 que retrata uma mulher trans e teria provocado o presidente Trump.
- A artista atribui sua decisão à “cultura de censura” e ao “amplo clima de hostilidade política”.
Amy Sherald, a pintora por trás do icônico retrato de Michelle Obama de 2018, decidiu cancelar sua próxima exposição individual, American Sublime, do National Portrait Gallery do Smithsonian, alegando possíveis censura e pressões políticas ligadas à crescente influência do governo Trump sobre a instituição.
De acordo com o New York Times, a decisão veio após relatos de discussões internas no museu sobre a retirada de “Trans Forming Liberty” (2024) para “evitar provocar o presidente Trump”. A pintura mostra uma mulher trans segurando uma tocha, na mesma pose da Estátua da Liberdade.
“Entrei nesta colaboração de boa-fé, acreditando que a instituição partilhava do compromisso de apresentar obras que refletissem a verdade plena e complexa da vida americana”, escreveu a artista em carta enviada a Lonnie G. Bunch III, secretário do Smithsonian. “Infelizmente, tornou-se claro que as condições já não preservam a integridade da obra tal como concebida.”
No começo desta semana, Sherald contou que Bunch propôs substituir “Trans Forming Liberty” (2024) por um vídeo de visitantes reagindo à obra e “discutindo questões trans” para “contextualizar” a pintura. Ela manteve sua posição: “O vídeo abriria espaço para questionar o valor da visibilidade trans, e eu me opus a que isso fizesse parte da narrativa de American Sublime”.
Depois de temporadas aclamadas no Whitney Museum e no SFMOMA, American Sublime estava prevista para estrear no Smithsonian em setembro e seria a primeira mostra solo da Portrait Gallery dedicada a uma artista negra contemporânea. A exposição destaca a beleza e a profundidade da vida negra nos Estados Unidos por meio da rica pintura de retratos de Sherald, incluindo seus célebres quadros de Michelle Obama e Breonna Taylor.
“Está claro que o medo institucional, moldado por um clima mais amplo de hostilidade política contra pessoas trans, teve seu peso”, acrescentou ela. “Não posso, em sã consciência, compactuar com uma cultura de censura, sobretudo quando ela mira comunidades vulneráveis.”
A retirada acontece em um momento em que o Smithsonian enfrenta um escrutínio político crescente do presidente Trump, que, em março, emitiu uma ordem executiva atacando o que chamou de ideologia de gênero e “centrada na raça” da instituição.
Sherald confirmou o cancelamento de American Sublime via um repost nos seus stories do Instagram em 24 de julho. Em entrevista ao Times ela declarou: “Num momento em que pessoas trans estão sendo alvo de legislação, silenciadas e colocadas em risco em todo o país, o silêncio não é uma opção.”


















