Coleção “python” da SUGARHILL para Primavera/Verão 2026 mergulha em textura, memória e artesanato
Uma exploração meditativa de materialidade e subcultura marca a coleção de 10º aniversário da etiqueta de Tóquio.
A coleção Primavera/Verão 2026 da SUGARHILL, batizada de “python”, dá sequência à evolução constante — e intencional — da grife. Fugindo de temas sazonais engessados, a marca japonesa passa a adotar apelidos informais — quase sempre bem-humorados e, às vezes, escolhidos pelo filho do fundador, Rikuya Hayashi — que refletem seu ethos de design fluido e guiado pelo processo.
Esta temporada aprofunda a filosofia central da SUGARHILL: o desenvolvimento de materiais. Isso envolve a exploração de técnicas de acabamento cheias de nuances, referências pesquisadas em peças históricas, a construção de silhuetas e cartelas contemporâneas, além de uma relação extremamente prática e próxima com as fábricas. A marca também destaca a “vida” dos materiais, incorporando o envelhecimento do índigo, do ferro e do couro à própria identidade criativa. O princípio norteador da casa, “Speak less, Think more”, reforça esse processo cuidadoso e deliberado.
Inspirada no espírito contracultural do acid folk e dos músicos hippies da costa oeste dos anos 1960, a coleção traduz tanto a liberdade sartorial quanto as texturas cruas da época. Para fundamentar essa visão, a equipe percorreu a Califórnia, coletando imagens e vivências que moldaram a sensibilidade da linha. Paralelamente, investigou como as subculturas americanas foram reinterpretadas pelo olhar japonês, tomando como referência bandas como Murahachibu e Les Rallizes Dénudés — resultando em uma estética híbrida ancorada em nostalgias globais e domésticas.
“Esta coleção é uma declaração silenciosa, porém firme, da nossa consistência e intensidade ao longo dos anos.” – Rikuya Hayashi
Contida no visual, mas minuciosa na execução, a coleção abraça o que a SUGARHILL chama de “bem desenhado, com um twist”. Os looks-chave exaltam a coerência material: silhuetas distintas são cortadas de um único tecido e elevadas por tratamentos secundários. “Estamos, aos poucos, deixando para trás a era dos materiais avant-garde”, observa a marca, que hoje privilegia sutileza, realismo e integridade tátil. Bolsas de couro e joias de metal, desenvolvidas em estreita parceria com artesãos, traduzem essa intenção ao unir savoir-faire de alto nível a profundidade emocional.
A cor funciona tanto como âncora quanto pontuação. Azul menta e vermelho vinho surgem como tons centrais, realçados por pinceladas de rosa vibrante e apoiados por índigo profundo e couro preto. O envelhecimento dos tecidos não só é aceito como incentivado — os botões foram feitos para oxidar, o denim para desbotar e as linhas para perder o brilho — trazendo a impermanência para o foco estético. Ao mesmo tempo, texturas nostálgicas como acabamentos tiroleses e bubble broadcloth aparecem em formas depuradas para “acrescentar uma camada de nostalgia e nuance cultural”.
“Queremos simplesmente continuar criando e viver nossas vidas por meio da criação, sempre.” – Rikuya Hayashi
No ano em que a marca comemora dez anos, esta coleção funciona menos como celebração e mais como reafirmação de seus valores criativos. “Queremos reafirmar nossa dedicação a aprofundar o processo criativo. Esta coleção é uma declaração silenciosa, porém firme, da nossa consistência e intensidade ao longo dos anos”, afirma Hayashi.
“Sempre questionamos o sistema padrão de desfiles bianuais”, diz Hayashi. “Embora possam gerar hype e alavancar uma marca, também correm o risco de ser consumidos rápido demais, diluindo o valor e encurtando sua vida útil.” Em vez de perseguir reinvenções, a SUGARHILL revisita e refina os valores que moldaram seus primeiros trabalhos. Realizar um desfile nesta temporada é “um ato preciso de presença”, e não um aceno a tendências ou ciclos. Para o futuro, a mensagem segue clara e firme para Hayashi e para a SUGARHILL: “Queremos simplesmente continuar criando e viver nossas vidas por meio da criação, sempre.”


















