Será que a Rolls-Royce fez seu primeiro esportivo? Testamos o Black Badge Spectre
Colocamos à prova, em primeira mão, o “Sport Mode” e o “Launch Control” do novo cupê elétrico da Rolls-Royce.
Durante o prestigiado Rodeo Drive Concours d’Elegance, em Beverly Hills, no dia 15 de junho, recebemos um convite raríssimo e exclusivo da Rolls-Royce: assumir o volante do novíssimo Black Badge Spectre e viver algo que jamais imaginamos presenciar — um Rolls-Royce com modo Sport e, ainda mais ousado, Launch Control.
Antes de detalharmos os novos modos de condução, precisamos falar do nosso aspecto preferido em qualquer Rolls-Royce: a imponência do design. Lançado em 2022, o Spectre conquistou fãs nesses três anos não apenas pela carroceria longa e dominante, pelo capô estendido e pela traseira fastback, mas também por oferecer uma interpretação mais enxuta do ultra-luxo. Concluímos que o modelo agrada sobretudo aos entusiastas mais jovens e esportivos, bem menos ao público tradicional que prefere um chofer abrindo a porta — e isso mudou muito pouco na versão Black Badge.
Nos exemplares Black Badge, espera-se um nível altíssimo de personalização — e o nosso não decepcionou, chegando em um vibrante Salamanca Blue com interior Mandarin Orange. A combinação até poderia passar despercebida em um esportivo de marca premium, mas num Rolls-Royce é raridade, daí o selo Black Badge. A cabine exibia detalhes sob medida, como vivo e costuras contrastantes nos estofados, monogramas “RR” em Navy Blue nos encostos de cabeça, volante azul de seção mais grossa, áreas de contato em aço inox polido e muito mais. Os itens mais impressionantes — e caros, somando quase US$ 33 mil — eram o teto iluminado Shooting Star e as novas Starlight Doors, opção inédita na história da marca. Só mesmo a Rolls-Royce para oferecer, dentro do carro, uma experiência nocturna melhor do que a própria noite lá fora.
Voltando aos novos modos de condução, como o Black Badge Spectre se comporta em termos de esportividade? O chamado Infinity Mode equivale ao tradicional modo Sport ou Dynamic — é a configuração que libera todo o potencial do conjunto. Nesse ajuste, o motorista tem à disposição 659 cv, 82 cv a mais do que no Spectre convencional. Por ser totalmente elétrico, fora do Infinity Mode o carro opera na mesma potência do modelo padrão. Apertar o novo botão Infinity no volante não muda radicalmente o feeling, mas fica evidente que tudo está mais firme — tanto pela resposta do acelerador quanto pelo quadro de instrumentos, que adota grafismos mais agressivos ao redor dos mostradores.
O Launch Control — batizado de Spirited Mode no Black Badge Spectre — é ainda mais inusitado em um Rolls-Royce, e nos surpreendeu o quanto gostamos dele, tanto pelo que faz quanto pelo que representa. Como se espera, o Spirited Mode é ativado mantendo o pé no freio e pisando fundo no acelerador. O procedimento faz o volante e o carro inteiro vibrarem levemente, oferecendo aos ocupantes uma sensação visceral de preparação para o disparo. Quando o freio é liberado, os 792 lb-ft de torque são despejados no asfalto, garantindo arrancadas de 0 a 60 mph em cravados 4,1 s — todas as vezes. Executamos a manobra duas vezes durante o teste e, em ambas, foi eletrizante. Ver um colosso de três toneladas — que custa o preço de uma casa — disparar como um foguete já impressiona; mais delicioso ainda é a surpresa de algo que ninguém esperaria de um Rolls-Royce: o sleeper definitivo, em todos os sentidos.
O Rolls-Royce Black Badge Spectre é vendido apenas sob encomenda, destinado a quem busca o extraordinário e — como mostra a especificação deste exemplar de US$ 566.100 — tem bolsos suficientemente fundos para bancar o privilégio.

















