Lemaire SS26 mergulha no estilo intuitivo e na arte de se vestir
Reforça o amor de Christophe Lemaire e Sarah-Linh Tran pela moda.
Resumo
- A coleção Spring/Summer 2026 da Lemaire reforça o amor pela moda como prática criativa, com tecidos, proporções e cores que elevam o ato de se vestir.
- Clássicos do guarda-roupa masculino ganham novas proporções e combinações inusitadas.
- O desfile foi aberto com uma apresentação de Valentina Magaletti e Zongamin.
Lemaire, a maison parisiense célebre por sua elegância discreta e luxo funcional, revelou hoje sua coleção masculina e feminina Spring/Summer 2026. Nesta temporada, os designers Christophe Lemaire e Sarah-Linh Tran afirmam que sua sintonia criativa nasce de um profundo amor pela moda e pelo estilo em si — sentimento potencializado por tecidos, texturas, proporções e cores escolhidos a dedo para enaltecer o próprio ato de se vestir.
A coleção apresenta um guarda-roupa desperto e seguro de si, qualidade refletida na performance especialmente encomendada a Valentina Magaletti e Zongamin. O diálogo rítmico entre bateria e baixo marcou momentos de clareza percussiva — um paralelo direto a como as roupas também funcionam como formas dinâmicas de comunicação. As peças são sobrepostas com uma sensibilidade imediata, quase espontânea: um blazer de alfaiataria afiado sobre uma regata ou uma camisa western acomodada sem esforço dentro de uma saia. As silhuetas permanecem diretas, carregadas de uma atitude esportiva que favorece o movimento e reconhece a realidade do deslocamento urbano.
Uma sensualidade palpável emerge de gestos despretensiosos e construções engenhosas. Saias assimétricas aparecem ao lado de um vestido drapeado em jersey stretch, fechado por um zíper que se reúne nos ombros como se tivesse sido fixado de forma improvisada. Peças em twill de viscose e seda exibem pregas prensadas, quase acidentais, que evocam com delicadeza as dobras e curvas naturais do corpo, celebrando a beleza tátil de roupas moldadas pelo uso.
Arquétipos do vestuário masculino são revisitados com viradas inteligentes sobre os clássicos. Blazers de abotoamento simples reproporcionados surgem, inesperadamente, com calças de pijama, sandálias e camisas de colarinho aberto que enquadram suavemente o pescoço. Pequenos blusões e tops compactos equilibram-se com calças amplas; jeans retos com coturnos; e jaquetas de couro com sapatilhas de boxe. Esse jogo intencional de opostos — cortes justos e fluidos, formal mesclado ao informal, forte com suave, estruturado com desestruturado — cria um charme descomplicado.
A coleção é permeada por inúmeras referências à história da moda, formando uma colagem de épocas aguçada por sentimentos e impressões, resgatada com pertinência contemporânea. Jaquetas bomber oversized inspiradas nos anos 80 convivem com trench coats militares dos anos 70; os contrastes de aparência e tato se estendem a cada peça por meio do diálogo entre texturas brilhantes e foscas, como couros nappa e nubuck, linho resinizado e padrões xadrez dégradé em fios de viscose e algodão, além de seda laminada a ouro. A paleta evoca a luz do fim de um dia de verão: laranja vibrante, vermelhos queimados e intensos, brancos encardidos, gradientes profundos de bordô, roxo e cinza, além de tons desbotados e queimados que capturam o croma dos pores-do-sol e das cores da noite, ancorados pelo preto pontuado por toques de luz que sugerem horizontes.
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