JJ Spaun: a vitória no U.S. Open foi forjada ao longo de anos

Bastidores das 48 horas que seguiram o triunfo histórico de JJ Spaun no U.S. Open.

Golfe
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É difícil exagerar o quanto a carreira de JJ Spaun já esteve por um fio. E, para muita gente que não acompanha golfe nos mínimos detalhes, a ascensão do novo campeão do U.S. Open parece ter acontecido da noite para o dia. A verdade, porém, é que sua trajetória vem subindo de maneira constante — ainda que silenciosa — há alguns anos. O público é que finalmente está se dando conta.

Nascido em Los Angeles, com ascendência filipina e mexicana, Spaun teve uma ascensão lenta e constante. Profissionalizou-se em 2012, depois de uma carreira universitária brilhante na San Diego State, mas o caminho até o PGA TOUR passou longe de ser linear. Foram anos ralando em mini-tours e no circuito canadense até garantir o cartão do Web.com (hoje Korn Ferry) Tour. Mesmo depois de chegar ao PGA TOUR, em 2017, Spaun conviveu com lesões e falta de consistência, inclusive numa fase em que precisou lutar só para manter o cartão. É o tipo de jogador que precisou se provar em cada etapa — não graças a convites de patrocinadores, e sim a resultados.

Tudo parecia se encaminhar para algo maior quando Spaun entrou na briga no PLAYERS Championship de 2025. Aos 34 anos, ele liderava por uma tacada após 54 buracos, mas tropeçou no início da volta final e acabou num playoff justamente contra Rory McIlroy. Obrigados a voltar no dia seguinte por causa dos atrasos climáticos, o duelo terminou em frustração: Spaun mandou a bola na água no icônico green-ilha do 17º e McIlroy confirmou a vitória. É o tipo de momento que poderia assombrar qualquer jogador, mas Spaun não o viu como um colapso; enxergou como validação, a prova de que seu jogo pertence à elite.

Três meses depois, essa crença virou realidade.

No U.S. Open de 2025, no Oakmont Country Club — um dos percursos mais implacáveis do calendário de majors —, Spaun entregou três voltas quase impecáveis em um campo que exigia precisão a cada tacada. Na rodada final, ele oscilou e chegou a sofrer com uma bola que bateu na bandeira e saiu do green. Mesmo assim, manteve a paciência enquanto os rivais vacilavam. Quando chegou ao 72º buraco, tinha vantagem para administrar — e um putt de birdie de 19 metros selou a vitória. Ele deixou o green não apenas como campeão de major, mas como uma das histórias de superação mais improváveis e suadas dos últimos tempos.

Foram muitas entrevistas e solicitações da imprensa nas últimas 48 horas. Conta para a gente como tem sido desde que aquele último putt caiu e em que estado de espírito você está agora?

Foi uma loucura. Só processar o que conquistei já é intenso. Você praticamente cai direto na maratona: as formalidades da vitória, a cerimônia do troféu. Quando percebe, não sai do clube antes da 1h da manhã, depois de uma comemoração discreta, de autógrafos, dessas coisas todas. E ainda precisei voar para Nova York na manhã seguinte.

Na noite de domingo dormi apenas três horas, porque cheguei tarde e simplesmente não consegui pegar no sono. Acordei às 6h e resolvi começar o dia — a adrenalina ainda estava a mil. Hoje foi um pouco melhor: a ficha começou a cair, principalmente com tantas entrevistas e pedidos de mídia. Estou realmente sentindo que sou o campeão do U.S. Open. Ouvir isso tantas vezes, ver os replays e ter de explicar tudo me ajudou a processar. Então foram 36, quase 48 horas insanas, mas incríveis. Um sonho realizado. Estou muito, muito feliz por ser o campeão do U.S. Open.

Falar sobre tudo isso, dar essas entrevistas, está te ajudando a refletir sobre o que deu certo e como as coisas aconteceram?

Com certeza. Foi tudo tão rápido que, no começo, eu só lembrava dos dois últimos buracos. Mas, ao responder perguntas — inclusive sobre o início da semana ou minha mentalidade antes de domingo —, tudo foi voltando. Tem sido uma ótima maneira de absorver a experiência por completo.

E como isso se compara a uma rodada normal, no que diz respeito ao que você consegue lembrar e à forma como analisa seu jogo? Saídas, aproximações, esse tipo de coisa.

A diferença entre uma rodada comum e o que aconteceu neste fim de semana é que me recordo muito mais de como me senti — emocional e fisicamente: nervosismo, ansiedade, o nível de conforto em determinadas tacadas. Em uma quinta ou sexta-feira normais de torneio você está no piloto automático, sem nada gigantesco em jogo. Mas este era o U.S. Open. Consigo lembrar exatamente do que estava passando na minha cabeça e no meu corpo naquele dia.

“Qualquer adversidade que aparecesse, eu me mantive resiliente… Você nunca sabe o que vem pela frente.”

Como você lidou com esse estresse em comparação ao PLAYERS Championship? Sente que evoluiu mentalmente?

Para ser sincero, acho que lidei muito bem no PLAYERS e tentei repetir exatamente a mesma abordagem. Entrei com a mentalidade de que não tinha nada a perder — só queria fazer o melhor score possível, sem pressão nem expectativas. Foi exatamente assim que encarei o U.S. Open.

Lembro que, depois da minha primeira rodada na quinta-feira, isso virou meu mantra para a semana. Não tentei mudar nada em relação ao PLAYERS. Aquela experiência comprovou que eu podia chegar lá. Mesmo sem vencer, ela me deu a confiança que carreguei no U.S. Open.

Qual foi a coisa mais surpreendente desde a vitória? Alguma mensagem ou momento inesperado?

Receber tantas mensagens foi incrível. Não sei se chega a ser surpresa, mas um dos momentos mais legais foi perceber que, se tudo der certo, estou praticamente garantido na Ryder Cup. E, em termos de surpresa, Curtis Strange me mandou mensagem — ele que é bicampeão consecutivo do U.S. Open. Isso significou muito.

Além disso, caminhar por Nova York com o troféu foi surreal. Ser reconhecido nas ruas, fazer o tour de mídia… tem sido uma loucura.

O que mais está previsto em Nova York para essa maratona de mídia? Algum programa matinal ou aparição noturna?

A maior parte disso a gente concluiu logo cedo hoje. Comecei às 6h30 no The Today Show. Depois participei da CNBC, da ABC, Access Hollywood, The Pat McAfee Show, Rich Eisen e SportsCenter. Foi um dia insano, com muita conversa — principalmente sobre mim, o que não é algo a que eu esteja acostumado.

Como você se sente em relação a isso? Você é alguém que se sente confortável falando de si mesmo?

Nem tanto. Tenho melhorado porque sei que faz parte do meu trabalho com a mídia. Procuro ser transparente e acessível. Mas, se alguém me manda um clipe meu em podcast ou entrevista, eu não assisto — fico um pouco constrangido me vendo na TV. Então, sim, é um pouco desconfortável, mas faço o meu melhor.

Vimos um vídeo seu andando de skate circulando no Instagram — parecia algo que você postou há um tempo. Ainda curte andar de skate?

Hoje em dia quase não ando. Cresci no sul da Califórnia e era a coisa mais legal a fazer; todo mundo andava. Foi minha primeira paixão. Andava muito quando era garoto e era até bem decente, mas não o suficiente para conseguir patrocínio ou virar profissional. Durante a pandemia postei um vídeo — tipo um desafio estilo ice bucket — em que fazia uma manobra e desafiava amigos a postarem as suas.

Ainda me divirto, mas não faço mais nada radical. Cair aos 34 não é o mesmo que cair aos 14, então tento limitar meu tempo no skate.

 

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É engraçado ver a galera fuçando seus posts antigos no Instagram agora?

É, é estranho. Acho que as pessoas ficam curiosas, querem me conhecer, ver de onde vim. Ainda bem que não tem nada muito constrangedor ou infantil ali — a internet não esquece. Mas, se o pessoal der risada ou se sentir inspirado, ótimo.

Pensando na sua trajetória, depois de tudo que passou com lesões e para manter o cartão, o que diria ao seu eu mais jovem?

Eu diria para continuar insistindo. Sempre carreguei um certo sentimento de subestimação. Não fui muito recrutado ao sair do colégio, provavelmente porque não joguei torneios suficientes para ser notado. Mas sempre precisei provar meu valor — no juvenil, na universidade e no profissional.

Seja qual for a adversidade, mantenha-se resiliente. É isso que eu diria a mim mesmo: continue se esforçando. Você nunca sabe o que vem pela frente.

Por fim, vencer no Dia dos Pais é algo muito especial. Como foi ter sua família presente e de que forma eles ajudam a manter você com os pés no chão?

Minha esposa e nossas duas meninas são o meu núcleo. Fazemos tudo juntos. Elas viajam comigo na maioria das semanas e me dão equilíbrio. O golfe pode te consumir, especialmente em majors como o U.S. Open — é fácil ficar preso dentro da própria cabeça.

Tê-las na estrada faz com que eu deixe o golfe no campo. Quando volto, sou apenas o pai brincando com as crianças e assumindo as tarefas de casa. Não fico remoendo um 72 ou um duplo bogey. Elas me mantêm com os pés no chão simplesmente por estarem comigo, vivendo a nossa rotina.

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