Marni se despede de Francesco Risso — quem assume o comando?
Será que a Marni vai recolocar um olhar feminino na marca criada por Consuelo Castiglioni?
Resumo
- Nesta quarta-feira, a Marni confirmou a saída de seu diretor criativo Francesco Risso, após 10 anos na casa. Embora a grife do grupo OTB ainda não tenha anunciado um substituto, rumores apontam para o retorno de uma diretora criativa.
Em comunicado oficial enviado à Vogue, a Marni confirmou na manhã desta quarta-feira que seu diretor criativo há dez anos, Francesco Risso, está deixando a marca. Nomeado em 2016, o designer foi o único a ocupar o cargo após a fundadora Consuelo Castiglioni, que criou a marca em 1994.
“Serei eternamente grato a Renzo [Rosso] por acreditar em mim e por me colocar no banco da frente de uma jornada que se tornou maior do que eu poderia imaginar”, disse Risso à Vogue. “A Marni foi estúdio, palco, sonho. Carregou cor, instinto, cuidado e deu espaço para que as pessoas fossem elas mesmas. Ela me ensinou a construir com sentimento e a entender o quão poderosa pode ser a verdadeira colaboração”, acrescentou.
Risso ampliou o legado de Castiglioni com um viés artesanal, elevando as cores e texturas expressivas da fundadora a novos patamares e apresentando a marca a uma nova geração. Seus tricôs volumosos, florais boêmios e releituras criativas conquistaram o público de luxo mais jovem, de gosto mais arrojado. As mules felpudas neon, os cardigãs de mohair ultramacios e as peças ilustradas e pintadas à mão viraram desejo entre Gen Z e Millennials, pavimentando o caminho para colaborações com o veterano da Yeezy Dingyun Zhang, a Carhartt WIP e até a lenda do R&B Erykah Badu.
A nomeação encerra um ciclo de mudanças dentro do OTB Group, proprietário de Diesel, Jil Sander, Maison Margiela e outras marcas. Depois de deixar a Y/Project no ano passado, Glenn Martens — que também comanda a Diesel — mergulhou de vez no universo OTB ao assumir a Maison Margiela no lugar de John Galliano. Em fevereiro, Lucie e Luke Meier se despediram da Jil Sander e, em março, Simone Bellotti foi anunciado como substituto.
A volta de um olhar feminino à grife pode despertar nostalgia entre os marniacs que sentem falta da visão singular de Castiglioni. A designer só lançou a linha masculina da marca em 2006; antes disso, o foco era exclusivamente no prêt-à-porter feminino. Rumores indicam que Virginie Viard, que deixou a Chanel no ano passado, ou Maria Grazia Chiuri, que saiu da Dior há poucas semanas, podem assumir o comando. Contudo, o repertório de ambas, marcado pelo luxo tradicional e pela alta-costura, parece menos alinhado ao espírito jovem da casa italiana.
Ao mirar além do carrossel de diretores que circulam pelas grandes maisons, a Marni pode seguir lapidando sua identidade própria sob a visão de um novo talento. Um nome jovem e independente como Martine Rose soa ideal, graças às referências fora do óbvio, à cartela de cores vibrante e aos detalhes por vezes lúdicos de suas criações. Para se ter ideia, os tênis Hoka em tons pastel, com aparência de travesseiro, lançados pela Marni ecoam as silhuetas infladas e candy-colored que Rose criou para a Clarks. O culto em torno da designer britânica poderia injetar a dose de entusiasmo necessária para turbinar o apelo do conglomerado em meio aos ventos contrários do arrefecimento do mercado de luxo.
Será que o OTB Group vai romper com a bolha que mantém os mesmos diretores criativos girando em loop? Até o fechamento deste texto, a Marni ainda não confirmou o substituto de Risso.
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