Bas e The Hics rompem as barreiras de gênero em 'Melanchronica'
Uma fusão hipnótica de hip-hop, eletrônica e jazz que mistura nostalgia com energia futurista.
“Genre-defying” virou um verdadeiro buzzword no universo musical. É raro que um artista — sobretudo em carreira solo — consiga romper as barreiras de gênero com naturalidade, sem soar imitativo ou sem graça. As propostas mais marcantes desse tipo nos últimos tempos — aquelas que realmente distorcem e borram as fronteiras de qualquer categoria — costumam nascer de colaborações entre gêneros.
Flume e Vince Staples lapidaram uma pegada de electro-trap no projeto do rapper Big Fish Theory e em faixas como “Smoke and Retribution”. O DJ australiano também se juntou a JPEGMAFIA no mês passado para We Live In A Society, outro projeto que mistura eletrônica e hip-hop. Da mesma forma, The Alchemist expandiu o universo do jazz-rap com seu trabalho ao lado de Larry June.
Bas é o mais novo nome do hip-hop a provar o que é um álbum que ignora rótulos de gênero. O integrante da Dreamville se uniu ao duo inglês de jazz eletrônico The Hics para um ambicioso disco colaborativo intitulado Melanchronica.
“Melanchronica fala sobre a nossa condição humana contemporânea: o desejo por conexões emocionais genuínas em uma sociedade hiperestimulada, ultra-conectada, apática e cada vez mais individualista”, explica Bas sobre a inspiração do álbum. “São os pensamentos que permanecem quando nos desligamos de tudo e olhamos com honestidade para nós mesmos e para o que nos cerca. Há uma gama de emoções retratada com fidelidade — quero que o ouvinte experimente todas elas ao longo dessa jornada.”
“Para mim, o disco traduz uma melancolia crônica e uma consciência intensa do yin e yang da vida”, ecoa a vocalista do The Hics, Roxane Barker. “Ao olhar para trás, percebo que este álbum é, de certa forma, eu aprendendo a me expressar sem medo de julgamento — meu e dos outros. Por isso, espero que ele inspire as pessoas a fazer o mesmo, seja por meio da arte, do movimento ou de qualquer coisa que as aproxime da sua essência.”
Sam Paul Evans, do The Hics, acrescenta: “Para mim, Melanchronica é sinônimo de ‘melancolia crônica’. Também pode representar um novo gênero musical. Quando atingimos a marca de dez faixas, eu queria algo que resumisse o clima geral do projeto. Adorei como a simples ideia de estar nesse estado de melancolia crônica — dando origem a Melanchronica — capturou essa perspectiva. Para quem acompanhou a trajetória que uniu Bas e The Hics, este trabalho é a prova viva do poder da colaboração, da comunicação e da amizade.”
Ouça Melanchronica — já disponível em todas as plataformas de streaming.



















