O Streetwear Invadiu o Golfe — Agora a Performance Responde
As colaborações da FootJoy destacam a crescente divisão entre o vestuário lifestyle e o de performance.
O golf não está apenas redescobrindo sua identidade pós-Tiger Woods, também está repensando seu guarda-roupa. Nos últimos anos, o esporte passou por uma revolução dramática na moda, com influências do streetwear colidindo com as tradições dos country clubs. Em alguns casos, essas duas ideias chegaram a compartilhar o mesmo espaço na caixa de sapatos.
Veja FootJoy, o fabricante de calçados mais ligado à tradição do esporte. Em temporadas passadas, a marca renovou sua linha de sapatos clássicos de golfe com uma série de colaborações inovadoras e focadas na moda: FJ by Jon Buscemi abraçou o luxo, Todd Snyder apostou na moda masculina, Metalwood explorou o streetwear e Harris Tweed com herança. Mas, como sua segunda parceria de 2025 chega por meio de uma nova colaboração sofisticada com Aimé Leon Dore, um nome está conspicuamente ausente: Metalwood Studio. Um parceiro criativo nas últimas duas temporadas, cujas colaborações — frequentemente associadas à metade de fevereiro Genesis Invitational — trouxeram uma das energias mais inventivas e não convencionais para os calçados modernos de golfe. Então, por que o desaparecimento silencioso? Isso sugere algo maior, uma mudança na orientação cultural do golfe. Apesar do burburinho e do sucesso de vendas da parceria, a união sempre pareceu mais um choque do que uma colaboração.
Em 2023, a campanha da Metalwood contou com uma sessão de fotos realizada em um cenário de filme spaghetti western — uma referência bem-humorada à nostalgia americana, que teria levantado algumas sobrancelhas nos ambientes corporativos mais tradicionais da FootJoy. As imagens não chegaram aos perfis sociais da FootJoy. Em vez disso, a empresa optou por fotos minimalistas para o eComm, e a coleção foi vendida exclusivamente pelo site da Metalwood.
Em 2024, o fundador e diretor criativo Cole Young adotou uma abordagem diferente, introduzindo um protetor de lama envolto em intrecciato no modelo colaborativo. Desta vez, a campanha apresentou modelos com calças e blazers mal ajustados, relaxando num ambiente corporativo com iluminação fria. Um comentário irônico sobre o cliente estereotipado da FootJoy? Difícil dizer, mas não é incomum imaginar que alguns da FootJoy acharam o subtexto impossível de ignorar.
Novamente, as fotos ficaram exclusivamente nas plataformas da Metalwood, com apenas uma única foto de produto com fundo branco aparecendo nos canais da FootJoy. A distribuição permaneceu limitada, concentrada principalmente no público DTC da Metalwood e em alguns insiders da FJ.
Naquele verão, as marcas se reuniram para um Golf Sneaker que abraçava a nostalgia dos “dad shoes”, inclusive escalando o pai de Young como estrela da campanha. Entretanto, a reviravolta divertida não foi destacada pela FootJoy. Os materiais ficaram ausentes das redes da FootJoy, e o lançamento, originalmente planejado para coincidir com U.S. Open e uma ativação presencial em Pinehurst, acabou sendo adiada para o final de julho.
Talvez esse seja o manual da FootJoy: medido, conservador e focado em sua base principal. Pode até ser uma questão de timing. Mas a aprovação contrastante de outros parceiros diz muito. Buscemi x FootJoy teve o tapete vermelho estendido — posts colaborativos, imagens de lifestyle e até uma participação de Adam Scott. ALD agora está recebendo um tratamento semelhante, com uma campanha que sinaliza um claro alinhamento na visão criativa.
Ambas as marcas permitem que a FootJoy aproveite o capital cultural enquanto preserva sua tradição. Elas falam a linguagem do luxo e da contenção, em vez de aposta na disrupção, sendo uma opção mais segura para uma marca que equilibra relevância e tradição. A FootJoy não se afastou da conversa sobre moda no golfe; apenas tem focado em um nicho diferente.
De forma geral, as colaborações em evolução da FootJoy parecem menos uma volta isolada e mais um realinhamento, reforçando sua narrativa de performance. Justin Thomas recentemente migrou da clássica Premiere Series para a mais esportiva HyperFlex, chegando a atribuir a ela um aumento de alcance. Após faturar quase 4 milhões de USD no RBC Heritage, a mudança parece justificada. Até Tiger Woods, outrora embaixador não oficial da Premiere Series, agora veste calçados de sua própria Sun Day Red linha.
Ao mesmo tempo, os gostos dos consumidores estão se fragmentando. A diferença entre a moda de golfe para lifestyle e performance vem se ampliando, deixando menos espaço para híbridos. Usar hoodies, camisetas e calças cargo pode estar na moda, mas a maioria dos clubes ainda não os permite. E uma geração mais jovem, criada com personalidades do golfe no YouTube e dados do Trackman, valoriza a utilidade acima da estética.
Outras marcas próximas ao golfe também estão mudando. MANORS, antes uma marca puramente de lifestyle, foi relançada há dois anos com um foco técnico. Mesmo Malbon, primeiros disruptores do código de vestimenta do golfe, passaram a apostar na performance desde que fecharam contrato com Jason Day para um contrato de endosso completo.
Para a Metalwood, a verdadeira jogada agora parece estar fora do campo. Seus revendedores lembram mais um quem é quem de boutiques de moda e lojas de skate do que de lojas especializadas. Se a força da FootJoy está em equipar o atleta preparado para o tour, a vantagem da Metalwood vem ao introduzir o golfe para públicos que nunca o consideraram parte de seu mundo. E suas colaborações agora servem menos como linhas de produto e mais como migalhas culturais, lembretes de que o golfe está no DNA da marca.
Então, talvez a separação com a FootJoy fosse inevitável. A colaboração não terminou com um comunicado de imprensa; o tempo simplesmente passou. Mas isso deixa uma questão mais interessante: em um esporte em que o estilo é tanto sobre identidade quanto sobre performance, quem define o que o golfe parecerá dali em diante?



















