Jeane Terra e a Alquimia da Memória em "Pele do Rio"
A artista visual brasileira Jeane Terra transforma os momentos fugazes da vida em arte, entrelaçando dores pessoais com a essência da Amazônia.
Jeane Terra, uma artista visual brasileira de Minas Gerais, radicada no Rio de Janeiro, inaugurou sua exposição individual, “Pele do Rio” (“Skin of the River”), em São PauloJanaina Torres Gallery.
A exposição mergulha em temas de finais e apagamento, que definem o trabalho de Terra. Misturando pintura, escultura, fotografia e vídeo arte, ela cria um diálogo entre suas próprias memórias e a vibração coletiva da Amazônia, dando forma tanto à dor quanto à esperança em sua arte.
“Tornei-me uma garimpeira de memórias”, diz Terra, capturando fielmente seu processo de buscar e ressignificar histórias. “Pele do Rio” ressalta a urgência de capturar o que está aqui e o que já se foi, transformando ruínas e memórias em algo precioso.
Ao explorar locais marcados por perdas compartilhadas, como a Amazônia, o objetivo de Terra é ir além do pessoal para alcançar o universal, incentivando-nos a refletir sobre a efemeridade da vida e a importância de preservar nossas culturas e o meio ambiente.
Com sua experiência, ela desenvolveu uma técnica exclusiva, “pele de tinta” (“skin of paint”). Terra a descreve como uma espécie de alquimia da arte: “Não uso tinta para pintar, mas a transformo, utilizando-a como suporte para moldar a pintura, como se estivesse criando uma escultura a partir dela.” Ela usa software para mapear padrões de bordado a partir de fotos, conectando o artesanato feminino tradicional com a tecnologia atual, resultando em uma arte que lembra pixels analógicos.
Com “Pele do Rio”, Jeane Terra desafia o público a enfrentar a fragilidade da vida e refletir sobre como estamos prejudicando o planeta. “Quero que as pessoas que veem meu trabalho e minhas exposições saiam com uma pergunta”, declara ela. Ao abordar temas como as mudanças climáticas e o desenvolvimento irresponsável, a mostra serve como um alerta, nos desafiando a repensar nosso papel na preservação da vida.



















